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Saber Viver » Saber Viver n.17

08/2002

Lutando contra o Preconceito

“Sou viúvo e moro em São Paulo. Há cerca de 5 anos, eu e minha esposa descobrimos que estávamos contaminados pelo vírus da Aids. Nesta época, nós estávamos trabalhando numa empresa chamada V.C.I. – Vanguard Confecções Importadas. Sem saber que estávamos contaminados, surgiu uma doença oportunista em minha esposa. Como não sabia o que fazer, levei-a à clínica que pertencia ao convênio da empresa. Foi quando descobriram que ela estava com meningite por ser soropositiva e que automaticamente, eu também poderia estar contaminado. Acabei fazendo o exame que confirmou a minha infecção. Então, comecei a me tratar na Casa da Aids e ela, na clínica do convênio da empresa.

Um diretor da empresa ficou sabendo da nossa soropositividade porque era amigo da minha família e freqüentava a casa dos meus pais. Ele sempre entrava em contato com a clínica querendo saber mais sobre o estado de saúde da minha esposa. Foi aí que tudo começou. Ele me chamou e disse: “Walmir, já sei de tudo. Mas pode ficar tranqüilo que não contarei para nenhum funcionário e nem para os patrões”. Fiquei mais aliviado, pois eu era um ótimo funcionário e estava em perfeitas condições de trabalho. Pura ilusão. Minha esposa faleceu e três meses depois me mandaram embora, me pagando tudo direitinho para que eu não desse dor de cabeça a eles. Eu fiquei tão atordoado que não sabia mais o que fazer. Sem esposa, sem emprego e com dois filhos pequenos para sustentar.

A minha médica me encaminhou para fazer um tratamento intensivo com uma psicóloga, que me orientou a procurar uma advogada, porque eles haviam me mandado embora por preconceito. Procurei algumas ONGs como Grupo de Incentivo à Vida (GIV) e Grupo Pela Vidda São Paulo. Consegui testemunhas que já sabiam de tudo e entrei com um processo contra a empresa por preconceito e danos morais.
Estamos confiantes na minha vitória porque tenho a plena certeza que o Sr. Juiz, com toda a sua inteligência e sabedoria, irá julgar essa causa com justiça. Diante deste fato, aproveito para falar a todos os leitores da Saber Viver: Lutem com todas as forças. Enfrentem tudo que tiverem de enfrentar. Peçam ajuda, auxílio e conselhos. Levantem a cabeça porque somos seres humanos iguais a todos os outros. Ninguém é melhor do que ninguém”.

Walmir L. – São Paulo – SP

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