Publicações

  • Fonte normal
  • Aumentar fonte
  • Adicionar a favoritos
  • Imprimir
  • Envie para um amigo:





Solução » Solução n.18

04/2007

Interações entre dorgas e ARVs

 As interações entre anti-retrovirais e drogas lícitas e ilícitas podem alterar o metabolismo hepático dos medicamentos e reduzir ou aumentar a concentração sérica de determinados ARVs ou drogas no sangue. Entender a complexidade dessas interações ajuda na realização da farmacovigilância e da atenção farmacêutica.

Drogas recreativas
O ecstasy, droga sintética cada vez mais consumida no Brasil, é uma das que mais interagem com os ARVs. Nos Estados Unidos, ele está associado a pelo menos dois casos de morte de soropositivos em terapia anti-retroviral. Outras anfetaminas (crystal meth, speed, dexedrine) têm efeitos e interações similares. Parece que os níveis séricos destas drogas podem aumentar de duas a três vezes quando associadas aos inibidores da protease, especialmente ritonavir.

A cocaína e o poppers (nitrito de amilo) não apresentam interações comprovadas com anti-retrovirais, mas há indícios de que os usuários dessas drogas apresentam uma evolução mais rápida da doença. Isso acontece em decorrência da falta de adesão ao tratamento associada ao enfraquecimento do sistema imunológico.

Embora as pesquisas envolvendo o THC, ingrediente ativo da maconha, sejam poucas, há relatos de redução da concentração sérica máxima de indinavir e de nelfinavir em usuários da droga.

Maior risco de dano hepático

Não são apenas as drogas ilícitas que interagem com os ARVs. O consumo de álcool, cigarro, sedativos e antidepressivos deve ser acompanhado com atenção.

O consumo de álcool pode reduzir as concentrações séricas de alguns anti-retrovirais e, segundo estudos, ele está associado ao aumento de pancreatite em pacientes que usam a didanosina e o abacavir. Além disso, o alcoolismo crônico está relacionado ao maior risco de dano hepático, o que pode acelerar a hepatoxicidade dos anti-retrovirais.

“Pacientes alcoólatras normalmente encontram dificuldades em aderir ao tratamento e apresentam maior risco de desenvolver resistência aos anti-retrovirais”, afirma a médica Dirce Bonfim, professora adjunta de doenças infecciosas e parasitárias da Universidade Estadual Rio de Janeiro. “Nos casos mais crônicos de alcoolismo, quando o paciente se recusa a parar de beber, o uso de anti-retrovirais deve ser reavaliado para evitar a resistência ou a ocorrência de doenças graves no fígado”.

Fumo pode acelerar doenças
O uso freqüente de cigarro aumenta a probabilidade de acidente cardiovascular e infarto, sobretudo nas pessoas que fazem uso de anti-retrovirais, já que muitos deles elevam os níveis de colesterol e triglicérides no sangue. Além disso, o fumo pode acelerar doenças como a pneumonia, responsável pela morte de muitos pacientes soropositivos, e está relacionado a 90% dos casos de câncer de pulmão.

Sedativos e antidepressivos
Outras drogas lícitas com as quais os profissionais de saúde devem se preocupar são os sedativos e antidepressivos. “Devido ao aumento das concentrações plasmáticas, o uso de sedativos (triazolam, diazepam, zolpidem e midazolam) deve ser evitado ou bem monitorado, devido ao risco de eventos adversos, podendo até ser fatal, conforme a dose utilizada, quando associados aos inibidores da protease, principalmente o ritonavir”, afirmam os médicos Mauro Schechter e Márcia Rachid, em artigo científico sobre o assunto.

Em estudo detalhado sobre as interações entre drogas e anti-retrovirais, o Project Inform de São Francisco (EUA) afirma que outros sedativos, como o lorazepam, oxazepam e o temazepam, são mais seguros quando associados ao ritonavir, mas podem reduzir a concentração do medicamento no sangue. “Sedativos e antidepressivos só devem ser usados sob estrita orientação médica”, conclui o estudo.

Principais interações entre ARVs e drogas

Abacavir X Álcool: l em 41% o nível do ARV; l risco de efeitos colaterais
Atazanavir X Sedativos: com midazolam, triazolam e antidepressivos tricíclicos (TCA) l risco de efeitos colaterais
Didanosina X Álcool: l risco de pancreatite
Efavirenz x Ecstasy: l concentração da droga no sangue
Efavirenz x Sedativos: Evitar uso de barbitúricos
Indinavir X Álcool: l risco de efeitos colaterais
Indinavir X Ecstasy: l concentração da droga no sangue. Extremamente perigoso
Indinavir X Sedativos: l concentração de diazepam no sangue; triazolam l risco de efeitos colaterais
Lopinavir/r X Ecstasy: l concentração de ecstasy no sangue. Sugere-se suspender medicação
Lopinavir/r X Sedativos: midazolam e triazolam l risco de efeitos colaterais
Lopinavir/r X Anfetaminas: l concentração da anfetamina no sangue
Nelfinavir X Ecstasy: l concentração da droga no sangue. Extremamente perigoso
Nelfinavir X Sedativos: midazolam e triazolam l risco de efeitos colaterais
Nevirapina X Sedativos: k concentração de clonazepam no sangue. Evitar uso de barbitúricos
Ritonavir X Quetaminas: l risco de hepatite
Ritonavir X Ecstasy: l entre 5 e 10 vezes concentração da droga no sangue podendo levar a morte
Ritonavir X Sedativos: Prolonga efeitos sedativos do alprazolam, l concentração de clonazepam ,doxepam, lorazepam, temazepam, triazolam e oxazepam no sangue; diazepam, e proxicam l risco de efeitos colaterais; fluoxetina l risco de graves efeitos colaterais; l concentração de sertralina e paroxetina no sangue
Ritonavir X Anfetaminas: l em 2-3 vezes a concentração de anfetaminas no sangue
Saquinavir X Ecstasy: l concentração da droga no sangue. Extremamente perigoso
Saquinavir X Sedativos: midazolam e triazolam l risco de efeitos colaterais

SAIBA +
No site da Saber Viver, em biblioteca, você encontra os artigos citados nessa matéria. Acesse www.saberviver.org.br

Compartilhe