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Saber Viver » Saber Viver n.28

06/2004

Inibidor de Fusão: Uma nova classe de medicamentos entra no mercado

Um novo medicamento contra a Aids acaba de ser registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas ainda não está na lista de remédios distribuídos pelo Ministério da Saúde. Mais conhecido como T20, o Fuzeon (Enfuvirtida) é o primeiro de uma nova classe de anti-retrovirais chamada Inibidor da Fusão. Indicado para pacientes que estão com poucas opções de tratamento, o T20 possui uma particularidade: deve ser administrado por injeções subcutâneas, duas vezes ao dia. Ele atua bloqueando uma proteína da cápsula do HIV, evitando a fusão do vírus com a célula do indivíduo infectado. Os medicamentos atualmente disponíveis atuam somente após a entrada do HIV na célula. Por isso, este medicamento está gerando uma grande expectativa entre os pacientes.

Para ajudar você a entender melhor quem pode ser favorecido com o uso do T20 e por que, a Saber Viver ouviu o infectologista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Fiocruz/RJ), Jorge Eurico Ribeiro.

 

1 Vamos começar pelo nome. T20 é o nome através do qual ele era identificado na época das pesquisas. Enfuvirtida é o nome da substância e Fuzeon é o nome fantasia utilizado pelo farmacêutico que o produz (Roche).

 

2 Ele é o primeiro da nova classe dos Inibidores da Fusão – quarta classe de anti-retrovirais. Este medicamento age impedindo a entrada do vírus na célula.

 

3 É necessário que medicamentos de outras classes de anti-retrovirais sejam administrados junto com a enfuvirtida, pois quando ela é usada isoladamente seus efeitos são menos duradouros.

 

4 Este medicamento não é uma vacina, como muitos pensam, e sim um anti-retroviral que é administrado por meio de duas injeções diárias subcutâneas, igual ao tratamento com insulina para diabéticos, que vem em forma de pó para diluir em água pelo paciente.

 

5 Os efeitos colaterais observados nas pesquisas são principalmente reações na pele no local das injeções.

 

6 Embora ainda não tenham chegado a uma conclusão, os pesquisadores brasileiros tendem a usar o T20 em pacientes que apresentem infecções por vírus resistentes a outros anti-retrovirais. Isso porque, teoricamente, as mutações que o vírus sofre com este medicamento são diferentes das que ocorrem com medicamentos de outras classes.

 

7 A Roche, laboratório que produz o T20, planeja contratar um atendimento domiciliar para as primeiras doses do remédio, até que o paciente esteja seguro para administrá-lo sozinho e orientá-lo em caso de dúvidas. SV

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