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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.19

06/2010

Formando o profissional do futuro

Universidades incluem em seus currículos discussão e difusão sobre práticas mais humanizadas de atendimentos em saúde

Nos últimos anos, a expressão “humanização da saúde” tem sido amplamente discutida por gestores e profissionais da área de saúde. Agora, as universidades começam a incluir este tema em seus currículos, principalmente, as escolas de medicina. “A universidade é uma das instâncias de socialização para os jovens, ajudando a definir valores e visões de mundo. A universidade pública tem um papel fundamental, pois é responsável por ensinar um ofício ao estudante, que compreende não só uma atuação prática, mas também uma formação política em sentido amplo”, acredita Ivia Maksud, doutora em Saúde Coletiva e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Adesão dos estudantes
A participação dos alunos de medicina é importante para que a prática da humanização seja aplicada no cotidiano do profissional. Reconhecer aimportância de prestar um atendimento mais individualizado, reconhecendo as necessidades de cada paciente, é fundamental para que a relação médico-paciente não fique baseada apenas em questões burocráticas.

O paciente é muito mais que um número nas estatísticas ou um resultado de exame. “A universidade concentra muitos alunos de camadas médias, informados por valores individualistas/modernos, muitas vezes com desconhecimento, de uso do sistema público de saúde. Este é, portanto, um momento singular de aquisição de conhecimento e atuação política”, defende a professora.

Resistência à proximidade
Entretanto, a questão ainda é vista com certa desconfiança por alguns estudantes. ”Num primeiro momento, o estranhamento é geral! O que fazemos não é “humanizado”? – perguntam alguns. Com os exemplos, vivências e identificações, a discussão começa a interessar, e novas práticas são possíveis”, conta o médico sanitarista Aluisio G. da Silva Junior, doutor em Saúde Pública e professor da Universidade Federal Fluminense.
Na prática diária dos profissionais de saúde, ainda é possivel observar resistência de alguns em realizar um atendimento mais próximo com seus pacientes. Essa realidade pode ser cons tatada, principalmente, no caso dos pacientes portadores de HIV/aids.

Julgamentos morais
“Ainda há muito preconceito e “julgamentos morais”, mas, nos últimos anos, assistimos uma mudança para melhor. Entretanto, a prática demons tra que ainda há muito o que fazer”, constata o médico sanitarista. “Não podemos reduzir “humanização” a “recepções sorridentes”, sem por em questão a resolução de problemas demandados”.

Ao longo dos anos, houve uma evolução no atendimento aos pacientes com aids. No entanto, restam muitos desafios. “Penso que houve muitas mudanças na qualidade do atendimento aos pacientes e o trabalho de várias entidades, grupos e profissionais engajados têm contribuído muito para isso. Entretanto, muitos desafios permanecem até as novas práticas “humanizadas” se tornarem cotidianas”, avalia Aluisio da Silva Junior.

Profissionais capacitados
Ivia Maksud lembra que estar atendo às reais necessidades do paciente, deixando de lado preconceitos e valores pessoais, é uma característica que o profissional de saúde precisa ter. “Há muitos profissionais de saúde, dentre eles médicos, que têm práticas mais humanizadas. No entanto, ainda é recorrente encontrarmos usuários insatisfeitos com o cuidado recebido, no que se refere sobretudo ao modo como são tratados”.

Relações de proximidade entre profissional e paciente favorecem o tratamento e trazem benefícios para os usuários dos serviços de saúde. “Pesquisas qualitativas mostram que os pacientes sentem mais segurança em relação aos profissionais que os acolhem, resultando em tratamentos mais bem sucedidos e escolhas mais acertadas”, diz Ivia.

Grupos de supervisão
Para trabalhar a questão do preconceito com os profissionais de saúde, podem ser usadas algumas estratégias.
Os grupos de supervisão oferecem essa oportunidade, como sugere o médico e professor Aluisio G. da Silva Junior. “Durante a formação dos profissionais, encontros transversais periódicos para a discussão dos aspectos humanos do adoecer e do trabalho com a saúde constituem uma estratégia efetiva”, acredita.

O professor ressalta ainda que não devemos esquecer que práticas humanizadas não dispensam as boas condições materiais e estruturais de atendimento. “Atender humanizadamente pressupõe profissionais adequados, redes assistenciais funcionantes, acessos e fluxos garantidos e disponibilidade de tecnologias de intervenção”.

Humanização no SUS
Em 2003, o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS (HumanizaSUS). A Política foi formulada a partir da sistematização de experiências do chamado “SUS que dá certo”. Reconhece que estados, municípios e serviços de saúde estão implantando práticas de humanização nas ações de atenção e gestão com resultados, o que contribui para a legitimação do SUS como política pública.

O HumanizaSUS tem o objetivo de efetivar os princípios do Sistema Ùnico de Saúde no cotidiano das práticas de atenção e de gestão, assim como estimular trocas solidárias entre gestores, trabalhadores e usuários para a produção de saúde e a produção de sujeitos. Os princípios do Humaniza- SUS trabalham a inseparabilidade entre a atenção e a gestão dos processos de produção de saúde, a transversalidade, autonomia e protagonismo dos sujeitos

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