Publicações

  • Fonte normal
  • Aumentar fonte
  • Adicionar a favoritos
  • Imprimir
  • Envie para um amigo:





Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.16

07/2009

Lipodistrofia

Profissionais e gestores de saúde estão mais preparados para combater as mudanças corporais tão temidas pelos pacientes

 A lipodistrofia é hoje um dos eventos relacionados à terapia antirretroviral que mais se discute, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Um desafio a ser vencido por pesquisadores e pela equipe que assiste o paciente soropositivo, a lipodistrofia é o que se pode chamar de a nova cara da aids. Rosto profundo, pernas finas, veias à mostra, nádegas flácidas, barrigas protuberantes; excesso de gordura nas costas e na giba.

“Quem está de fora, não entende, mas quando eu perdi 15 quilos e não me reconheci mais no espelho, preferia morrer a tomar o coquetel. Parei várias vezes com o tratamento. Hoje, me arrependo”, diz um paciente que prefere não se identificar.
Há um consenso de que não se deve suspender o uso de antirretrovirais. Os riscos à saúde são grandes, com reflexos imediatos, como queda de CD4 e aumento de carga viral. “As consequências podem ser irreversíveis, como por exemplo, a resistência aos antirretrovirais”, afirma Márcia Yoshioka, dermatologista do Centro de Referência e Treinamento (CRT) de São Paulo.

Opções de abordagem
A lipodistrofia está bastante associada à terapia antirretroviral. Mas há casos de lipodistrofia pelo envelhecimento, e há pessoas que não estão em terapia antirretroviral, mas observam mudanças corporais pelo próprio contato com o HIV. Para o dermatologista Márcio Serra, a primeira coisa a fazer é incentivar o paciente a práticas mais saudáveis. “Você consegue mascarar esse processo com uma boa dose de exercícios e uma alimentação balanceada”, afirma (ver Box).

Mas a troca de medicamentos também pode ser levada em consideração. “O consenso de recomendações sobre a terapia antirretroviral descreve os medicamentos menos associados à lipodistrofia. Contudo, a mudança de tratamento nesses casos deve ser abordada com cuidado. No caso de pacientes com multiresistência aos antirretrovirais, por exemplo, é necessário pesar a relação risco-benefício da mudança de esquema – essa medida pode diminuir a lipodistrofia, mas prejudicar o tratamento”, alerta Ronaldo Hallal, assessor técnico do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde. “Este ano, o comitê assessor definirá mais detalhadamente os critérios clínicos de recomendação de troca de esquema em casos de lipodistrofia. Essas recomendações serão publicadas em um suplemento do consenso terapêutico”.

Hoje, medicamentos como o estavudina e o indinavir, conhecidos como os que mais causam lipodistrofia, são cada vez menos utilizados pelos médicos. “A dose da estavudina, por exemplo, foi reduzida de 40 para 30 mg e somente é recomendada nos esquemas de resgate e não mais como opção para iniciar o tratamento”, diz Hallal. Outros medicamentos que podem causar lipodistrofia são o AZT, o lamivudina (3TC), o didanosina (DDI) e os inibidores de protease.

Intervenções reparadoras

Nos casos de lipodistrofia moderada ou grave, o SUS está disponibilizando cirurgias reparadoras como preenchimento facial com polimetilmetacrilato (PMMA), lipoaspiração, reconstrução glútea com prótese e ginecomastia. O infectologista Herverton Zambrini, coordenador do ambulatório de lipodistrofia do Hospital Heliópolis e médico do CRT de São Paulo, lista os critérios de inclusão e exclusão para os procedimentos de reparação. “Após a checagem desses critérios, deve-se encaminhar omesmo para um dos serviços credenciados em realizar o procedimento cirúrgico”, diz.
O preenchimento facial é o procedimento mais procurado pelos pacientes e o de maior abrangência. Pode ser encontrado também nos Serviços de Atendimento Especializado (SAE) em quase todo o país. É indicado quando há perda de gordura no rosto com alteração acentuada da face.

Prótese de silicone
Já a reconstrução glútea com prótese de silicone só é indicada “para corrigir a perda de gordura que acarreta não só alterações na aparência física, mas também dores para sentar e feridas devido à fragilidade da pele no local onde não há o tecido gorduroso” informa Zambrini. “Este é um procedimento ainda com pouca experiência na prática cirúrgica diária. Existe ainda uma dificuldade grande, por parte dos serviços credenciados, em realizar essas cirurgias devido à dificuldade de aquisição das próteses de silicone” completa o infectologista.

A lipodistrofia é uma síndrome que engloba vários aspectos da saúde do paciente, não apenas o estético. E devido ao impacto que tem nos aspectos psicológicos e físicos pode colocar em risco todo o tratamento. “Por esse motivo, temos que orientar bem esse paciente para que ele faça o tratamento correto. E o profissional de saúde deve estar bem informado para indicar o melhor caminho”, finaliza Márcia Yoshioka, médica dermatologista do CRT de São Paulo.

Na última página desta revista, você encontra a lista das unidades de saúde credenciadas para realizar as cirurgias reparadoras pelo SUS e os critérios de inclusão e exclusão de pacientes para os procedimentos cirúrgicos.

Compartilhe