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Saber Viver » Saber Viver n.47

12/2010

Exames de rotina ajudam a prevenir doenças do coração

Doenças cardiovasculares são mais comuns em pessoas vivendo com HIV que no restante da população brasileira. A conclusão é de estudo do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que aponta também o aumento de mortes por causas não associadas à aids entre soropositivos, entre elas, doenças cardiovasculares como infarto, hipertensão ou acidente vascular cerebral (AVC). “O serviço de saúde e as pessoas vivendo com HIV devem estar atentos a esses problemas. Exames para avaliação das taxas de colesterol e triglicerídeos devem ser feitos ao menos duas vezes ao ano, junto aos de CD4 e carga viral” orienta o infectologista Mauro Schechter, coordenador da pesquisa. O infectologista Gustavo Magalhães explica que o tratamento antirretroviral pode provocar o aumento dos níveis de colesterol e triglicerídeos no organismo e que mesmo quem vive com HIV e não está em uso de medicamentos pode apresentar alterações meta bólicas, “O acúmulo de lipídeos nas paredes dos vasos sanguíneos – incluindo as do coração – bloqueia a passagem do sangue e aumenta o risco de doenças cardiovasculares. O médico afirma que esses efeitos não devem desestimular o tratamento. Segundo o infectologista, com acompanhamento profissional é possível retornar aos níveis regulares de lipídeos. “É fundamental seguir as instruções dos médicos e nutricionistas. Algumas dietas, que nem sempre estão associadas à perda de peso, ajudam a controlar as alterações metabólicas”, Gustavo incentiva.

Dieta e medicamentos

Muitas pessoas já comprovaram que alimentação sau dável e orientação nutricional formam uma receita de sucesso. Claudio Vilarins estava com as taxas de colesterol e triglicerídeos elevadas. Para reverter a situação, passou a exercitar-se diariamente. “Sofri alterações metabólicas depois que comecei a tomar antirretrovirais. Ainda não consegui mudar a alimentação, mas estou caminhando todos os dias. Meus níveis de colesterol e triglicerídeos já estão normais”, afirma. “Também gosto de meditar para ter autocontrole e driblar emoções ruins”, completa. Para Renato da Matta, além da dieta, a orientação médica inclui medicamento para a redução do mau colesterol. “A Pravastatina não é distribuída pelo SUS. Preciso tomar duas caixas por mês e cada uma sai por R$ 68. O custo é muito alto”, Renato expõe.

 

Vida saudável reduz riscos

Doenças cardiovasculares como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular encefálico, mais conhecido como derrame, ocorrem com maior frequência em pessoas que fumam, não praticam exercícios físicos, são estressadas, diabéticas e não controlam os níveis de glicose no sangue. “A principal maneira de evitar doenças cardiovascularesé levar uma vida saudável. Isso significa parar de fumar, manter uma alimentação equilibrada e praticar exercícios, enfim, seguir todas as orientações do médico e do nutricionista” Gustavo recomenda. Paulo André Oliveira Palmeira é hipertenso, diabético e sofreu um AVC em 2007. Ele passava por um momento difícil e estava muito estressado. “Enfrentei muitas dificuldades por conta do preconceito. Perdi meu restaurante e cheguei a morar na rua”, recorda. Hoje, recuperado, Paulo não descuida da saúde. “Não esqueço o remédio da pressão, faço caminhadas, evito sal, açúcar e bebidas alcoólicas”, conta. Além disso, uma grande conquista em meio a tantos desafios também contribui para a sua saúde: o bom relacionamento que mantém com o parceiro. “Estamos juntos há sete anos e ele me mantém feliz”, comemora. SV

COMO ESTÃO SEUS NÍVEIS DE GLICOSE, COLESTEROL E TRIGLICERÍDEOS?

Alterações metabólicas podem provocar sintomas que muitas vezes se confundem com a própria infecção pelo HIV, como cansaço, tonteira, dificuldade de oncentração, muita sede. Para garantir a saúde, é importante ter acompanhamento médico e realizar periodicamente exames de sangue, testes ergométricos

e eletrocardiogramas – todos disponíveis na rede pública. “O agendamento é feito de acordo com o volume de pacientes que procuram os laboratórios e as filas de espera variam entre as unidades de saúde, nas diferentes cidades do país”, observa Gustavo.

O infectologista, que atua no Hospital Universitário Pedro Ernesto e em posto de saúde da Prefeitura do Rio de Janeiro, ressalta que não tem visto problemas para a realização dos exames. “Os resultados são emitidos entre três e sete dias”, afirma.

Para proteger o seu coração, converse com o seu médico sobre o que está sentindo e não deixe de realizar exames de dosagens de glicose, colesterol e triglicerídeos. Eles devem ser feitos ao menos duas vezes ao ano, preferencialmente junto aos exames de CD4 e carga viral.

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