Saber Viver Mulher

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Saber Viver Edições Especiais » Saber Viver Mulher » Saber Viver Mulher n.01

10/2003

HIV e o corpo feminino

A dúvida mais comum entre as mulheres soropositivas é saber como a infecção pelo HIV pode afetar o seu organismo. Na primeira edição da Saber Viver Mulher, vamos tentar esclarecer alguns pontos

Para início de conversa, é importante que se saiba que o número de pesquisas envolvendo mulheres soropositivas é bem menor do que as que envolvem os homens, trazendo lacunas no conhecimento sobre as conseqüências da infecção pelo HIV no organismo feminino. No entanto, existem algumas informações importantes que toda mulher soropositiva deve saber.

Primeiro, até agora, nenhuma pesquisa científica foi capaz de verificar alguma diferença entre mulheres e homens no que se refere a como o HIV se multiplica no organismo. Com exceção do sarcoma de Kaposi, as doenças oportunistas que afetam as mulheres não diferem significativamente das que acometem os homens. Porém, existem detalhes que merecem destaque.

Segundo a infectologista Beatriz Grinsztejn, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/RJ), nas mulheres, o trato genital merece uma atenção especial. Diante disso, visitas periódicas ao ginecologista são fundamentais. É muito importante que exista uma integração entre o infectologista e o ginecologista, porque nem todos os ginecologistas conhecem bem a evolução da infecção pelo HIV e os efeitos colaterais dos medicamentos anti-retrovirais (coquetel). Além disso, muitas vezes os infectologistas deixam de lado questões reprodutivas, principalmente no que diz respeito ao desejo das mulheres de terem filhos. O aconselhamento se resume a como evitar a gestação, constrangendo as mulheres que desejam ser mãe. Sem um ambiente propício para conversar sobre essas questões, as mulheres terminam engravidando sem que possam se beneficiar das recomendações que poderiam contribuir para uma gestação planejada e com menor risco de transmissão da infecção para o parceiro, quando esse é negativo, e para o bebê.

Lesões no colo do útero
Pesquisas já comprovaram que as lesões que podem dar origem ao câncer de colo de útero são mais freqüentes entre as mulheres soropositivas. Essas lesões são causadas pelo vírus papiloma humano (HPV). Diante disso, alguns cuidados essenciais devem ser tomados. Assim que a mulher recebe o exame positivo para o HIV, ela deve fazer o exame papanicolau (chamado de preventivo). Esse exame detecta não apenas o câncer de colo de útero, mas também as lesões iniciais que podem evoluir para este tipo de câncer. Essas lesões, se tratadas adequadamente, não evoluem e a mulher não desenvolve o câncer. Se no seu exame estiver tudo bem, ele deverá ser repetido após 6 meses. Se o segundo exame também não detectar nenhuma lesão, essa mulher deverá voltar a repeti-lo apenas uma vez ao ano.

Agora, se alguma lesão for descoberta, ela deve realizar o exame chamado colposcopia, que verifica a gravidade do problema. É importante destacar que ter uma lesão causada pelo HPV não significa ter câncer de colo de útero. Significa que essa mulher precisará passar por um tratamento para evitar que a lesão se transforme em algo mais grave. Em sua tese de doutorado, a infectologista Beatriz Grinsztejn, da Fiocruz/RJ, verificou que as mulheres com CD4 abaixo de 200 têm mais probabilidade de desenvolver lesões no colo do útero. Nesses casos, mesmo com o exame de papanicolau normal, elas precisarão fazer uma colposcopia para se certificar que está tudo bem.

Ciclo menstrual inconstante
Uma das queixas mais comuns entre as mulheres soropositivas é a irregularidade no ciclo menstrual. No entanto, em diversas pesquisas realizadas não foram encontradas diferenças significativas nos ciclos menstruais de mulheres infectadas e não infectadas pelo HIV. Em mulheres com doenças muito avançadas, a interrupção da menstruação costuma ser mais freqüente, principalmente quando existe uma grande perda de peso.

O papel da mulher na sociedade afeta a sua saúde

O papel social da mulher, como cuidadora da família, e o medo de revelar que é soropositiva ao parceiro são fatores que podem afetar negativamente sua saúde. Freqüentemente a mulher prioriza o cuidado da família em detrimento ao seu próprio cuidado. Segundo Beatriz Grinsztejn, é certo que ainda é preciso avançar muito no conhecimento sobre as questões relacionadas à repercussão da infecção pelo HIV nas mulheres, e a pesquisa nesse campo precisa ser estimulada. No entanto, o conhecimento disponível já deixa claro que ações de prevenção e assistência só serão realmente eficazes com a melhora da posição das mulheres na sociedade e com uma maior sensibilidade dos profissionais de saúde em relação às questões de gênero específicas.

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