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Saber Viver » Saber Viver n.35

03/2006

lamivudina + abacavir + atazanavir + ritonavir

Esse esquema é indicado para início de tratamento anti-retroviral em situações específicas

Em geral, os pacientes iniciam a terapia anti-retroviral tomando a combinação de lamivudina com zidovudina, mais um inibidor da protease. O problema é que existem pessoas que não toleram a zidovudina por causa da anemia, por vezes grave, que este medicamento pode causar. Principalmente quando já há uma tendência à anemia. Nesses casos, a combinação da lamivudina com o abacavir pode ser utilizada. Além de não provocar esse efeito adverso, o abacavir tem a conveniência de ser tomado apenas uma vez ao dia, junto com os outros anti-retrovirais do esquema.

Vantagens deste esquema
Poder ingerir todos os medicamentos juntos e só uma vez ao dia já facilita muito a vida. Mas ainda existem outras vantagens neste esquema. Segundo o infectologista Estevão Portela, os anti-retrovirais que o compõem causam menos lipodistrofia. “Em comparação aos demais nucleosídeos, o abacavir é, juntamente com o tenofovir, o que menos predispõe ao aparecimento da lipodistrofia. O atazanavir, por sua vez, entre os inibidores da protease, é o que oferece menor risco de surgimento deste efeito colateral. E a lamivudina não causa lipodistrofia”, diz ele.
Outro benefício é a inclusão do ritonavir na combinação, pois ele potencializa a ação do atazanavir. “Apesar do ritonavir não ser imprescindível quando se combina o abacavir com o atazanavir, seu uso vai auxiliar a manutenção de um nível constante de atazanavir no sangue. Isso é muito importante para que não surja resistência do HIV ao medicamento”, afirma Portela. De acordo com o médico, o ritonavir também ajuda a superar alguns problemas de interação medicamentosa que o atazanavir tem, principalmente com os remédios usados para diminuir a acidez do estômago.

Desvantagens
Os remédios usados para gastrite interferem na ação do atazanavir, e por isso devem ser evitados. Segundo Portela, uma gastrite leve, que não requer o uso de remédios rotineiramente, não tem problema maior. E, dependendo da intensidade da gastrite, também pode ser possível adequar o horário de uma medicação com o da outra. “Qualquer pessoa que tenha gastrite e use o atazanavir deve conversar com seu médico”, recomenda. Outro problema do atazanavir é que ele pode causar icterícia (que deixa os olhos amarelos).
O ritonavir, embora esteja em dose baixa no esquema, pode causar alguns efeitos gastro-intestinais (como enjôo, náusea e diarréia). Em geral esse mal-estar é maior nos primeiros dias. Outra desvantagem do ritonavir é não poder ficar por mais de dois meses fora da geladeira. Como na dose de uma cápsula por dia o frasco dura por mais de dois meses, ele deve ser guardado na geladeira. “É uma complicação, mas é fácil de resolver”, diz Portela.

Maior atenção com o abacavir
A partir da primeira semana até o segundo mês depois de iniciado o uso do abacavir, pode ocorrer um para efeito potencialmente bastante grave, cujo principais sintomas são febre e dores no corpo, com ausência de problemas respiratórios. Nesse caso, o médico deve ser procurado o mais rápido possível para que possa avaliar se é preciso interromper a medicação. “Mesmo com a melhora dos sintomas depois da interrupção, o paciente não deve voltar a tomar a medicação em hipótese alguma”, alerta Estevão Portela. “A indicação, nesses casos, é parar a medicação definitivamente, pois esses sintomas podem evoluir para um quadro grave. O ideal é que o paciente seja atendido pelo seu médico o mais breve possível, para que ele veja se é uma reação de hipersensibilidade ao abacavir”. SV

 

8h da manhã
O café da manhã do Marcelo é sagrado. Ele aproveita para fazer uma alimentação bem reforçada todos os dias e reunir a família no final de semana. É nessa hora que ele toma seus remédios, todos juntos, para não correr o risco de esquecer algum.
Os medicamentos precisam ser tomados diariamente no mesmo horário.

 

Nunca esqueceremos do amigo Valente
Não é necessário dizer o quanto Octávio Valente, presidente do Grupo Pela Vidda Rio desde 2000, era corajoso. Ele não tinha este nome à toa. Vivendo com HIV/aids desde 1992, o nosso “Valente” transformou a sua luta individual para conviver com HIV numa batalha coletiva por respeito, dignidade e fraternidade para todos que vivem com HIV/aids. Com muita honra, ele participou da primeira edição da Saber Viver em uma entrevista que dizia o quanto os efeitos colaterais dos medicamentos são um desafio para as pessoas infectadas pelo HIV. A entrevista está disponível no site da revista (clique aqui).
Nosso amigo faleceu no dia 22 de março, mas a sua coragem continuará sendo um exemplo para todos nós.

 

 

 

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