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Saber Viver » Saber Viver n.34

12/2005

Hepatite B e C: Esclareça suas dúvidas

Pessoas infectadas pelo HIV devem saber, o quanto antes, se também estão infectadas pelos vírus das hepatites B e C. Campanha lançada pelo Programa Nacional de Hepatites Virais na rede pública de saúde. Diagnóstico rápido e cuidados com a prevenção. Essas são as recomendações principais que pessoas infectadas pelo HIV precisam seguir quando o assunto é hepatite. Pesquisas comprovam que se uma pessoa estiver co-infectada pelo HIV e pelos vírus das hepatites B (HBV) ou C (HCV), poderá desenvolver cirrose ou câncer de fígado mais rapidamente do que pessoas sem o HIV. Para o Programa Nacional de Hepatites Virais (PNHV), cerca de 16 a 36,6% de portadores do HIV também estão infectados pelo vírus da hepatite C. Com relação à hepatite B, estudos mostram que a taxa de co-infecção é menor que 10%. Entretanto, vale ressaltar que, assim como a aids, a hepatite é considerada uma doença silenciosa que pode demorar anos para se manifestar. Assim, muitas pessoas podem ser portadoras do HBV e do HCV sem saber. Formas parecidas de contágio Existem várias semelhanças entre o HIV e os vírus das hepatites B e C. Assim como o HIV, o vírus da hepatite B pode ser transmitido através de relação sexual e sangue contaminado. “Todos os portadores do HIV devem fazer exames para detectar a hepatite B porque as formas de contágio são as mesmas. Ou seja, a exposição é igual. Inclusive, o HBV é muito mais resistente no ambiente do que o HIV. Logo, é mais fácil uma pessoa se infectar pelo vírus da hepatite B, do que pelo HIV”, afirma Victor Berbara, médico sanitarista e coordenador da Câmara Técnica de Hepatites Virais da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro. O mesmo ocorre com a hepatite C, cuja principal via de transmissão é o sangue. Segundo Berbara, já está comprovado em pesquisas que as hepatites B e C evoluem mais rápido em pessoas infectadas pelo HIV, comparado às infectadas apenas pelos HBV ou HCV. “Quando uma pessoa tem o HIV, ela tem mais chances de desenvolver hepatite crônica, cirrose e até câncer de fígado”, alerta o médico sanitarista. Vacina contra a hepatite B Existe uma vacina eficaz contra a hepatite B que faz parte do calendário de vacinação do Sistema Nacional de Imunizações. Ela é oferecida gratuitamente nos postos de saúde para profissionais de saúde, menores de 19 anos e portadores do HIV. “Uma vez imunizada, a pessoa fica livre de contrair a doença”, afirma Berbara. Mas antes da imunização, o portador do HIV deve investigar se está infectado pelo HBV. “Se o diagnóstico indicar uma cicatriz sorológica, significa que a pessoa já teve contato com o vírus da hepatite e o seu organismo conseguiu eliminar a doença sozinho. Neste caso, a pessoa está naturalmente imunizada e não precisa nem tomar vacina nem fazer tratamento”, explica o médico. Se o exame para detectar hepatite B for negativo, o caminho é a vacinação, que garante a imunização se tomadas as três doses da vacina. Se a pessoa estiver infectada pelo HBV, ela deve iniciar o tratamento o quanto antes com interferon e lamivudina, com duração, em média, de um ano Tratamento pode ser interrompido se a carga viral for negativa Infelizmente, não há uma vacina contra a hepatite C e o organismo não elimina naturalmente o HCV, como acontece com a hepatite B. “Para evitar a hepatite C, é fundamental que não haja troca de sangue contaminado entre as pessoas”, alerta Berbara, referindo-se especialmente aos usuários de drogas injetáveis. O índice de transmissão sexual da hepatite C é muito baixo. Logo, a doença significa uma ameaça a pessoas que receberam transfusão de sangue (principalmente antes de 95, quando a triagem sorológica para o vírus da hepatite C se tornou rotineira) e para as que usam drogas injetáveis. Cerca de 40 a 60% das pessoas infectadas pelos vírus das hepatites B e C conseguem negativar a carga viral. “No caso das hepatites, quando isso ocorre, o tratamento é suspenso, ao contrário do que ocorre com o HIV”, diz Berbara. O médico alerta que, apesar de os índices de cura serem baixos, eles são mais prováveis em pessoas que descobrem a doença mais cedo. SV

Prevenção é a palavra chave Agora que você já sabe que as hepatites B e C podem ser mais perigosas em pessoas infectadas pelo HIV, previna-se: Evite a hepatite B: – Use camisinha em todas as relações sexuais. – Não divida com outra pessoa objetos de uso pessoal como alicates, escovas de dentes, lâminas de barbear ou qualquer outro utensílio que possa conter sangue. Evite a hepatite C: - Se você é usuário de drogas injetáveis, procure ajuda para tratar da dependência química e não divida seringas ou agulhas com outra pessoa.

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