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Saber Viver » Saber Viver n.49

07/2012

Mulheres articuladas podem mais

Cleide Jane, Cida Lemos, Juçara Portugal e Mara Moreira aproveitam a experiência que conquistaram em anos de atuação em ONGs do Rio de Janeiro para ajudar outras mulheres soropositivas a lutarem por seus direitos.

Público feminino encontra espaço nos Grupos de Mulheres e amplia sua visão sobre a soropositividade


Muito mais que um espaço para discussões de assuntos relacionados ao HIV/aids. Os Grupos de Mulheres buscam ajudar àquelas que vivem ou convivem com a doença a entender o papel que têm na sociedade. Grupos mais tradicionais, com debates e trocas de experiências, ou grupos de vertente mais ativista – seja qual for o seu perfil, há espaço para todas.

Mulheres positivas e organizadas no Rio

Uma rede de mulheres positivas para discutir assuntos relacionados às especificidades do mundo feminino e do viver com HIV/aids. Esta é a proposta de um grupo em formação no Rio de Janeiro. A Articulação de Mulheres Vivendo com HIV busca integrar e envolver na discussão da temática aids todas as mulheres que vivem com o vírus, independente de estar filiada a uma organização não govermamental. “Este é um ponto muito importante a ser destacado. A mulher não precisa atuar em uma ONG para participar desta rede. O importante é que ela participe das reuniões e tenha voz. Aqui é um espaço para a mulher ser ela”, destaca Mara Moreira, uma das representantes do grupo. O grupo começou a ser formado este ano a partir da necessidade de ter representatividade no Plano de Feminização, estratégia do governo federal que abrange diversas ins – tituições que trabalham com o público feminino e que está sendo desenvolvido pela Coordenadoria de Aids do estado do Rio de Janeiro. O movimento de mulheres vivendo com HIV/aids estava sem representação. Para não ficar de fora, Cida Lemos, Cleide Jane, Juçara Portugal e Mara Moreira se uniram para criar a Articulação de Mulheres Vivendo com HIV. “Ainda estamos amadurecendo. Somos um bebê na incubadora. Mas é muito importante a união das mulheres que vivem com aids para lutar pelas nossas necessidades. Precisamos ter força para cobrar políticas públicas e dar visibilidade à causa das mulheres soropositivas”, diz Cleide Jane. Essas quatro mulheres já têm participação ativa em instituições não governamentais, o que continuarão fazendo, e vão utilizar essa experiência que conquistaram durante os anos de ativismo para orientar outras mulheres. Nesta fase inicial do grupo, o objetivo é agregar novas integrantes. “Precisamos lutar pelo empoderamento da mulher. Há algum tempo, só os homens tinham a palavra dentro dos encontros. Com a entrada da mulher no ativismo, foi possível discutir as nossas necessidades. Deixa mos de ouvir só a demanda dos homens para falar sobre nossas questões especificas”, ressalta Cida Lemos. “Todas podem participar. É uma grande oportunidade de conquista pessoal. As mulheres soropositivas precisam ter representatividade. Precisamos do nosso espaço. Só assim poderemos cobrar, das autoridades, políticas de qualidade atendam as nossas demandas”, enfatiza Juçara Portugal.

Vanguarda

Desde 1990, o Grupo Pela Vidda Rio promove reuniões mensais de mulheres vivendo e convivendo com o HIV/aids. O objetivo é promover a troca de experiências pessoais, informações e habilidades, que são recursos essenciais para estabelecer, manter e melhorar a qualidade de vida dessas mulheres. Além de fortalecê-las para que participem ativamente no processo de combate ao desrespeito a seus direitos sexuais e reprodutivos. Autoestima, criminalização, relação sorodiscordante, lipodistrofia, envelhecimento e disfunção sexual, entre outros temas, são debatidos nos encontros.

