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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.11

12/2007

Aids em 2007

Boletim Epidemiológico e relatório da Unaids: dados da epidemia no Brasil e no mundo

A epidemia de aids no Brasil tende a estabilizar-se nas regiões Sul, Sudeste e Centro- Oeste e a crescer no Norte e Nordeste do país. Essa é uma das conclusões do Boletim Epidemiológico 2007, divulgado em novembro. Para Mariângela Simão, diretora do Programa Nacional de DST/Aids há “uma leve tendência de aumento da mortalidade” nas regiões Norte e Nordeste do país. Já a região Sudeste registrou o maior percentual de pessoas que continuaram vivas, cinco anos após terem detectado a infecção por HIV: 90%. Seguida do Sul (82%), Nordeste (81%), Centro-Oeste (80%) e Norte (78%).

De acordo com Mariângela Simão, os números refletem o problema do diagnóstico tardio e as desigualdades regionais do Sistema Único de Saúde (SUS). “Nosso desafio é reforçar a qualidade da assistência do SUS e ampliar o diagnóstico precoce da infecção pelo HIV, seja nos exames de rotina na rede pública seja no uso do teste rápido”.

AIDS CRESCE MAIS ENTRE HOMENS HETEROSSEXUAIS E MULHERES
Segundo o Boletim, o número de casos de aids está estável entre os homens homossexuais e diminuiu entre os que usam drogas injetáveis, mas cresce entre homens e mulheres heterossexuais. O levantamento revela ainda que a razão entre homens e mulheres infectados pelo HIV mudou muito no Brasil nos últimos anos: Se em 1985, havia 15 homens infectados para 1 mulher; hoje, a proporção é de 1,5 para 1. “Ainda existe no imaginário coletivo a idéia de que a mulher não faz parte do grupo de risco, quando, na verdade, não há grupo de risco”, comentou a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão.

Desde o início da epidemia, foram notificados 474.273 casos de Aids em todo o Brasil, sendo 13.071 nos seis primeiros meses deste ano. De acordo com o novo Boletim, 86% dos municípios brasileiros já registraram um caso de aids.

Entre 1980 e 2006, o Brasil registrou 192.709 óbitos decorrentes da aids, sendo 9.561 só no ano passado. Número que mantêm a média de 11 mil óbitos por ano, uma vez que os dados recentemente divulgados
são preliminares.

MORTALIDADE POR AIDS CONTINUA ALTA NO MUNDO
Relatório divulgado pela Unaids, Programa das Nações Unidas para HIV/Aids, mostra que a agência superestimou o número de casos de HIV em todo mundo, embora o número permaneça crescente. Em 2006, a Unaids previu 39,5 milhões de pessoas infectadas com o vírus da aids. A metodologia foi revista para 2007 quando se estima que 33,2 milhões de pessoas estão infectadas pelo HIV. A razão para a redução nos números globais da doença no último ano foi a recente revisão das estimativas na Índia, e as revisões feitas em cinco países da África subsaariana (Angola, Quênia, Moçambique, Nigéria e Zimbábue) em 2006.

Autoridades da Unaids e da OMS afirmam que estas novas estimativas não mudam a necessidade de ação imediata e de aumento das verbas para dar acesso universal ao tratamento, serviços de apoio e prevenção do HIV. Apesar de o investimento em tratamento contínuo e a prevenção estarem apresentando bons resultados em alguns países, a mortalidade causada pela aids continua alta no mundo.

NOVAS INFECÇÕES
O relatório da Unaids afirma que, em 2007, 2,5 milhões foram infectados pelo HIV e outros 2,1 milhões morreram devido à aids. A maioria das infecções e óbitos ocorreu na África subsaariana, a região mais afetada pela doença, com 68% do total do mundo. Na América Latina, segundo a agência da ONU, 100 mil novas pessoas foram infectadas pelo HIV em 2007, alcançando 1,6 milhões em todo o continente, e 58 mil óbitos foram registrados na região no último ano. O Brasil responde por quase um terço de todos os infectados no continente.

VULNERABILIDADE FEMININA
“O rosto da Aids é cada vez mais jovem e feminino”, descreveu Kathleen Cravero, diretora executiva do Unaids. As mulheres representam metade dos adultos vivendo com o HIV e a proporção sobe para 60% na região mais castigada pela epidemia, a África Subsaariana. Nessa região, três quartos de todas as pessoas infectadas entre 15 e 24 anos são meninas e jovens mulheres.

Segundo o documento do Unaids, as adolescentes estão adquirindo o vírus em idades cada vez menores e de homens mais velhos. A violência contra a mulher é um dos fatores que as tornam vulneráveis à infecção.

O relatório diz ainda que muitas mulheres não têm acesso à educação e ao emprego e que a dependência em relação ao homem contribui para a vulnerabilidade feminina, já que elas não têm poder para resistir ao sexo indesejado ou pedir a seus maridos e parceiros que usem preservativos.

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