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Saber Viver » Saber Viver n.05

07/2000

Grávida e soropositiva

Muitas mulheres descobrem ter o vírus da Aids quando estão grávidas. Emoções contraditórias se chocam tão violentamente, neste momento, que a gestante pensa que não vai suportar. No entanto, passada a fase inicial, ela percebe que a vida que pulsa em seu ventre é muito mais forte do que seu próprio medo e preconceito.

Cláudia, 25 anos, descobriu que tinha o vírus da Aids aos dois meses de gestação. Chorou muito, mas acha que a melhor coisa que lhe aconteceu foi receber este diagnóstico durante a gravidez: “Se não fosse a minha filha dentro da minha barriga, eu, com certeza não estaria tão bem quanto estou. Ela veio na hora certa”, diz ela.

Assim como Cláudia, outras mulheres revelam à Saber Viver um pouco de suas histórias e nos fazem crer que um filho é sempre uma dádiva, seja a mãe HIV positiva ou não.

O que dizem os médicos
“Sabe-se, hoje que a gravidez não debilita a saúde da mulher soropositiva. Existe uma diminuição da imunidade como acontece em qualquer gestante, mas isto não oferece perigo se ela estiver sendo bem acompanhada”, informa Susie Andries, professora de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenadora do Programa de Assistência Integral à gestante HIV positiva. “Os remédios usados para combater o HIV, quando tomados no período da gestação, dificultam a transmissão do vírus para o bebê. O medicamento mais indicado é o AZT, por existirem mais pesquisas sobre ele, porém, se a gestante já estiver usando outros medicamentos com bom resultado, ela pode continuar com o mesmo esquema”, completa Susie Andries. É importante salientar que, pelo menos até o momento, não há nenhum indício de que estas drogas prejudiquem a saúde da criança.

Se a gestante seguir corretamente as indicações médicas, a chance do bebê ser infectado é bastante pequena: em cada 100 crianças nascidas de mães soropositivas, menos de 5 são infectadas pelo vírus HIV. “Quanto antes começar o tratamento, maiores são as chances do bebê nascer sem o vírus. Infelizmente muitas mulheres só descobrem que são HIV positivas no final da gravidez, o que é bem mais arriscado”, lamenta Francisco Massa, diretor do serviço de obstetrícia e ginecologia da Policlínica Malu Sampaio, em Niterói.

Cuidados durante e depois da gravidez 
O nível de carga viral é um dos fatores mais importantes para avaliar a probalidade da mãe passar o vírus para o bebê. Quanto menor for este nível, menores são as chances do bebê ser contaminado. O momento do parto é determinante. Segundo Susie Andries, cerca de 80% da transmissão do vírus acontece nesta hora e vários cuidados devem ser tomados: “Não pode ser um parto demorado, mas o médico deve avaliar os prós e os contras de uma cesariana. Tão logo seja possível, corta-se o cordão umbilical e, nas suas primeiras 12 horas de vida, o bebê começa a tomar o xarope de AZT”, diz ela.

Não amamentar parece ser a recomendação mais dolorosa que as mães têm que seguir. “Eu não consigo me sentir mãe por não poder amamentar. Foi horrível ver minha filha chorando de fome e eu cheia de leite sem poder dar a ela”, diz Leila, 23 anos. Além disso existe a pressão da família, que muitas vezes não sabe da condição soropositiva da mulher. “Apesar de saber e aceitar que não poderia amamentar, não pude suportar a pressão da minha família. Todo mundo me fazendo perguntas, dando opinião. Teve um dia que eu desabei”, confessa Cláudia.

Estar bem informada sobre o que está acontecendo e contar com apoio psicológico é fundamental durante gravidez e depois que o neném nasce. “Quando a mãe começa a fazer o pré-natal com a gente, ela fica sabendo que tem uma doença crônica e que se seguir as recomendações médicas, tudo pode dar certo. Também ao ver outras mães soropositivas e os filhos dessas mães nascendo com saúde, o medo vai se dissipando”, conta Susie Andries. Dividir suas angústias com quem está passando pela mesma situação e com profissionais competentes dá à mãe soropositiva segurança e otimismo. Glória, 30 anos, ficou bem mais tranqüila ao perceber que não estava sozinha: “Pensava que só eu estava vivendo uma desgraça dessas. Quando cheguei ao grupo fiquei aliviada, pude conversar à vontade. Aprendi a organizar melhor minha vida e estou mais próxima deste filho do que do primeiro”. O apoio é fundamental para quem tem que superar seus próprios preconceitos, como no caso de Luciene, 34 anos: “Eu me sentia um defunto, não queria ver ninguém. Com o tempo percebi que eu estava me afastando das pessoas e não elas se afastando de mim. Agora tenho esperança de viver uma vida normal. Freqüento uma Ong, leio tudo sobre Aids e ainda oriento meu marido que é analfabeto”.

O companheiro
Um momento é especialmente sofrido na vida de uma gestante soropositiva, segundo a equipe da Policlinica Malu Sampaio: quando ela tem que revelar seu diagnóstico ao companheiro. Se o exame dele também der positivo pode ter início uma troca de acusações desgastante. Se der negativo, pode acontecer como no casamento de Leila. Seu marido a acusa e ela se sente culpada. “Nós estamos tentando ficar juntos”, diz ela. Já o marido de Cláudia, que é soronegativo, reagiu muito bem: “Ele jamais desconfiou de mim. Nosso relacionamento até melhorou. A gente passou a se amar mais e a valorizar a nossa vida, a vida da nossa filha”.

