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Saber Viver » Saber Viver n.43

10/2008

México 2008: Conferência Internacional de Aids

Todos juntos contra a discrimição e a favor da qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV/aids

“O HIV é uma infecção viral, não moral ou política”. A frase, proferida na abertura da 17ª Conferência Internacional de Aids pelo mexicano Luis Soto Ramiro, co-organizador do evento ao lado do argentino Pedro Cahn, sintetiza a tônica do encontro que reuniu mais de 20 mil participantes na Cidade do México entre os dia 3 e 8 de agosto: “O mundo dificilmente atingirá a meta estabelecida em 2005 de oferecer acesso universal à prevenção e ao tratamento da aids até 2010. Não cumprir esse compromisso produzirá um impacto inevitável na vida de milhões de pessoas”, completou Cahn.
Na abertura, estiveram presentes a diretora geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, o diretor executivo da Unaids, Peter Piot, o secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, o presidente do México, Felipe Calderón, além de líderes políticos de nações africanas e ativistas sociais de todo o mundo. O depoimento de uma jovem soropositiva de 13 anos, Keren Gonzáles, emocionou a platéia e reforçou o compromisso de combater o estigma que ainda persiste em seu país, Honduras, e em todo o mundo.

Faltam leis contra discriminação
A cerimônia de abertura foi encerrada com pronunciamento do secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, que cobrou dos representantes políticos a promulgação e aplicação de leis contra a discriminação de pessoas que vivem com HIV/aids: “Um terço dos países não legisla sobre esse tipo de discriminação, isso tem que mudar. Em locais onde a legislação defende os direitos humanos de soropositivos, o acesso a serviços de prevenção é maior e o número de novas infecções, menor. Essa equação reduz a demanda pelo tratamento anti-retroviral e o número de óbitos provocados pela aids”, disse.
A 17ª Conferência Internacional de Aids, a primeira realizada na América Latina, aconteceu dias depois do lançamento do Relatório sobre a Epidemia Global de Aids 2008, da Unaids. De acordo com o documento, dos 630 mil soropositivos que precisam de tratamento na América Latina e no Caribe, somente 390 mil recebem os medicamentos. Destes, 185 mil estão no Brasil, que oferece tratamento universal.

 

Ativismo e protestos
A 17ª Conferência Internacional de Aids foi marcada por uma série das já tradicionais manifestações protagonizadas por ativistas sociais. Os protestos contra os preços abusivos impostos pela indústria farmacêutica aos medicamentos anti-retrovirais envolveram mexicanos e colombianos no quarto dia do evento, 6 de agosto, exigindo respectivamente a redução de preços e o licenciamento compulsório.

 

Em questão, a quebra de patente
Para os mexicanos, a redução de 1,5% no preço do anti-retroviral Kaletra – negociada entre o governo do país e a indústria farmacêutica Abbott – não é suficiente para garantir o acesso universal ao medicamento.
Com o apoio da ONG norte-americana Essential Action, a Rede Colombiana de Pessoas Vivendo com HIV/Aids exigiu a quebra de patente do medicamento e anunciou a união de organizações de todo o mundo, incluindo a brasileira Grupo de Incentivo à Vida (GIV), para importação de genéricos. O protesto incluiu performance encenada na sala de imprensa, em que um grupo de pacientes travava um “cabo-de-guerra” com um único engravatado, que gritava: “A Colômbia é minha!”.

 

Mexicanos lamentam a homofobia
No último dia do evento, 8 de agosto, a Rede Mexicana de Trabalhadores e Trabalhadoras Sexuais e ativistas da África do Sul interromperam a cerimônia de encerramento para exigir melhores condições de vida para pessoas que vivem com HIV/aids em seus países. O ativista mexicano Rodrigo Ollin lamentou a persistência da homofobia em seu país, apesar da alta diversidade cultural que o caracteriza: “É triste que trabalhos realizados por organizações sociais não sejam apoiados pelos governos federal e municipal para combater crimes contra homossexuais”.
Empossado presidente da Associação Internacional de Aids (IAS, na sigla em inglês) durante a cerimônia de encerramento, o canadense Julio Montagner comemorou a democratização da participação na 17ª Conferência Internacional de Aids, destacando que metade dos presentes comparecia pela primeira vez ao evento. Por fim, Montagner desafiou a comunidade internacional a pressionar o grupo dos oito países mais ricos do mundo a integrar o esforço internacional de garantir, até 2010, o acesso universal à prevenção do HIV e ao tratamento antirretroviral.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa

 

México 2008: Conferência Internacional de Aids

 

 

 

Alimentação

 

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Comportamento

 

Aumenta o número de idosos com Hiv/Aids

 

 

 

Passo a passo

 

Darunavir + ritonavir + tenofovir + lamivudina + enfurvitina (T20)

 

 

 

Congresso

 

Uma multidão para pensar a Aids

 

 

 

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Créditos

 

 

 

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