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Circulador » Circulador n.03

12/2007

Macrofunção Vida

Usina de idéias e realizações com foco na paternidade

Ampliar o debate sobre paternidade e implantar políticas públicas que fortaleçam vínculos entre pais e filhos são compromissos assumidos pela Macrofunção Vida, grupo de trabalho que envolve diferentes secretarias municipais, universidades e ONGs do Rio de Janeiro.

Esqueça antigos modelos. Pai provedor e mãe cuidadora é coisa do passado. Homens e mulheres do século XXI subverteram os papéis.
Mas, se o mercado de trabalho já é encarado sem dramas pela mulher, o homem ainda é principiante na arte de cuidar. “Tornar-se pai muitas vezes é vivido como um grande susto”, diz a psicóloga Maria Luiza Carvalho, da Maternidade Escola da UFRJ, que, com o apoio da Macrofunção Vida, já organizou três fóruns de debate sobre paternidade na universidade.
Segundo ela, a capacidade masculina de cuidar e formar vínculos ainda não é favorecida em nossa sociedade: “A maioria das instituições sociais afasta os homens da educação e dos cuidados com os filhos”, comenta.

Cuidar se aprende cuidando

Proporcionar espaços para que o homem possa aprender a ser pai é um dos objetivos da Macrofunção Vida, que vê as unidades de saúde, escolas e creches como locais privilegiados para isso. “Precisamos encorajar o homem para o ato de cuidar, reforçando suas potencialidades. Não é possível que o pai leve seu filho ao pediatra e seja tratado como incapaz de responder pela criança e seus cuidados”, alerta Magdala A. Silva, diretora da Escola de Serviço Social da UFRJ, que também integra o grupo de trabalho. Para ela, a co-responsabilidade masculina deve ser exaltada e o homem sensibilizado para que se sinta à vontade em um contexto que até pouco tempo não era considerado seu, como discussões sobre sexualidade e fecundidade, planejamento familiar, consultas pediátricas e a creche ou escola do filho. “É necessário implantar nos serviços e instituições medidas positivas para criar espaços reais onde o homem possa se inserir e estruturar uma nova vida em família”, diz.

Da teoria à prática
As reuniões mensais que a Macrofunção promove têm contribuído para inserir o tema paternidade em diversas áreas de atuação e na formulação de políticas públicas voltadas para as questões dos homens. “Estamos construindo coletivamente um projeto para a sociedade”, revela Viviane Castello Branco, Assessora de Promoção da Saúde da Secretaria Municipal de Saúde e coordenadora da Macrofunção Vida. Ela se entusiasma com as oportunidades que a Macrofunção oferece: “É um grande celeiro de idéias. A troca de ferramentas, de saberes e de recursos entre governo e sociedade potencializa o trabalho”.
Em 2004, foi criado, por decreto oficial, o Mês de Valorização da Paternidade, que ampliou o alcance da Semana da Paternidade, criada dois anos antes. Durante esse mês, cada instituição mobiliza sua rede para a realização de atividades que estimulem a participação do pai, e há um intercâmbio entre os diversos atores. Ao longo dos anos, a Macrofunção Vida tem conquistado novos espaços e uma mudança institucional em relação à paternidade já é
notada. “O nosso maior ganho é exercitar concretamente a intersetorialidade”, comemora Viviane.

Conquistas na sociedade
Investir no potencial afetivo e cuidador do homem extrapola a questão da paternidade, repercute no cuidado que ele tem consigo, com a companheira e com a sociedade em geral. “Trabalhar a paternidade ajuda a instaurar uma cultura do cuidado de si e do outro”, destaca Marcos Nascimento, do Instituto Promundo, ONG parceira da Macrofunção Vida. Uma das estratégias desse trabalho é lutar pela ampliação da licença paternidade, como explica Marcos: “Isso seria muito interessante para que o homem possa vivenciar emoções para as quais ele nunca foi preparado”.

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