“Finalmente eu pude dizer: Sou feliz!”
O desabafo de Luciene traduz toda a alegria e alívio que sente a mãe ao ver seu filho nascer e constatar que ele é como todas as outras crianças: “perfeitinho”. Mas aí começa uma outra fase de muita expectativa. Para se certificar de que o bebê não adquiriu o vírus, o Ministério da Saúde recomenda que sejam feitos dois exames de carga viral na criança. O primeiro quando ela já completou um mês de vida e o segundo após os três meses. Assim, antes do sexto mês a família já pode saber se o bebê é HIV positivo ou não. “Isto é muito importante porque, além de tranqüilizar a todos, a medicação dada ao bebê pode ser suspensa”, alerta Susie Andries. “Saber que minha filha não tinha o vírus me deu a sensação de que ela nascia de novo”, conta Leila.

E a vida continua
Afastado o medo do bebê ter Aids, é hora da mulher conscientizar-se de que ela precisa se tratar. Muitas mães, que durante a gestação têm uma ótima adesão aos medicamentos, depois dos filhos nascidos, esquecem-se de que precisam continuar seu tratamento e acabam faltando às consultas médicas. Glória pondera: “Esquecer tudo isso um pouco também é bom, mas eu sei que meu filho precisa de mim e se eu não me cuidar, quem vai cuidar dele?” Felizes por terem sido vitoriosas (das oito entrevistadas para esta matéria, cinco já têm certeza de que seus filhos são soronegativos, uma ainda espera o resultado, pois seu filho só tem dois meses e duas ainda estão grávidas), estas mulheres já olham para o futuro. Algumas sonham em ter mais filhos, outras estão iniciando um novo romance e todas têm certeza de que vale a pena lutar pela vida.

Os nomes são fictícios

Atendimento especializado para gestantes soropositivas

Rio de Janeiro
Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira
Av. Brigadeiro Trompowski, s/n Ilha do Fundão (em frente ao Hospital Universitário)
Ambulatório do Pré-Natal/DIP
Dra. Susie Andries Nogueira e
Dr. Tomas Pinheiro da Costa
2ª e 6ª feiras de 8 às 12hs

Hospital Rafhael de Paula Souza (Hospital de Curicica)
Estrada de Curicica, 2.000 Jacarepaguá
Dra. Márcia Halpern e
Dra. Elizabeth Teixeira
4ª feiras de 8 às 16hs

Hospital Pedro Ernesto
Av. 28 de Setembro,87/2º andar
Vila Isabel
Dra. Valéria Carvalho e Dra. Dirce Bonfim
3ª e 6ª feiras de 13 às 17hs

Hospital dos Servidores do Estado
Rua Sacadura Cabral,178 – Centro
Anexo 4, 5º andar – DIP
4ª feiras

Hospital Universitário Gaffrée Guinle
Rua Mariz e Barros,775 – Tijuca
Chefia dos Ambulatórios
Procurar a Psicóloga Marly
3ª feiras

Instituto Fernandes Figueira
Av. Rui Barbosa,716 -Flamengo
Ambulatório de Pré-Natal
De 2ª à 6ª feira

Niterói
Hospital Universitário Antônio Pedro
Av. Marquês do Paraná,303- Centro
Dra. Anna Bazin
3ª feiras de 8 às 12hs

Policlínica Malu Sampaio
Rua Visconde de Uruguai, 531
9º andar – Centro
De 2ª à 6ª feira de 8 às 14hs

Nova Iguaçu
Hospital Geral de Nova Iguaçu (Hospital da Posse)
Avenida Henrique Duque de Estrada Mayer, 953 (Estrada do Imbaí)
Serviço DST/Aids
Tel: (21) 667 3022

Duque de Caxias
Centro Municipal de Saúde de Duque de Caxias
Rua General Argolo, s/n (Em frente ao Hospital Infantil)
Programa DST/ Aids
Tel: (21) 671 7659

Posto Médico Sanitário Imbariê
Rua Santa Catarina,s/n – Imbariê
Serviço Social
Tel: (21) 678 0014 ramal 32

Petrópolis
Programa DST/Aids
Rua Paulino Afonso, 455
2º andar do prédio do DIP

Hospital Municipal Nelson de Sá Earp
Rua Paulino Afonso, 455 Ambulatório do DIP

Ambulatório Escola da Faculdade de Medicina de Petrópolis
Rua Hivio Naliato,869- Samambaia

Ambulatório e Maternidade do Hospital Alcides Carneiro
Rua Vigário Corrêa,1.345- Corrêas

Campos
Hospital dos Plantadores de Cana
Av. José Alves de Azevedo, 337
Serviço de Gravidez de Alto Risco. Dr. Ana Maria Sartori
Tel: (24) 773 1855

Macaé
Núcleo da Mulher
Rua Francisco Alves, 235
Bairro Arueira
Dr.Paulo Roberto Santana
2ª feira de 8 às 12hs e
de 13 às 17hs
4ª feira de 13 às 17hs
Tel: (24) 772 0350

Hospital de Caridade São João Batista
Praça Veríssimo de Melo, s/n
Dr. Augusto Cezar Sorage
Tel: (24) 772 1005

Cabo Frio
PAM São Cristovão:Rua Governador Valadares s/n
Bairro São Cristovão
Setor de Infectologia, salas 1 e 3
Dra. Aparecida Castorina dos Santos
Tel: (24) 645 2626

Posto de Saúde Oswaldo Cruz
Rua Florisbela da Penha s/n
Bairro Braga
Dr. Lucídio Godinho

Araruama
Centro Integrado Materno Infantil CIMI
Av. Nossa Senhora das Graças, s/n Centro
Tel: (24) 665 2496/ 665 2496

Volta Redonda
Centro Ambulatorial do Aterrado II
Programa DST/Aids
Rua 566, nº31- N. S. das Graças

Angra dos Reis
PAM
Praça General Osório, 36 – Centro
Sala da Saúde da Mulher
Tel: (24) 365 1155

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