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Solução » Solução n.04

12/2004

Ética: uma questão de bom senso

O exercício ético da profissão de farmácia deve garantir o direito dos pacientes à privacidade e a um tratamento humanizado

Quando se trata de atender portadores do HIV/aids, ter uma postura ética não significa apenas seguir à risca o Código de Ética Farmacêutica. O código traz inúmeras sugestões que podem ajudá-lo no exercício ético da profissão, mas o que fazer naquelas situações não mencionadas no documento? “Nessas horas, use o bom senso”, recomenda José Liporage Teixeira, vice-presidente da Associação Brasileira de Farmácia e conselheiro do CRF do Estado do Rio de Janeiro. “Proteger o direito à privacidade e garantir um atendimento mais humano aos pacientes deve estar sempre em primeiro lugar”.

Direito à privacidade
Solicitar a assinatura do paciente em uma lista com os nomes de todos os usuários de anti-retrovirais da unidade de saúde é uma atitude que está caindo em desuso, embora muitos locais ainda utilizem essa conduta. O problema é que, ao expor a tal lista, o profissional de farmácia está desrespeitando o direito do paciente ao sigilo. Segundo José Liporage, a privacidade deve ser respeitada acima de tudo.
O farmacêutico deve ainda tomar cuidado com os casos de pessoas que procuram a farmácia para descobrir para que serve determinado medicamento. Na maioria das vezes, são pessoas que querem descobrir por que um amigo ou parente está se medicando. “Procure saber exatamente o porquê do questionamento. Em caso de dúvida, o melhor é não responder”, aconselha Liporage.

Humanização favorece a adesão
A farmácia de uma unidade de saúde atende os mais diferentes tipos de indivíduos, alguns até com comportamento agressivo, mas o papel do farmacêutico é se apresentar como parceiro. “Devemos evitar comentários preconceituosos e estar atento para que o contato com o profissional não interfira de forma negativa na adesão do paciente à terapia”, afirma Liporage. “Há pessoas que interrompem o tratamento ao se sentirem discriminadas, sentem-se envergonhadas ou irritadas e não retornam mais à unidade”, completa ele.

Para um atendimento mais ético e humano

> Não fornecer a lista de pessoas em terapia anti-retroviral para assinatura do paciente. Quando necessário, pedir que ele assine no verso da receita;
> Sempre que possível, entregar os medicamentos dentro de uma sacola plástica de cor escura;
> Lembrar colaboradores, estagiários e visitantes sobre a ética e o direito à privacidade;
> Se precisar entrar em contato telefônico, nunca deixe recado que possa expor o paciente;
> Não oferecer informações sobre pacientes a terceiros;
> Não usar termos pejorativos, apelidos ou comentários preconceituosos;
> Não usar como rascunho papel que contenha informações sobre um paciente;
> Ouça o que o paciente tem a dizer e não negue informações a ele;
> Disponibilize caixa de sugestões/ reclamações/ elogios;
> Sempre tenha um “Livro de Registro de Ocorrências”;


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