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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.05

06/2006

Gestantes soropositivas / Tratamento de crianças com HIV

Jean Anderson apresentou alguns dados recentes sobre a profilax i a da transmissão vertical do HIV e os desafios do tratamento da infecção pelo HIV durante a gestação. Segundo o pesquisador, a principal questão relaciona-se à identificação da gestante soropositiva. A eficácia e a toxicidade de anti-retrovirais pouco estudados em gestantes também são uma barreira. Outro fator importante é a seleção de vírus resistentes em mulheres que receberam anti-retroviral para profilax i a da transmissão vertical, especialmente em esquemas baseados em monoterapia com nevirapina. Ampliar o acesso à profilaxia realmente eficaz e segura nos países em desenvolvimento foi o desafio lançado por Anderson durante sua palestra.

CUIDADOS COM O TRATAMENTO ARV
O pesquisador lembra que mulheres com risco de engravidar devem ser aconselhadas sobre a utilização de métodos contraceptivos em um serviço de planejamento familiar e precisam ser avisadas das complicações envolvendo gravidez e o uso do efavirenz. “Se uma soropositiva engravidar enquanto estiver usando esta droga, o esquema terapêutico deve ser imediatamente substituído até o primeiro trimestre de gravidez”, diz Anderson, indicando também que todas as mulheres soropositivas para o HI V, que ainda não iniciaram a terapia anti-retroviral, só devem fazê-lo a partir do segundo trimestre de gravidez, independente da contagem de CD4. Assim como prevê o consenso brasileiro para gestantes soropositivas, o pesquisador ressaltou a importância do HAART durante o trabalho de parto para a mulher e do AZT intravenoso no parto e nas 6 semanas seguintes para o recém-nascido.

TERAPIA RECOMENDADA A GESTANTES SOROPOSITIVAS: AZT, 3TC, nevirapina, nelfinavir e saquinavir/ r

TERAPIAS ALTERNATIVAS: ddI, FTC, d4T, abacavir, indinavir, lopinavir/ r, ritonavir

INDICAÇÃO INSUFICIENTE: TDF, atazanavir, amprenavir, fosamprenavir, TPV, T- 20

NÃO RECOMENDADO: ddC, efavirenz, hidroxiureia e delavirdina


NOVIDADES NO TRATAMENTO DE CRIANÇAS COM HIV

George Siberry, na palestra Tratamento da Infecção pelo HIV em Crianças, divulgou dados de 2005 (Unaids) estimando que 2,3 milhões de crianças no mundo estão infectadas pelo vírus HIV. Os custos e as dificuldades técnicas do diagnóstico da infecção pelo HIV em crianças menores de 6 meses ainda são um desafio, porque é necessária a realização do PCR DNA, que tem alto custo e necessita de um profissional especializado e treinado. Siberry indicou o uso do cotromoxazol em doses de profilaxia para todas as crianças expostas ao HIV a partir da 6ª semana de vida até o diagnóstico definitivo da infecção.

Transmissão vertical: sintomas da doença podem surgir na adolescência
O pesquisador da John Hopkins mostrou uma pesquisa em que indica casos de transmissão vertical do HIV nos quais as manifestações da doença surgiram apenas na fase da adolescência: “É fundamental que haja uma investigação diagnóstica em todas as crianças cujas mães morreram de causa desconhecida ou em decorrência da aids”. O pesquisador ressaltou que a maioria das crianças em tratamento com os anti-retrovirais observadas pela Johns Hopkins apresenta excelente resposta imunológica, com diminuição de mortalidade. Porém, a falta de aderência ao tratamento é um obstáculo ao sucesso da terapia, demandando dos profissionais de saúde um acompanhamento contínuo a este grupo e aos seus cuidadores.

O desafio da revelação do diagnóstico
Outro ponto destacado na palestra diz respeito à revelação do diagnóstico: “Declarar e explicar o diagnóstico de infecção pelo HIV para crianças é um processo longo, importante e requer empenho e preparação tanto dos profissionais quanto dos familiares”, assegura. As imunizações fazem parte do tratamento de crianças soropositivas. Nos EUA, todas as crianças foram vacinadas contra a hepatite A. As que tinham carga viral alta desenvolvem imunização menor. Nesses casos, é possível avaliar uma nova dose de reforço. Todas devem receber as vacinas previstas na infância, exceto em fases de imunodepressão, quando uma avaliação individual deve ser realizada.

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