Saber Viver Profissional de Saúde Adolescência e Aids

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Saber Viver Edições Especiais » Saber Viver Profissional de Saúde Adolescência e Aids » Saber Viver Profissional de Saúde Adolescência e Aids n.02

03/2008

Experiências diversas em busca do atendimento ideal

As questões que afetam a assistência dos adolescentes que vivem com HIV/aids no Brasil têm vários pontos em comum. Revelar o diagnóstico, conversar sobre sexualidade, aprimorar o atendimento oferecido e conquistar a adesão do jovem ao tratamento são desafios que fazem parte do dia-a-dia de todas as equipes de saúde ouvidas pela Saber Viver. Entretanto, a um olhar mais apurado, as particularidades se revelam. Aspectos emocionais, culturais, sociais e econômicos e a forma como os serviços de saúde se organizam vão determinar a singularidade de cada atendimento.

Serviços que contam com estrutura interdisciplinar, sem dúvida, oferecem maior suporte aos profissionais e têm mais chances de sucesso no atendimento ao adolescente. A formação de parcerias, seja entre diferentes serviços ou com organizações não-governamentais, também tem atingido soluções interessantes. Mas o fator primordial para a qualidade da assistência do adolescente soropositivo é ouvir o que ele tem a dizer. Promover a formação de grupos de jovens e incentivar sua participação na construção coletiva de ações são estratégias que vêm obtendo ótimos resultados dentro dos serviços de saúde.

Temos que falar sobre o preconceito
Em todas as matérias da revista, é possível observar a influência negativa do estigma da aids na vida de quem vive com o vírus e de quem lida com ele. O preconceito afeta relacionamentos, impede a conversa sobre o HIV, atrapalha o tratamento e dificulta condutas do serviço. Sobretudo os jovens, em seus depoimentos, revelam o quanto é penoso enfrentar uma doença tão estigmatizada.

O segredo acerca da doença, imposto pela família, aconselhado pelos profissionais de saúde e determinado pela sociedade, coloca o adolescente em uma ambigüidade torturante. Se, por um lado, o silêncio o protege da discriminação, por outro, reforça o estigma, que assim se perpetua através dos anos.

Muitos gostariam de mudar esse quadro e se revoltam, pois são jovens, mas poucos ousam ir contra o estabelecido, repetindo atitudes da geração anterior.

Engolem a vontade de falar, sem nem saber exatamente o motivo.

O que fazer, então? Provavelmente, os únicos capazes de responder essa questão são eles, os jovens, a nova geração. Nosso papel é provocar o debate.

Soluções possíveis
Por fim, agradecemos às equipes de saúde e aos jovens que generosamente relataram suas experiências à Saber Viver, compartilhando anseios, angústias, frustrações e conquistas. Esperamos, assim, contribuir para ampliar as discussões sobre a assistência ao adolescente que vive com HIV/aids e colaborar para que cada serviço percorra seu próprio caminho, de acordo com suas especificidades. A revista é uma forma de homenagear o profissional de saúde que diariamente enfrenta desafios, construindo soluções possíveis.

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