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Saber Viver » Saber Viver n.49

07/2012

Na farmácia do hospital

Orientação e acolhimento para viver melhor com o HIV

Sônia, usuária, e Liporage, farmacêutico do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec), da Fiocruz . “Liporage é mais que um farmacêutico, é um amigo, uma pessoa que se preocupa com o paciente”, afirma Sônia

Rompendo a distância que se para profissionais e usuários de unidades de saúde, dois farmacêuticos es tabe lecem novas relações com seus pacientes e transformam o tratamento clínico da aids. No Rio de Janeiro, José Liporage, que completa, em 2012, 25 anos de serviço no Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec), da Fiocruz, justamente em 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids, é um deles. Sua dedicação é reconhecida por todos – pacientes e colegas de trabalho. “Conheço o Liporage desde que vim me tratar no Ipec. Ele é um ser humano iluminado, pois é mais que um farmacêutico, é um amigo, uma pessoa que se preocupa com o paciente”, diz Sônia Fonseca, que se trata no Instituto há 19 anos. “Vejo o paciente como alguém que tem desejos, que trabalha e que tem que lidar com o estigma da aids”, ressalta Liporage, destacando que a assistência farmacêutica deve ser multiprofissional, integral e humanizada. Segundo Sonia, o atendimento que recebe no Ipec ajuda a adesão ao tratamento, pois lá todos se sentem acolhidos. “Há pacientes analfabetos e os profissionais do Ipec explicam como tomar o remédio, usam cores para diferenciar os medicamentos, entre outras estratégias. Contamos com o farmacêutico para tirar nossas dúvidas e orientar. Em outros hospitais, a gente sabe que, infelizmente, não é assim”, diz.

Em Maceió, plano de assistência premiado

Maire, farmacêutica, e Jadson, usuário do PAM Salgadinho, em Alagoas. “Maire me viu de forma diferente, me apoiou e procurou conhecer além do paciente, o cidadão”, diz Jadson.

Acolhimento é a palavra chave para esses profissionais. Em Maceió (Alagoas), a farmacêutica Maire Rose de Sousa Silva está no PAM Salgadinho sempre com um olhar atento e um sorriso largo para receber os que chegam. Ela observou que a maioria dospacientes que frequentam o PAM, apesar de infectados com o HIV, pouco sabiam em relação ao vírus, ao tratamento e à prevenção, tinham dificuldade em relatar suas queixas e praticamente não participavam do tratamento, prejudicando, assim, a adesão. A farmacêutica, então, criou o Plano de Atendimento Individual Multiprofissional (PAIM), premiado, em 2011, na 11ª Mostra Nacional de Experiências Bem Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças, do Ministério da Saúde. O Plano consiste na aplicação de protocolos de assistência com o objetivo de acompanhar individualmente os pacientes em tratamento antirretroviral, conta com o apoio da equipe multiprofissional do PAM e dos funcionários da recepção que, quando detectam pacientes com falhas de adesão, os encaminham para serem atendidos e acompanhados por Maire. Embora seja paciente do PAM Salgadinho desde 1996, Jadson Andrade conta que nunca tinha aderido ao tratamento até conhecer o trabalho singular da Maire. Há dois anos, quando adoeceu, o médico infectologista o encaminhou a Maire e, a partir daí, tudo mudou. “Ela me viu de forma diferente, me apoiou e procurou conhecer além do paciente, o cidadão Jadson, que naquele momento precisava não só de remédios, mas de carinho e compreensão”, lembra. O resultado? Depois de 15 anos com o vírus, Jadson hoje está “super-feliz”, trabalhando e amando a vida de forma intensa. Seu agradecimento a Maire é emocionado: “O trabalho dela é diferente, é humano”.

Resultados positivos

Atento à realidade do país, Liporage sabe que faltam equipes multiprofissionais em número suficiente para um trabalho de assistência ideal. Para levar sua contribuição a nível nacional, o farmacêutico, que também é pesquisador, investe na criação de um call-center em Assistência Farmacêutica e Medicamentos, a ser implantado no segundo semestre de 2013, que permitirá a profissionais de saúde e usuários do país o acesso a informações sobre onde conseguir medicamentos, quais os documentos necessários para obtê- los etc. Uma das maiores alegrias de Liporage, que se orgulha de ter estudado em escolas públicas e hoje integra uma das maiores instituições públicas do país, é poder ver os pacientes que trata vivos e com qualidade de vida. “O principal é saber que podemos fazer a diferença na vida deles”, afirma. Realizada profissionalmente, Maire colhe frutos dos sete anos de trabalho com pessoas com HIV/aids. Desde 2010, mais de 200 pacientes já passaram pelo Plano de Atendimento Individual Multiprofissional. Desses, 99% tiveram aumento de CD4+, maior assiduidade ao serviço, entrosamento com a equipe e um dos ingredientes mais importantes para os pacientes: motivação. “O Plano prevê que todo paciente que cumprir as recomendações da equipe, ao final do ano, receba um ‘Certificado de Parabéns’, que é uma estratégia para envolvê-lo como agente ativo em seu processo de cuidado”, conclui a farmacêutica. SV

Se você tem uma boa história para contar sobre a relação entre profissional de saúde e paciente, escreva para nós: contato@saberviver.org.br.

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