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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.20

09/2010

Notícias da conferência internacional de AIDS

Anotícia mais comentada desta Conferência Internacional de Aids realizada em julho na cidade de Viena, na Áustria, foi o anúncio do gel à base de tenofovir, que mostrou ser eficaz na prevenção do HIV/aids em mulheres. O estudo Caprisa com mulheres em Durban, na África do Sul, aponta para uma redução de 39% na infecção pelo HIV em mulheres que utilizaram o gel. A notícia foi recebida com entusiasmo pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “Assim que os resultados forem confirmados, com a garantia de segurança e eficácia do gel, vamos trabalhar com países e parceiros para facilitar o acesso ao produto”, afirmou a diretora geral da OMS, Margaret Chan. Durante o estudo, as mulheres usavam o gel antes e depois das relações sexuais. Ao final, 98 mulheres foram diagnosticadas com HIV, 38 no grupo do gel com tenofovir e 60 no grupo do placebo.

Vacina HPV em homens
Uma pesquisa envolvendo homens com até 26 anos de idade revelou que a vacina anti-HPV, disponível atualmente apenas para meninas que não iniciaram a vida sexual, protege também os rapazes de verrugas genitais e câncer anal provocados pelo HPV (vírus do papiloma humano). A vacina mostrou eficácia de 90,4% na prevenção das verrugas genitais observadas em homens tanto na região anal, quanto na peniana. O estudo foi realizado em 18 países e contou com 4.065 voluntários de pesquisa.

Vitamina D e Antioxidantes
Um estudo piloto realizado pela Escola de Saúde Pública de Harvard (EUA), com 25 voluntários de pesquisa, indica que um suplemento antioxidante (um único comprimido contendo complexo B, vitaminas C e E, selênio, zinco, N-acetilcisteína e ácido alfa lipóico) estimula a reconstrução imunológica, reduz o dano mitocondrial (retardando a lipodistrofia) e ainda melhora a resistência à insulina (evitando o diabetes). Os pesquisadores ficaram animados e planejam um estudo maior para entender melhor o impacto dos antioxidantes nas pessoas com HIV/aids.

Em relação à vitamina D, vários estudos revelaram que as pessoas com HIV/aids em tratamento com antirretrovirais (ARVs) podem ter uma deficiência dessa vitamina no organismo, facilitando o surgimentos de doenças como a osteoporose. A vitamina D é responsável pela absorção do cálcio após exposição ao sol – essencial para o desenvolvimento de ossos e dentes – e tem um importante papel no fortalecimento do sistema imunológico, do coração e do cérebro. Novos estudos estão sendo conduzidos para definir como a vitamina D pode ser utilizada no tratamento.

Novos ARVs
De todos os antirretrovirais que estão em estudo no momento, a rilpivirina (TMC278) deve ser o próximo medicamento a ser aprovado para uso em pessoas com HIV/aids. É um Inibidor Não Nucleosídeo da Transcriptase Reversa (INNTR) que apresentou maior potência e menos efeitos colaterais quando comparado ao efavirenz.

Outro medicamento que entusiasmou os presentes na Conferência Internacional de Aids em Viena foi o GSK572. O novo Inibidor de Integrase se mostrou bastante eficaz em pacientes virgens de tratamento que estão iniciando a terapia com ARVs, e também naqueles que já falharam com o raltegravir e estão sem opções de tratamento. O GSK572 deve ser disponibilizado para uso até o final de 2011.

Quando iniciar ARVs?
O novo guia de tratamento divulgado pela Sociedade Internacional de Aids (IAS, sigla em inglês) recomenda o início da terapia com ARVs quando o paciente tiver CD4 igual ou inferior a 500. E sugere a terapia com ARVs para pacientes com CD4 maior que 500 no caso de grávidas, pessoas acima de 60 anos, pacientes co-infectados com hepatites B ou C, doenças renais e/ou oportunistas, e em casos de alto risco de transmissão, como os casais sorodiscordantes. “Há evidências de que os danos ao sistema imunológico iniciam durante a infecção assintomática pelo HIV, ressaltando o potencial benefício dos ARVs, mesmo quando o risco de tradicionais doenças relacionadas ao HIV/aids for relativamente baixo” afirma o guia da IAS. No Brasil, recomenda-se o início da terapia com CD4 igual ou inferior a 350. O consenso terapêutico brasileiro sugere, no entanto, que a terapia só seja iniciada até que a importância da adesão ao tratamento seja entendida e aceita pelo paciente.

BRASILEIRA APRESENTA ESTUDO INÉDITO EM VIENA
A pesquisadora Monica Malta, do Departamento de Ciências Sociais/ENSP da Fundação Oswaldo Cruz apresentou durante a 18ª Conferência Internacional de Aids o primeiro estudo com informações nacionais sobre os casos de aids que são diagnosticados apenas após a morte dos pacientes. Monica Malta analisou 386.209 casos registrados no Brasil entre 1998 e 2008. Desses, 141.004, ou seja 36.5%, haviam morrido até agosto de 2008, e cerca de 20% morreram sem saber que tinham aids, com o diagnóstico só feito após o óbito. “O estudo é um alerta a todos nós, que estamos vivendo com HIV/aids ou trabalhando em prol de pessoas vivendo com a infecção”, diz a pesquisadora.

Foram analisados todos os casos confirmados da doença e não aqueles em que havia apenas infecção pelo HIV. A análise revelou que 57,8% dos doentes não fizeram exame de carga viral e 48,6% não fizeram exame de CD4 nos dez anos pesquisados. Quando considerado apenas os usuários de drogas inejtáveis, as porcentagens são ainda maiores.

Alertas para profissionais de saúde
“Para profissionais de saúde e gestores, a lição de casa é que precisamos melhorar o acesso ao diagnóstico precoce e, para aqueles pacientes que recebem um diagnóstico HIV-positivo, precisamos assegurar o acompanhamento necessário e aderência do paciente ao tratamento, para podermos acompanhar a pessoa e iniciar o tratamento antirretroviral no momento oportuno e não tardiamente”, aconselha Monica.

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