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Saber Viver » Saber Viver n.41

10/2007

LIPODISTROFIA:

Podemos vencer, depende de nós.

Um dia, aos 64 anos, tive uma surpresa ao me olhar no espelho: “Eu pareço uma caveira!”. Marquei assustada uma consulta médica e ouvi pela primeira vez a palavra lipodistrofia. Fui para casa chorar, sem saber o que fazer. Depois de um tempo isolada, já fazendo parte da ONG Pela Vidda/RJ, participei de uma palestra sobre lipodistrofia e anti-retrovirais com Dr. Márcio Serra e Dra. Márcia Rachid. Saí de lá esperançosa. Consegui fazer preenchimento, que na época não podia ser feito pelo SUS, e foi quase um milagre voltar a me sentir mulher.
Mas isso foi só o começo. Um acúmulo de gordura surgiu atrás da minha nuca e eu passei a me esconder, mudando meu estilo de vida e de vestir. Após três anos, finalmente uma boa notícia: a lipoaspiração poderia ser feita sem riscos para os soropositivos. Batalhei e consegui fazer a cirurgia pelo plano de saúde. A lipodistrofia, porém, continuou me castigando: cresceu a barriga, os braços engrossaram, as pernas afinaram, meus seios e nádegas sumiram e eu me sentia mutilada.
Dois anos depois, com mais uma lipoaspiração e enxertia (quando a gordura retirada é aproveitada para preencher outra parte do corpo), eu recuperei seios, quadris e outras partes. Paralelamente, apesar da vergonha que sentia do meu corpo, comecei a praticar musculação e caminhada. Afinal, para viver teria que estar bem.
Hoje, tenho o corpo de uma mulher de 72 anos, sem deformação. Aos que me criticam, respondo: minha luta foi muito solitária, pois muitas mulheres com HIV se escondem, não vivem. Faço palestras, mostro minhas fotos e incentivo as mulheres a se cuidar e aproveitar as descobertas que ajudam a viver melhor. Assim podemos ter visibilidade, lutar contra o estigma e o preconceito, sendo mais felizes. Unidas, temos que lutar por mais conquistas e pesquisas específicas para as mulheres soropositivas.

TETÊ (Teresinha Vilela) Representante do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas /Núcleo Alagoas

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