Publicações

  • Fonte normal
  • Aumentar fonte
  • Adicionar a favoritos
  • Imprimir
  • Envie para um amigo:





Solução » Solução n.24

06/2008

Farmácia não é loja

Manifestantes querem farmacêuticos nas drogarias

Passeata e Frente Parlamentar reforçam debate

Em 11 de junho, a campanha nacional Farmácia Estabelecimento de Saúde levou mais de mil manifestantes à Brasília. O grupo foi recebido tanto pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, quanto pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia. A campanha, liderada pela Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar) visa aprovar o substitutivo ao Projeto de Lei que transforma a farmácia em estabelecimento de saúde e a integra ao Sistema Único de Saúde (SUS). “A luta é por uma legislação que regule as drogarias”, explica Renata Mielli, assessora de imprensa da Fenafar. “Como não há regulamentação, os estabelecimentos privados não costumam manter um farmacêutico em tempo integral”, afirma. Desde 2000, o Projeto, criado pelo deputado federal Ivan Valente (Psol-SP), aguarda votação no Congresso.

O movimento

Além da Fenafar, a manifestação contou com representantes da Federação Interestadual de Farmacêuticos (Feifar), da Associação Brasileira de Farmacêuticos (ABF), dos sindicatos dos farmacêuticos de São Paulo e de Santa Catarina, da Associação Brasileira de Ensino Farmacêutico (Abenfar), do Conselho Federal de Farmácia (CFF) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O deputado Ivan Valente e estudantes de Farmácia também marcaram presença. A concentração ocorreu na Catedral de Brasília, de onde os farmacêuticos caminharam até o Ministério da Saúde e a Câmara dos Deputados. O ministro José Gomes Temporão mostrou simpatizar com o movimento e disse que gostaria de vê-lo aprovado enquanto está à frente do Ministério. O deputado Arlindo Chinaglia também foi receptivo. Ele se comprometeu a realizar a votação do Projeto ainda neste semestre, antes do recesso de julho.

Assistência é prejudicada

À primeira vista, a campanha Farmácia Estabelecimento de Saúde parece dizer respeito apenas aos profissionais da rede privada. Mas a questão é importante também para a Assistência Farmacêutica realizada nas unidades dispensadoras de antiretrovirais (ARVs). Por um lado, um paciente de HIV/aids que se dirija a uma drogaria pode ser induzido a consumir substâncias que prejudiquem seu tratamento. Por outro lado, pessoas que ignoram ser portadoras do vírus podem adiar o diagnóstico se camuflarem os sintomas através de medicação inadequada adquirida nos estabelecimentos privados.

A nova Frente Parlamentar

Em 10 de junho, véspera da passeata, foi lançada a Frente Parlamentar em Defesa da Assistência Farmacêutica, contando com 122 deputados federais. Coordenada pela baiana Alice Portugal (PCdoB), a Frente luta pela implantação de uma política nacional de Assistência Farmacêutica envolvendo profissionais e sociedade em geral. No ato de lançamento, a deputada elogiou o desempenho dos farmacêuticos brasileiros que, apesar da falta de apoio político, têm assistido a população de forma responsável. Mas isso não seria suficiente para garantir o uso racional do medicamento: “A farmácia deve ser um serviço de saúde, onde o paciente tenha acesso ao profissional graduado, preparado, disposto e bem remunerado”, opinou.

Compartilhe