Espaço de convivência dentro do hospital

O Parceiras da Vida, grupo que há 10 anos promove encontros mensais no Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, proporciona às portadoras do HIV um espaço de informações e de reflexão acerca da soropositividade e do ser mulher. “O vírus da aids, muitas vezes, reforça nas mulheres um sentimento de solidão frente à família e ao grupo social. O Parceiras da Vida facilita a troca de saberes entre profissionais e mulheres com HIV/aids”, explica a médica Débora Fontenelle. O objetivo é promover reflexões sobre os aspectos sociais e emocionais do viver com HIV/aids e, principalmente, a adesão ao tratamento. O grupo é aberto não só para mulheres infectadas pelo HIV, mas, também, para mulheres afetadaspelo vírus, como parceiras de soropositivos, parentes e amigas das portadoras. É um espaço de solidariedade e estabelecimento de rede de apoio. “A troca que acontece no grupo é fundamental. Lá, você pode partilhar e se esvaziar dos seus problemas. Quando nos isolamos, ficamos apenas com a visão dos nossos problemas. Quando você sociabiliza, você tem um novo olhar. O Parceiras da Vida é um grupo que fala de vida e não de doença. O nome não poderia ser mais apropriado”, conta Sandra Britto, participante do grupo.

A enfermeira Sueli Rodrigues com gestantes soropositivas, no PAM Salgadinho, em Alagoas. Grupo criado por Sueli contribui para a redução da transmissão vertical (da mãe para o filho) do HIV e proporciona melhor qualidade de vida para as gestantes.

Gestantes e Cidadãs Positivas em Alagoas

Criado em 2007 pela enfermeira obstetra Sueli Rodrigues, no PAM Salgadinho, em Alagoas, o grupo de preparo para o parto e o nascimento, dirigido às gestantes soropositivas, é uma estratégia assistencial para intervenção e prevenção que tem contribuído para a redução da transmissão vertical (da mãe para o filho) do HIV. Reduzir os níveis de ansiedade, melhorar a adesão ao tratamento antirretroviral, promover a importância do autocuidado e da autoestima são alguns dos objetivos. O grupo é resultado de um trabalho de mestrado feito pela enfermeira. Uma equipe multiprofissional atua como facilitadora dos encontros, que acontecem uma vez por semana. Cada integrante interage a partir de suas próprias necessidades. “Nas reuniões, as mulheres podem falar com segurança, abertamente, sem julgamentos e sem preconceitos, permitindo maior liberdade de expressão”, conta Sueli. Também em Alagoas, o Movimento das Cidadãs Positivas promove encontros quinzenais para mulheres que vivem com HIV/aids, na Clínica Espaço do Ser. O objetivo dos encontros é ter um espaço para apoio e acolhimento dessas mulheres. “Além de oferecer apoio psicológico e tentar promover quali dade de vida para as integrantes, conseguimos ajuda do Estado e do Município para participar de encontros e eventos na área”, diz Maria das Dores da Silva, a Doca, coordenadora do grupo.

Arte, educação e geração de renda em São Paulo

Através de aulas de artesanato, teatro, bordado, desenho e estética, as participantes do grupo ++Mulheres da ONG ECOS, de São Paulo, encontram uma nova forma de viver com aids e utilizam o que aprendem para a geração de renda

Há sete anos, em São Paulo, a ONG ECOS – Comunicação em Sexualidade promove o grupo ++Mulheres. Através de aulas de artesanato, teatro, bordado, desenho e estética, as participantes encontram uma nova forma de viver com aids e ainda utilizam o que aprendem para a geração de renda. No grupo, também é estimulada a participação em eventos e debates sobre temas como direitos, gênero e sexualidade. A convivência e a possibilidade de aprender novas técnicas de arte têm promovido me – lhor qualidade de vida para essas mulheres. “Os resultados são muito positivos. Há uma participante em especial que chama nossa atenção. Ela não sabia nada de bordado e tinha limitações com o português. Mas agora está dando um novo rumo para sua vida, se descobriu uma excelente artista e o trabalho que faz com bordado não deixa a desejar a nenhuma artista profissional”, conta Lena Franco, coordenadora do Grupo.

Mais informações sobre os grupos citados na seção Área Útil/Conheça as Ongs.

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