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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.11

12/2007

Pesquisa avalia impacto de primeira combinação de ARVs

Um estudo com 891 prontuários de pacientes do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (DIP/HC/ UFMG) revelou que, após dois anos, apenas 39% permaneciam em uso da primeira combinação de anti-retrovirais. Dentre os que mudaram de tratamento, as causas foram, em primeiro lugar, os efeitos colaterais; em segundo, a não adesão ou abandono do tratamento; e, em um grupo menor, por falha da medicação.

“Este achado preocupa, pois a primeira combinação é a que tem maior chance de durar”, afirma a médica Flávia Andrade Ribeiro, que utilizou os resultados numa Dissertação de Mestrado da Faculdade de Medicina da UFMG. “Considerando que em pacientes virgens de tratamento, como os observados, é muito difícil que a medicação não funcione se os remédios forem tomados corretamente, é possível que na maioria dos casos o paciente não tenha usado a medicação de forma correta”, observa a pesquisadora.

ADESÃO INTEGRAL
O estudo, segundo Flávia Ribeiro, fortalece a importância da adesão integral ao tratamento com anti-retrovirais e da escolha da combinação que possa causar menos efeitos colaterais aos pacientes. “O trabalho busca observar a efetividade das primeiras combinações e, dentre as observadas, a combinação zidovudina + lamivudina + efavirenz foi a que se mostrou mais efetiva”, afirma a médica, reforçando a recomendação do Ministério da Saúde para início de tratamento.

A pesquisadora diz que as principais barreiras para uma boa adesão são de fundo social e psicológico, além da falta de compreensão, por parte do paciente, da importância do tratamento. “O acompanhamento das pessoas que vivem com HIV/aids deve ser feito por uma equipe multiprofissional, com psicólogos, farmacêuticos, assistentes sociais e pela equipe de enfermagem, além do médico, para uma melhor adesão do paciente ao tratamento”, conclui.

ADESÃO E POBREZA
A maioria dos pacientes envolvidos na pesquisa era homem, solteiro, com formação até o ensino fundamental e renda de até dois salários mínimos. O estudo contou com orientação do infectologista mineiro Dirceu Greco, um dos primeiros médicos a tratar pacientes portadores do HIV/aids no Brasil. “A pobreza é o pano de fundo da falta de adesão ao tratamento. Há casos de pacientes que deixam de ir ao hospital porque não têm dinheiro para a condução”, afirma Greco, para quem o estudo ajuda a compreender melhor “um dos maiores problemas de saúde pública do mundo”.

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