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Solução » Solução n.07

06/2005

HIV/AIDS: A vida continua

Casar, ter filhos, constituir família… desejos comuns à maioria das pessoas, inclusive daquelas que vivem com HIV/aids

Com o acesso universal dos antiretrovirais garantido por lei desde 1996, a aids vem deixando de ter o peso de uma sentença de morte e passa a ser vista pela sociedade como uma doença crônica, administrável por meio de remédios. Hoje, pessoas soropositivas podem perfeitamente fazer planos a longo prazo, sem esquecer, porém, os cuidados que precisam ser tomados. Nessa hora, a ajuda dos profissionais de saúde é muito importante. “Os serviços especializados em DST/Aids devem estar atentos aos anseios dos portadores do HIV”, observa a psicanalista Cláudia Paula Santos, que trabalha no COAS de Pinheiros, em São Paulo. “A relação afetiva, o medo de infectar ou re-infectar o parceiro, o uso do preservativo, a revelação do diagnóstico são temas muito complexos para lidar sozinho. Por isso, o suporte da equipe multidisciplinar é fundamental”.
José Liporage, chefe do serviço de farmácia do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, lembra que orientar os casais, em que pelo menos um deles é soropositivo, a participar de grupos de discussão em ONG/aids ou dentro de hospitais pode ser uma boa estratégia de atenção farmacêutica. Nesses grupos, eles podem falar abertamente sobre os problemas que os afligem e buscar apoio em quem está passando pelas mesmas questões.

Ter filhos é um direito que deve ser respeitado
Segundo o infectologista Fábio Araújo, do Centro de Referência em DST/Aids de São Paulo, a maternidade é um direito universal que toda mulher tem. “Para evitar os riscos da transmissão vertical e complicações de saúde da mãe soropositiva, a gestação deve ser planejada e acompanhada de perto por seu infectologista”, recomenda Araújo. O mesmo acontece quando o homem é soropositivo. Ele também pode ver seu sonho de ter filhos realizado.
Para a concepção, o mais indicado é que os casais, tanto os soroconcordantes (quando os dois são portadores do HIV) quanto os sorodiscordantes (quando apenas um é portador), recorram a métodos de inseminação artificial. Isso porque, no primeiro caso, pode haver uma re-infecção do vírus da aids, pois há vários tipos de HIV, o que pode atrapalhar o esquema terapêutico dos usuários. Já no segundo caso, pode haver a transmissão do vírus.

Uso do preservativo precisa ser estimulado 
Segundo a psicanalista Cláudia Paula Santos, o convívio prolongado com a aids é um fator que complica a adesão à camisinha.
Por isso, o uso do preservativo deve sempre ser lembrado pelos profissionais de saúde. “A prevenção tanto da infecção pelo HIV quanto da re-infecção deve ser constante”, afirma Cláudia.
No hospital Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, são oferecidos 15 preservativos por mês para cada usuário portador do HIV ou do HTLV I (vírus causador da poliesclerose múltipla tropical). “Temos um cadastro de nossos pacientes e o atualizamos constantemente. Assim garantimos que todos tenham sua cota de preservativos”, conta o farmacêutico José Liporage. “Se for profissional do sexo, aumentamos esse quantitativo, na medida do possível”.
Como mais uma forma de estimular o sexo seguro, um projeto do Ministério da Saúde, que visa aumentar aceitação da camisinha feminina pelos casais, tem oferecido esse tipo de preservativo às mulheres soropositivas de alguns serviços de saúde do país.

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