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Solução » Solução n.06

04/2005

Malabarismo na distribuição de anti-retrovirais

Farmacêuticos se esforçam para assegurar anti-retrovirais para todos os portadores do HIV

O desabastecimento dos anti-retrovirais zidovudina, indinavir, atazanavir, tenofovir e da combinação zidovudina + lamivudina (Biovir), ocorrido no início deste ano, gerou uma crise na saúde. Diversos serviços de Aids do Brasil tiveram problemas para atender a demanda dos pacientes. Em Sapopemba, região leste de São Paulo, o SAEBetinho, responsável pela assistência de mais de 800 portadores de HIV/Aids, interrompeu o tratamento de 30 soropositivos devido à falta do atazanavir.

Muitas versões para o fato foram apresentadas pelo Ministério da Saúde. Desde a carência de matéria-prima para a fabricação de remédios até a falta de dinheiro para a compra dos medicamentos protegidos por patentes.

De acordo com os farmacêuticos responsáveis pelo controle logístico dos antiretrovirais de São Paulo e Rio de Janeiro, que nos últimos meses tiveram que fracionar os medicamentos para conseguir atender seus pacientes, o quadro agora é melhor do que no começo do ano. Mas ainda é cedo para afirmar que tudo está 100% resolvido.

Combinação zidovudina + lamivudina ainda é problema 

Segundo Élcio Gagizi, coordenador do núcleo de controle logístico de medicamentos do Programa Municipal DST/Aids de São Paulo, os estoques estão sendo normalizados. “A situação dos anti-retrovirais na cidade não está ruim, mas também não posso afirmar que esteja regularizada”, comenta Gagizi. “O problema é que o meu estoque de seguranç é suficiente para um mês e meio, no máximo”. Por isso, o Programa continua orientando as unidades dispensadoras a fracionar algumas drogas e desaconselhando o atazanavir 150 mg para novos tratamentos.

No Rio, onde o problema não foi tão grave quanto em São Paulo, o único antiretroviral em falta é a combinação zidovudina + lamivudina, que está sendo distribuída em comprimidos separados. Este fato é preocupante, segundo Sérgio Aquino, responsável pela logística de medicamentos do Programa Municipal de DST/ Aids do Rio de Janeiro:
Dessa forma, o paciente que tomava dois comprimidos por dia dessa medicação passa a ingerir 8. Quando somamos esses comprimidos com os outros remédios que o portador do HIV usa, pode-se chegar a um esquema de mais de 20 pílulas por dia. Isso tem sérias conseqüências na adesão“.

Sistema de informação eficaz pode ser a solução 
Os dois responsáveis pela distribuição de anti-retrovirais acreditam que a solução do problema pode estar em um sistema de informação que funcione. O Sistema de Controle Logístico de Medicamentos “Siclom” foi criado com essa finalidade, mas ainda tem muitos problemas.
A atualização da demanda real de consumo dos anti-retrovirais pelas farmácias também é importante. “O Ministério da Saúde precisa saber a quantidade exata de medicamentos usados em cada unidade de saéde”, assinala Aquino. O Rio de Janeiro já começou um trabalho de revisão de recadastramento.

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