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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.20

09/2010

Fitoterápicos e antirretrovirais: o perigo das interações medicamentosas

Aparentemente inofensivos, os medicamentos fitoterápicos podem apresentar substâncias potencialmente perigosas para usuários de antirretrovirais. “O Cogumelo do Sol e a unha de gato, por exemplo, não interferem no tratamento. No entanto, Echinacea, Erva de São João, Kava-kava e cápsulas de alho são os que mais prejudicam porque podem reduzir as concentrações dos inibidores da protease e/ou de inibidores da transcriptase reversa não-análogos de nucleosídeos, reduzindo a eficácia dos mesmos e levando à resistência viral e falha terapêutica”, alerta a médica Márcia Rachid, da Gerência de DST/AIDS, Sangue e Hemoderivados da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro.

A maioria dos usuários não relata o uso de fitoterápicos. É importante que o profissional de saúde pergunte e oriente seus pacientes. “O profissional deve fornecer por escrito os nomes de fitoterápicos que precisam ser evitados e explicar a razão. Para determinados fitoterápicos (camomila, erva cidreira, boldo, chá verde), as interações são dose-dependente e dependem também do tipo de formulação, ou seja, os extratos puros destes citados é que têm interações”, orienta a médica.

Farmacêutico é peça importante
O farmacêutico precisa estar preparado para observar as informações passadas pelos pacientes no momento em que eles retiram os medicamentos e orientá-los. Esta é a ocasião ideal para conversar não só sobre as interações que podem ocorrer entre as substâncias ingeridas, mas também sobre o transporte, o armazenamento e as reações adversas dos antirretrovirais. Entretanto, isso nem sempre acontece, como explica Paulo Roberto Gomes dos Santos, farmacêutico da Fundação Oswaldo Cruz. “Devido ao excesso de pacientes e à falta de local adequado para a abordagem, essa prática não é realizada normalmente nas instituições; exceto naquelas em que ocorre acompanhamento farmacoterapêutico”, diz ele.

Veja, abaixo, alguns fitoterápicos que interagem com o tratamento antirretroviral:

FITOTERÁPICOS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS
Alho (cápsulas ou extrato) Reduz concentração dos níveis plamáticos dos antivirais, altera (aumenta ou reduz) a concentração de outros medicamentos que atuam no sistema hepático P450. Risco de sangramento em pacientes em uso de anticoagulantes e interfere também com medicamentos para tratamento de distúrbios da tireóide.
Boldo, Boldo-do-Chile (extrato) Causa inibição da agregação plaquetária decorrente da não formação do tromboxano A2.
Pacientes que estão sob terapia de anticoagulantes não devem ingerir concomitantemente medicamentos contendo Boldo pela ação aditiva à função antiplaquetária de anticoagulantes.
Camomila (extrato) Interage com anticoagulantes e aumenta o risco de sangramento. Com barbitúricos e outros sedativos, poderá intensificar ou prolongar a ação depressora do sistema nervoso central;
reduz a absorção do ferro ingerido através de alimentos ou medicamentos.
Erva cidreira (extrato) Pode interagir com outros medicamentos contendo plantas medicinais. Interage com
depressores do sistema nervoso central e com hormônios tireoideanos.
Erva de São João Reduz a concentração dos inibidores da protease e de inibidores da transcriptase reversa
não-análogos de nucleosídeos e, como atua no citocromo hepático P450, outros fármacos
podem ter seus níveis aumentados ou reduzidos.
Echinacea e Kava-Kava Risco de toxicidade hepática grave
Ginseng Pode reduzir a ação anticoagulante da varfarina e aumentar o risco de sangramentos. Pode
diminuir os teores de açúcar no sangue e desencadear efeitos estrogênicos. O uso junto
com antidepressivos pode desencadear tremores, cefaléias e insônias.
Ginkgo Biloba Pode diminuir a ação de anticonvulsivantes, intensificar a ação farmacológica de algumas
drogas e de seus efeitos colaterais. Pode, também, afetar os níveis de insulina e do açúcar
no sangue e diminuir a pressão sanguínea.

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