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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.21

12/2010

Nutrição e AIDS

Em um serviço de saúde, se a equipe multidisciplinar não dispõe de nutricionista, os pacientes podem não estar tirando proveito de todas as possibilidades de um bom tratamento contra o HIV/aids. Na era pós-terapia antirretroviral potente (HAART), quando as pessoas vivem mais e melhor com HIV, o papel da nutrição assume lugar de destaque no fortalecimento imunológico, reduzindo o risco de doenças e melhorando a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV. É o que acreditam as nutricionistas Jamile Almeida Baptista e Sandra Cássia Sampaio Cardoso, do Centro Especializado em Diagnóstico, Assistência e Pesquisa (CEDAP), em Salvador, Bahia. Para elas, através da abordagem destes profissionais é possível realizar uma avaliação que serve como parâmetro para que a equipe possa entender as relações entre o estado nutricional do indivíduo e interferências na terapêutica da doença.

Fator de proteção
“Percebe-se cada vez mais a eficácia do tratamento das pessoas vivendo com HIV/aids quando os profissionais da equipe multidisciplinar mostram-se capazes de envolvê-las em sua recuperação e adaptação ao novo estilo de vida”, afirma Jamile. “Neste contexto, considerando o papel da nutrição como fator de proteção ou de risco para o aparecimento de comorbidades, o aconselhamento dietético surge como uma ação integrada às demais ações da equipe multidisciplinar”, explica Sandra.

Sabemos, entretanto, que nem todos os serviços contam com estes profissionais. “Sem eles, infelizmente, o paciente fica sem orientação específica que o auxilie quanto a uma alimentação adequada e individualizada”, afirma a nutricionista Marlete Pereira da Silva, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, no Rio de Janeiro.

Os novos desafios da nutrição
Sem dúvida, a introdução do tratamento com antirretrovirais (ARVs) modificou o perfil nutricional das pessoas vivendo com HIV/aids e, consequentemente, a atuação do profissional da nutrição. Se, por um lado, o sucesso da HAART levou à redução da morbimortalidade, por outro lado, observou-se a associação com os efeitos colaterais da terapia, como dislipidemia e hiperglicemia. “Com o uso de antirretrovirais, foi acrescida ao nutricionista mais uma preocupação, que é a interação droga-nutriente e o seu efeito adverso no perfil lipídico”, resume Marlete.

Alterações metabólicas
Jamile e Sandra observam que, antes da terapia antirretroviral, a perda de peso e a desnutrição eram os maiores problemas nutricionais para este grupo. Atualmente, temos uma realidade diferente: o ganho de peso, a redistribuição de gordura e a obesi-dade são os maiores desafios nutricionais das pessoas em uso de ARVs.

Muitas vezes, para controlar as alterações metabólicas e diminuir o risco de problemas cardiovasculares, uma dieta nutricional adequada é suficiente. Nessas horas, o trabalho do profissional de nutrição é de grande valia. “O nutricionista passa a ser mais um importante parceiro na detecção precoce destas alterações através da anamnese alimentar, solicitação de exames bioquímicos, da realização de antropometria a cada consulta e sensibilização do indivíduo à prática da atividade física e consumo adequado de nutrientes específicos para controle destas alterações”, diz Jamile. 

O exemplo do CEDAP

Visando atingir todos esses cuidados, o CEDAP, em Salvador-BA, abraça, além das consultas nutricionais tradicionais, um programa de suplementação nutricional que atende cerca de 40 pessoas. “Elas recebem suplemento nutricional, cujo critério de inclusão é a presença de lipodistrofia, magreza ou perda ponderal importante após internamento recente”, explica Jamile. “Outra atividade realizada é a sala de espera em conjunto com outros profissionais da unidade, onde são discutidos temas de interesse dessas pessoas”, lembra a colega Sandra.
As profissionais afirmam que durante a realização das atividades surgem empecilhos, mas também conquistas, o que as leva a acreditar que, apesar de a terapêutica ser desafiadora, é possível, com a nutrição, melhorar a saúde e qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV/aids.

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