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Saber Viver » Saber Viver n.33

09/2005

GUERRA CONTRA LIPODISTROFIA

Ministério anuncia cirurgia reparadora pelo SUS Em Santos, primeiro paciente realiza procedimento cirúrgico para preenchimento facial. Diretor do programa garante que cirurgias serão feitas pelo SUS em todo o Brasil até final do ano.

O Brasil é o primeiro país a oferecer gratuitamente cirurgias reparadoras para doentes de aids que sofrem de lipodistrofia. Desde dezembro de 2004, a portaria 2.582 do SUS incluiu oito procedimentos de pequeno e médio porte, que minimizam os efeitos da síndrome, responsável pela diminuição da qualidade de vida dos soropositivos em tratamento com antiretrovirais. Uma delas, assinada em 4 de julho deste ano, regulamenta o preenchimento facial com polimetilmetacrilato.
Segundo o médico infectologista Ricardo Marins, diretor adjunto do Programa Nacional de DST e Aids (PNDST/Aids), até o final do ano o tratamento estará disponível para a população, depois que estados e municípios – em parceria com instituições de saúde – estiverem cadastrados no sistema. Em Santos, o primeiro paciente recebeu o preenchimento facial no dia 6 de outubro.
Médicos e profissionais de saúde do país continuam recebendo capacitação do dermatologista Márcio Serra, membro da Câmara Técnica de Aids do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) e do Grupo de Trabalho para abordagem da lipodistrofia do PNDST/Aids. A primeira capacitação aconteceu em São Paulo, envolvendo 33 profissionais. As próximas serão em Salvador (outubro), na região Sul (novembro) e no Centro-Oeste (início de 2006). “A situação de deformidade também traz dificuldades físicas.
Corrigi-las é contribuir para o bem-estar da pessoa”, destaca o diretor do PNDST/ Aids, cuja opinião é compartilhada por Márcio Serra: “O paciente volta a se reconhecer e supera um pouco o estigma da doença que a lipodistrofia trouxe de volta”. Marins esclarece que o tratamento estará disponível para soropositivos que tenham indicação clínica, como ocorre em procedimentos envolvendo o SUS. Ou seja, aqueles que apresentarem um grau de severidade de lipodistrofia.
O dermatologista Márcio Serra, um dos pioneiros no uso do produto em pessoas soropositivas, esclarece que o processo cirúrgico de preenchimento facial leva de 30 a 40 minutos, com anestesia tópica para diminuir a intensidade das injeções de colocação do produto.
Segundo ele, o produto é contra-indicado somente para pacientes com doenças autoimunes, sob uso de quimioterápicos, com baixas plaquetas ou com colagenoses (LUPUS)

 

As cirurgias incluídas na Portaria 2.582

– Lipoaspiração de giba (gordura acumulada na base do pescoço, que deixa os pacientes corcundas);

– Lipoaspiração da parede abdominal;

– Redução mamária (retirada das glândulas e/ou tecido gorduroso acumulado na região mamária;

– Tratamento de ginecomastia (aumento das mamas); nLipoenxertia (aspiração de gordura de uma área doadora do paciente e depois transplantada para a região glútea);

– Reconstrução glútea (feita com a aspiração de gordura do próprio paciente ou com o implante de próteses de silicone);

– Preenchimento facial com tecido gorduroso

– Preenchimento facial com polimetilmetacrilato (PMMA)

 

Malhação a serviço da auto-estima

Projeto incentiva o exercício físico em pessoas com HIV/aids

É unanimidade entre os profissionais que lidam com o problema: atividade física é fundamental contra a lipodistrofia.
Para o médico dermatologista Márcio Serra, membro da Câmara Técnica de Aids do Cremerj e integrante do Grupo de Trabalho para abordagem da Lipodistrofia do PNDST/ Aids, o ideal é o paciente combinar exercícios aeróbicos (corrida, caminhada acelerada, natação, bicicleta, entre outros), que aceleram a queima de gordura abdominal e das costas – e os anaeróbicos (como a musculação), que aumentam a massa muscular de braços, pernas e nádegas.

Em Belo Horizonte, o projeto Movimento Saúde, uma parceria da ONG Salus Associação para a Saúde com a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, oferece uma academia gratuita para soropositivos de baixa renda e ainda fornece lanche e vale transporte. A academia conta com equipe multiprofissional, que inclui educador físico, fisioterapeuta e nutricionista e já reúne 30 alunos, com lista de espera de 15 pessoas. Segundo João Paulo Amaral dos Reis, coordenador do Movimento Saúde, o aluno é avaliado, logo ao se inscrever, por um fisioterapeuta, que determina objetivos e restrições do treinamento. Em seguida, o profissional de educação física alia os dados que recolhe com as avaliações antropométricas – realizadas a cada dois meses. A partir daí, o aluno recebe orientação direcionada às suas necessidades físicas. Em paralelo, o nutricionista traça uma dieta balanceada.
“O exercício físico combate a lipodistrofia, aumenta a imunidade e contribui para a conquista de um corpo bonito e saudável. Só faz bem”, avalia Márcio Serra, que abriu recentemente, no Rio de Janeiro, a Clínica do Exercício, uma academia particular de ginástica especializada no atendimento a obesos e soropositivos.
“Muitos pacientes se sentem desconfortáveis em academias repletas de corpos esculturais”, justifica, lembrando a importância de um acompanhamento personalizado.
“Depois que passei a praticar exercícios físicos, a minha qualidade de vida melhorou 100%. A glicose e os triglicérides voltaram ao normal, o CD4 aumentou e a carga viral diminuiu. Passei a dormir mais e tive boa absorção dos medicamentos”, diz Roberto*. “Eu agradeço o esforço de todos em manter a academia e o fato de não precisar ir ao médico quase todos os dias”, desabafa Cláudio*. Ambos frequentam o projeto Movimento e Saúde. SV

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