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Saber Viver » Saber Viver n.40

09/2007

Novos remédios, mais opções

Darunavir, novo inibidor de protease, estará disponível no Brasil no início de 2008 e beneficiará várias pessoas que não têm mais opção de tratamento contra a aids.

Carlos* trocou de combinação três vezes nos últimos dois anos, mas continua com carga viral elevada e CD4 baixo. Fez o exame de genotipagem (que ajuda a identificar qual, ou quais, medicamentos não fazem mais efeito no organismo) e mudou novamente a combinação, sem sucesso. Ganhou na justiça o direito de fazer o teste de fenotipagem no Sistema Único de Saúde (SUS), um exame muito mais detalhado que aponta opções de anti-retrovirais para o seu tratamento. Comprovou o que já suspeitava: nenhum dos medicamentos disponíveis no Brasil impedia a replicação do HIV no seu organismo. “Estou assustado. Sempre tive problemas com os remédios. Muito efeito colateral, muito enjôo. Às vezes, eu não tomava mesmo; outras, eu esquecia” conta. Provavelmente, a falta de cuidado com as tomadas dos medicamentos contribuiu para que o HIV no corpo de Carlos se tornasse resistente aos anti-retrovirais. Assim, mesmo morando em um país onde o tratamento contra a aids é gratuito e para todos, ele não tem mais opção de tratamento.

Cinco novidades
Carlos faz parte de um grupo de três mil brasileiros, segundo dados do Programa Nacional de DST/Aids, que aguarda, com ansiedade, a compra do darunavir pelo Ministério da Saúde – um inibidor de protease que deve ser incluído na rede pública no início de 2008.
Além do darunavir, outros quatro medicamentos, três deles para pacientes em falha de tratamento, como Carlos, poderão ser lançados nos próximos dois anos: o maraviroc, o raltegravir, o entravirina e o rilpivirina (TMC-278), este último indicado para quem vai começar o tratamento.

*Nome fictício

NOVAS CLASSES: INIBIDORES DE CCR5 E DE INTEGRASE
Omaraviroc é um inibidor de CCR5, uma classe nova de medicamentos, que deve chegar ao Brasil em meados de 2008. Antes de tomar o remédio, a pessoa deve fazer um exame especial para saber se o seu organismo possui a proteína CCR5, que não é encontrada em todas as pessoas. O medicamento é indicado apenas para pessoas que tiverem o resultado positivo.
O raltegravir também é de uma classe nova de medicamentos: os inibidores de integrase. Tem previsão de chegar ao Brasil até o final de 2008.
O entravirina é um inibidor da transcriptase reversa não-análogo de nucleosídeo esperado no Brasil para início de 2009.
O rilpivirina, outro não-análogo de nucleosídeo que, apesar de estar em fase adiantada de pesquisa, ainda não entrou com pedido de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

TOMAR CORRETAMENTE
“Nunca se viu na ciência da saúde uma evolução tão rápida quanto no tratamento e no diagnóstico para o HIV/aids. Mantemos contato direto com a Anvisa para agilizar a aprovação daqueles medicamentos considerados mais urgentes pelos usuários” diz Orival Silveira, chefe da unidade de assistência e tratamento do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde. Segundo ele, a aids está se tornando uma doença controlável por meio de tratamentos cada vez mais eficazes e com menos efeitos colaterais. “Porém, todo esse esforço deve contar com a participação das pessoas que estão em tratamento. Elas devem seguir, rigorosamente, os horários de tomadas dos medicamentos”, alerta.
Para encerrar, uma dica importante: se existe algum fator que impede que você tome os remédios nos horários programados, converse com o seu médico. Ele ajudará você a programar melhor o seu tratamento, aumentando o tempo de eficácia dos medicamentos.

“O resultado sai no mesmo dia”
Parceria de ONG com o Programa Municipal de DST e Aids de Marica (RJ) torna o município um centro de tratamento Como a maioria dos brasileiros, o cidadão de Maricá-RJ podia levar meses aguardando o resultado de um teste de CD4. A partir de setembro, graças à reinauguração de um laboratório no município, a realidade deve mudar muito por lá: “Agora o resultado pode sair no mesmo dia”, comemora o diretor do Grupo Pela Vidda/Niterói, Inácio Galdino de Queiroz. Ele explica que Maricá é um ponto estratégico na região leste-fluminense: “Niterói já está saturado de gente, e o novo serviço pode atender também ao pessoal de Itaboraí, Rio Bonito, Tanguá e a Baixada Litorânea”, afirma. Resultado da parceria entre o Pela Vidda/Niterói e o Programa Municipal de DST e Aids de Maricá, o novo laboratório já está resolvendo o problema de 208 pacientes.


Cidade amplia local para atendimento
A coordenadora do Programa Municipal de DST e Aids de Maricá, Cláudia dos Santos Rodrigues, não se contentou com o laboratório.
Considerando pequena a sala de atendimento do Programa, resolveu alugar uma casa de dois andares para abrigar o trabalho de uma equipe multidisciplinar. A casa, chamada de SAE ou Serviço de Assistência Especializada, também foi inaugurada em 31 de agosto. Ao lado do hospital, oferece atendimento em infectologia, ginecologia e psicologia, tem serviço de enfermagem, aulas de hidroginástica e, para completar, brinquedoteca onde as mães podem deixar os filhos enquanto cuidam de si: “Não temos pacientes pediátricos no Programa”, observa Cláudia. Ela pretende introduzir em breve o teste de carga viral no município.
Muito planos para o futuro Cláudia Rodrigues tem outros projetos para o SAE. Contando com a parceria das ONGs Grupo Pela Vidda e Guardiões do Mar, ela pensa em dar possibilidade de trabalho aos pacientes. Para tanto, já estão sendo adquiridos os equipamentos para uma fábrica de fraldas: “A maioria dos pacientes não tem renda, precisamos adotar critérios de seleção para escolher quem vamos capacitar”, explica. Além de fabricar fraldas, pode ser que os pacientes também fabriquem móveis. Pelo menos essa é mais uma idéia de Cláudia: “Minha bateria não acaba”, observa ela.

 

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