Saber Viver Mulher

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Saber Viver Edições Especiais » Saber Viver Mulher » Saber Viver Mulher n.01

10/2003

“Minha vida mudou mesmo quando resolvi encarar a Aids”

Kelly Moraes de Jesus: “Sou muito mais feliz agora do que antes de ter Aids”

Kelly Moraes de Jesus tem 29 anos e aos 23 descobriu ser portadora do HIV. Depois de um início difícil, sua vida deu uma guinada. Para muito melhor. “Em vez de ficar me remoendo com raiva e medo, resolvi tirar proveito da situação”, diz ela. “Sou muito mais feliz agora do que antes de ter Aids”.

Veja como Kelly conseguiu essa transformação.

Sua vida mudou muito depois que você descobriu que era portadora do HIV?
Eu morava com uma amiga em Petrópolis, no Rio de Janeiro, e fazia o último ano da faculdade de fisioterapia, quando tive pneumonia e descobri que era portadora do HIV. Foi uma reviravolta. Fiquei dois meses internada e quase morri. Depois que me recuperei, voltei a viver com meus pais, em Itaperuna, uma pequena cidade no interior do Rio de Janeiro. No início, foi muito difícil porque não queria ficar em Itaperuna. Além disso, os remédios faziam com que eu vomitasse sem parar. Mas aos poucos fui me adaptando. Minha vida mudou mesmo quando resolvi encarar a Aids.

Quais foram as mudanças positivas em sua vida?
Assumir que tenho o HIV foi um passo enorme em direção à felicidade. Resolvi procurar uma ONG/Aids do Rio de Janeiro porque queria conversar com outras pessoas soropositivas e decidi montar uma ONG/Aids em Itaperuna. Distribuí cartões nos postos de saúde da cidade chamando as pessoas para participar de nossa primeira reunião e foram 10 pessoas. Atualmente, temos uma casa que abriga portadores do HIV que não têm onde morar e onde realizamos reuniões quinzenais com soropositivos e profissionais de saúde. Sustentamos a casa com doações.

Hoje sou uma pessoa mais sábia e tranquila, trabalho no que eu gosto, a relação com minha família está muito melhor e encontrei o amor da minha vida. Ou seja, a Aids só me trouxe coisas boas.

E mudanças negativas?
A parte positiva supera e muito as coisas ruins que a Aids me trouxe, que são a lipodistrofia e o fato de ter que controlar o horário dos remédios e da alimentação.

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