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Saber Viver » Saber Viver n.16

06/2002

Nada acontece por acaso. Seja feliz e pronto!

Tenho 32 anos, sou casada, mãe de um casal de filhos. O meu marido era usuário de drogas desde o tempo em que namorávamos. Com 18 anos eu engravidei e acabei casando com ele. Cuidei dos meus estudos, passei no vestibular, estudei e trabalhei ao mesmo tempo. Enquanto isso, ele se alucinava no mundo de ilusões. Finalmente, consegui me formar, passei em um concurso público e resolvi cuidar dele. Aluguei um apartamento, mobiliamos juntos, demonstrei para ele todo o meu amor e ele resolveu deixar as drogas. Foi uma batalha, mas nós a vencemos. Vida estruturada, amor recuperado, felicidade jamais vivida, resolvemos ter outro filho. Os céus estavam ao nosso favor: um casal de filhos era tudo que nós queríamos, depois de tanta tempestade. No ano de 1995 começou o nosso pesadelo. Mortes foram acontecendo sucessivamente no ciclo de amizades que ele freqüentava. Todos com o mesmo diagnóstico: Aids. Fiquei com medo, e a pergunta que não se calava: “será que o meu marido também tem?”. Mas, quando eu tocava no assunto, ele dizia que tinha certeza que não e mostrava o nosso filho que sempre fora tão saudável. Os anos se passaram e tudo caiu no esquecimento. Em 1998 o meu marido adoeceu e para tristeza geral fez o exame e descobriu que é HIV positivo. Entrei em pânico. A doutora disse que minhas chances eram poucas. Fiquei com muita raiva e decidi que se eu estivesse doente iria seguir o meu caminho sozinha. Eu tive um medo que eu nunca esqueci. Fiz vários exames. Todos deram negativo. Esses resultados me deram força para ajudá-lo. A família dele praticamente nos abandonou. Os exames e laudo médicos diziam que ele estava na fase terminal, mas nada me desanimou. Cuidei dele. Além dos remédios, dei amor, dei carinho, dei aconchego, dei atenção. Foi suficiente. Aos poucos ele foi se restabelecendo, recuperou peso e finalmente voltou a sorrir. Durante todo esse período fizemos um pacto que jamais contaríamos a ninguém o que havia acontecido, principalmente para os nossos filhos. Decidimos fazer isso para poupar as crianças dos preconceitos que todos nós sabemos que existem.

Até hoje não tenho nada e estamos todos muito felizes. Por isso resolvi contar a minha história. Às vezes conto esta história para minhas amigas como se fosse outra pessoa e elas dizem que jamais ficariam neste casamento. Mas não me arrependo, sou muito feliz e o principal é que a cada dia amo mais o meu marido. Hoje tenho meu lema de vida: nada acontece por acaso. Seja feliz e pronto!”

M.J.S. – Brasília – DF
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