Publicações

  • Fonte normal
  • Aumentar fonte
  • Adicionar a favoritos
  • Imprimir
  • Envie para um amigo:





Solução » Solução n.16

12/2006

Inibidor de Fusão

Nova classe de anti-retroviral traz esperança para quem tem
múltiplas falhas no tratamento

Distribuída gratuitamente pelo SUS desde maio de 2005, a enfuvirtida, nome genérico do Fuseon ou T20, é o único anti-retroviral da classe inibidor de fusão em uso atualmente. Ele atua bloqueando uma proteína da cápsula do HIV e evita a fusão do vírus com a célula CD4 do indivíduo infectado. Utilizada em conjunto com outros anti-retrovirais, a enfuvirtida é considerada uma grande esperança para o tratamento daqueles pacientes que já falharam a diversos esquemas terapêuticos.

Apesar da nova perspectiva que essa medicação trouxe para a terapia contra a aids, trabalhar a adesão dos usuários não é tarefa fácil, pois a enfuvirtida deve ser administrada através de injeções subcutâneas, duas vezes ao dia. Seu preparo e aplicação demandam certo empenho tanto dos pacientes quanto dos profissionais de saúde que o atendem. Enfermeiros e farmacêuticos de diversas unidades de saúde estão sendo capacitados para ensinar os pacientes a preparar e aplicar a medicação, orientando-os para a autoadministração do medicamento.



Capacitação para auxiliar o paciente

No Hospital Escola São Francisco de Assis (HESFA), no Rio de Janeiro, há um serviço criado especialmente para capacitar enfermeiros e farmacêuticos de toda a rede de saúde pública do estado no preparo e administração da enfuvirtida. Para lá também são encaminhados os pacientes que vão iniciar a medicação e cuja unidade de saúde de origem ainda não possui profissional capacitado para auxiliá-lo. O paciente, além de ser orientado, realiza a administração de sua primeira dose (matinal) sob a supervisão de um profissional durante a primeira semana.

“É muito importante que tanto farmacêuticos quanto enfermeiros recebam esse treinamento e possam contar com um local para tirar todas as suas dúvidas. Esse é o objetivo do trabalho realizado no HESFA”, revela Sérgio Aquino, coordenador do serviço. Segundo Sérgio, o enfermeiro é o profissional habilitado para auxiliar o paciente a administrar a enfuvirtida, mas o farmacêutico deve conhecer todos os procedimentos, pois é esse profissional quem vai identificar junto com o paciente que tipo de problema ele está tendo com a medicação. As reações adversas ou as que ocorrem no local da injeção devem ser notificadas em formulário próprio da Anvisa, e o paciente deve ser encaminhado ao médico ou enfermeiro capacitado, que vai ajudá-lo no manejo dos efeitos colaterais e na administração da droga.

Equipe capacitada e integrada ajuda na adesão
No Centro Municipal de Saúde Lincoln de Freitas, no Rio de Janeiro, as equipes de enfermagem e farmácia já estão preparadas para auxiliar o usuário da enfuvirtida. A farmacêutica Heloisa Bento fala sobre a importância dessa capacitação: “A enfuvirtina tem algumas características que a difere das outras drogas que dispensamos na farmácia. A insulina, por exemplo, também é aplicada, mas ela já vem pronta; a enfuvirtida necessita certa técnica para o preparo. Outra diferença é que este anti-retroviral possui o descartak – uma caixa para descarte de material pérfuro-cortante que o paciente leva para casa para descartar os kits usados. No final do mês, ele tem que retornar a caixa com o material usado para a unidade, nós o jogamos no lixo hospitalar e ele recebe um kit novo. O paciente precisa entender todas as etapas do processo para a utilização correta da enfuvirtida, além de conhecer o mecanismo de ação da droga e estar preparado para as reações adversas e locais”.

Heloisa destaca que o bairro onde o CMS Lincoln de Freitas está localizado, Santa Cruz, é muito carente e o nível de compreensão do paciente não é muito grande. “Mas acho que se a gente conseguir que o paciente entenda todo o processo, ele vai ter mais possibilidades de aderir à medicação”, afirma.

Outro fator relevante para a adesão do paciente é o atendimento prestado na unidade. “No início, o paciente precisa fazer algumas aplicações aqui, supervisionado pela enfermagem”, conta Heloisa. “Mas ele pode voltar a qualquer momento para tirar dúvidas com a equipe de saúde, principalmente com os farmacêuticos e enfermeiros. O médico entra no circuito, se precisar. Trabalhamos de forma muito integrada, e o paciente só tem a ganhar”.

SAIBA +
Hospital Escola São Francisco de Assis
Av. Presidente Vargas, 2863 – Rio de Janeiro – RJ
Serviço Ambulatorial Especializado (SAE)
Procurar Sérgio Aquino ou Everaldo dos Santos, às terças, quartas e quintas.
Informações: amigospositivos@click21.com.br
Estão programadas, para 2007, diversas capacitações de enfermeiros e farmacêuticos para o preparo e a administração da enfuvirtida, com o objetivo de orientar os pacientes que fazem uso desse medicamento.

Compartilhe