Circulador

  • Fonte normal
  • Aumentar fonte
  • Adicionar a favoritos
  • Imprimir
  • Envie para um amigo:





Circulador » Circulador n.02

11/2005

Jovem: quanto mais perto melhor

Diminuir a distância entre o profissional e o adolescente: desafio para a promoção de saúde

A pediatra Riva Rozenberg, com jovens que ela atende no PS Madre Teresa de Calcutá, fez curso de capacitação no IPPMG/UFRJ.

Em todo o mundo, e em particular no Brasil, a adolescência é assunto relativamente recente para a área da saúde. Isso explica em parte a dificuldade que muitos profissionais de saúde têm para lidar com as especificidades do adolescente.
Investir na formação do profissional, na criação de um espaço de reflexão e discussão de temas é promover um salto de qualidade em seu trabalho e capacitá-lo para uma abordagem mais dinâmica e adequada junto ao jovem.
A pediatra Fátima Coutinho coordena o curso de capacitação para o atendimento de adolescentes do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para ela, a maior barreira a ser superada é a distância que existe entre jovens e adultos. “Em um primeiro momento, um despreza a opinião, os sentimentos e as crenças do outro. Essa rejeição à diferença torna impossível um atendimento eficaz”. Fátima aponta a flexibilidade como uma das características principais a ser estimulada nos profissionais. “Ele deve estar aberto para ouvir o jovem, no sentido de acolher, sem julgamento ou idéias pré-concebidas, respeitar as diversidades culturais
e de geração. O importante é fornecer condições para que o adolescente desenvolva autonomia e faça suas próprias escolhas”.
Incentivar o trabalho em equipe também é uma forma de fortalecer o profissional e o atendimento. A interdisciplinaridade permite que um membro da equipe aprenda com o outro. “Cada área obtém respostas diferentes do adolescente que, reunidas, podem ampliar as formas de abordagem”, diz Fátima, que também é responsável pela Gerência do Programa de Saúde do Adolescente (Prosad) da SMS.
Outro aspecto fundamental, e pouco utilizado sobretudo pelos médicos, é a busca na comunidade por possíveis parcerias.
Segundo a médica, a interface com a educação, justiça e desenvolvimento social possibilita uma atuação mais abrangente e eficaz.

Parceria entre Prosad e UFRJ

Valorização do trabalho em equipe, quebra de tabus, busca por parcerias na comunidade e incentivo ao protagonismo juvenil são temas de destaque nos cursos de capacitação do Instituto de Pediatria da UFRJ. Durante quatro meses, uma vez por semana, profissionais do município realizam atendimentos em conjunto e participam de discussões de casos com a equipe da UFRJ. Segundo Fátima, a autonomia dos participantes é estimulada. “Incentivamos a busca freqüente por atualização e a adequação de metodologias à sua realidade”.
Aprender a lidar com frustrações e não se sentir paralisado com as dificuldades encontradas é outro assunto abordado. “O fato de não termos uma equipe completa não significa que não podemos desenvolver um bom trabalho com o adolescente.
Mostramos que é possível nos adequar às carências que temos e oferecer um atendimento de qualidade”, diz a médica. O momento atual de desvalorização do profissional de saúde é uma preocupação constante. “Ampliar seus conhecimentos e trabalhar suas emoções faz com que ele se sinta mais capacitado para alcançar seus objetivos”, completa Fátima.

Eu mudei!
“Eu atendia apenas crianças e me sentia muito insegura em trabalhar com adolescentes. Eles não expressam seus sentimentos e a gente é que tem que perceber os sinais quando alguma coisa não vai bem. Participar de capacitações foi fundamental para mim. Aprendi que não podemos só valorizar o sintoma, que é preciso conversar sobre a vida dele em geral e explicar sobre seu direito ao sigilo na consulta. O importante é estabelecer um vínculo com o adolescente e saber se comunicar”.
Flavia Barcelos, pediatra do Pam Rodolpho Rocco,fez o curso de capacitação do IPPMG/UFRJ.

Compartilhe