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Solução » Solução n.11

02/2006

Fármaco-epidemiologia

O que isso tem a ver com o cotidiano dos profissionais que trabalham na área de aids?

Quem responde é Selma Rodrigues de Castilho, farmacêutica industrial e doutora em engenharia biomédica. Ela explica que a fármaco-epidemiologia dedica-se ao estudo do consumo de medicamentos e do seu impacto sobre uma dada população. Segundo ela, “a esses estudos deve-se grande parte do conhecimento sobre ações de medicamentos no organismo”. Sabemos que, antes de ser lançado no mercado, cada medicamento sofre uma série de estudos para assegurar sua segurança e eficácia. No entanto, por mais que se pesquise, nem todas as reações adversas serão conhecidas de antemão.

Os estudos prévios, em geral, testam medicamentos em populações selecionadas, abrangendo um número limitado de pacientes, por um período igualmente limitado. Por isso, nem todos os efeitos são previstos. As conseqüências do uso crônico do medicamento, por exemplo, não podem fazer parte da pesquisa que permite a liberação de um produto.

É evidente, portanto, a especial importância da fármaco-epidemiologia para compreendermos os efeitos dos medicamentos usados no combate ao HIV. Além de tudo, devido à premência de resultados nessa área, em geral esses produtos têm um tempo de pesquisa clínica mais curto do que outros medicamentos costumam ter antes de chegarem ao mercado. Conseqüentemente, segundo Selma Castilho, os estudos posteriores contribuem, ainda, para a discussão sobre as diretrizes e os impactos da política de assistência farmacêutica em aids.

Selma, que dá aula na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal Fluminense, em Niterói-RJ, e é coordenadora do CEATRIM (Centro de Apoio à Terapia Racional pela Informação sobre Medicamentos), acredita que a fármaco-epidemiologia pode envolver todos os profissionais de saúde e até mesmo os usuários de medicamentos: “É imprescindível que nos engajemos na busca de conhecimento sobre os medicamentos e, em conseqüência, no seu uso mais racional”, opina. É assim que, apesar do nome estranho, a fármaco-epidemiologia tem tudo a ver com o dia-a-dia de quem lida com a aids: trata-se da busca
por melhores resultados terapêuticos.

SAIBA +
http://www.saude.rj.gov.br/Acoes/Visa.shtml
www.anvisa.gov.br
Texto: Ana Letícia Leal

NOTAS
Países da América Latina e Caribe se unem para discutir tratamento e prevenção à Aids

Ainvisibilidade da América Latina junto a agências de cooperação internacional e a fóruns de negociação para recursos de combate à aids e o alto custo de insumos para a promoção da prevenção, diagnóstico e tratamento foram os pontos mais debatidos no encontro que reuniu, em Brasília, no mês de janeiro, 19 diretores de Programas de Aids da América Latina e Caribe. O evento “Consulta Regional: em direção ao acesso universal à prevenção, tratamento e assistência do HIV/Aids na América Latina e Caribe” contou também com a presença de representantes de organismos internacionais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), o Unicef e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Cada país apresentou sua realidade diante da epidemia e, em grupos de trabalho, foram construídas estratégias para alcançar a meta de oferecer acesso universal ao tratamento e à prevenção à aids até 2010. Esta meta foi estipulada na última reunião do chamado Grupo dos 8 (Estado Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Canadá, Itália e Rússia) em julho de 2005.

Uma das estratégias acordadas na reunião em Brasília é a criação de um meio para avaliar o acesso ao tratamento e à prevenção oferecido por cada país. Como saída para o alto custo do tratamento, foi recomendado que a negociação com os laboratórios envolvesse toda a região, e não um país isoladamente. A melhora na capacitação dos profissionais de saúde que trabalham com HIV/aids e o combate à discriminação também foram pontos destacados pelos participantes.
O resultado deste encontro será apresentado na Assembléia Geral das Nações Unidas, em maio.

SAIBA +
www.aids.gov.br

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