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Saber Viver » Saber Viver n.14

02/2002

O futuro como deve ser: cheio de planos e otimismo

Havia um tempo em que a pessoa contaminada pelo HIV, pensando estar no fim da vida, não tinha mais planos para o futuro. Para os menos favorecidos, conseguir doações de alimentos era sua maior ambição. Mas muita coisa mudou. Hoje, as pessoas soropositivas estão indo à luta por uma vida melhor. Ficar só esperando pela caridade dos outros não está com nada! Conseguir se estruturar física e psicologicamente e se capacitar para o trabalho está na ordem do dia.

Cíntia (foto) é soropositiva, tem 20 anos e participa do projeto de geração de renda do Instituto Família e Aids de Salvador (BA). Ela é uma das alunas do curso de capacitação para agente comercial. Seu marido está se especializando em captação de clientes. Os dois vão trabalhar, sob o sistema de cooperativa, num dos empreendimentos do projeto: uma lavanderia. Seus três filhos poderão ficar numa creche parceira do Instituto. Hoje, Cíntia está muito mais segura em relação ao futuro. Mas nem sempre foi assim: “Minha família me discriminava, eu tinha medo de ter que fazer o exame do HIV para conseguir emprego e vivia pulando de casa em casa me oferecendo para lavar roupas. Um dia, procurei o Gapa-Bahia (ONG em Salvador) em busca de uma cesta básica e fiquei sabendo do projeto de geração de renda do Instituto Família Aids. Desde que entrei para esse projeto, minha vida mudou para muito melhor”, conta Cíntia.

Um lugar ao sol
O objetivo do Instituto Família Aids é ajudar na reestruturação de famílias afetadas pela Aids em Salvador, estimulando a profissionalização de pessoas soropositivas e a conseqüente conquista do mercado de trabalho. Uma parceria firmada com o Serviço de Atendimento ao Cidadão de Salvador (SAC) já possibilitou que diversos participantes do projeto fossem encaminhados a trabalhos condizentes com suas habilidades. No entanto, existe uma demanda enorme de pessoas soropositivas que, por falta de qualificação, não conseguem emprego. Pior ainda é a situação de algumas famílias que procuram o instituto sem ter nem mesmo onde morar e o que comer. Robson, um dos coordenadores do projeto de geração de renda do Instituto Família e Aids, conta que, nesses casos, o primeiro passo é conseguir moradia e alimentos. Mas essa faceta assistencialista do Instituto é apenas emergencial. “Nossa intenção é dar suporte para que a pessoa soropositiva possa se fortalecer”, diz Robson. Nos freqüentes encontros com os coordenadores do projeto, as famílias assistidas aprendem a organizar seu orçamento, a definir prioridades e ainda conversam sobre o tratamento e a vida familiar. Tudo isso contribui para o próximo passo do projeto: a profissionalização e a conquista de um lugar no mercado de trabalho.

Além da lavanderia, o Instituto Família e Aids, em parceria com o Sebrae, também está capacitando pessoas para trabalhar na reciclagem de alumínio. Espera-se que, em breve, estes dois empreendimentos estejam empregando 20 famílias. “Estamos procurando mais parceiros para ampliar nosso alcance, pois temos, pelo menos, 40 famílias na fila de espera”, conta Robson.

Iniciativa pioneira em Niterói

O projeto Criança = Vida dá suporte a crianças que freqüentam o ambulatório de HIV/Aids do Centro Previdenciário de Niterói (CPN) e a seus familiares. Com a distribuição de cestas básicas e doações de padrinhos sociais, quarenta crianças são beneficiadas pelo projeto, mas muitas ainda estão na fila de espera. Apesar de considerar importante esse trabalho assistencial calcado em doações, Virgínia Soares Moreira, assistente social coordenadora do projeto, entendeu que precisava ir além. “Queríamos proporcionar a essas famílias a oportunidade de se reerguerem, tornando-se produtivas e caminhando com suas próprias pernas”, diz ela.

Com a ajuda financeira do Ministério da Saúde, em 2001, foram oferecidos quatro cursos com o intuito de ajudar as famílias participantes do projeto a terem seu próprio sustento. “Pensamos em coisas que também pudessem ser feitas em casa e com baixo custo”, explica Virgínia.
Foram abertas dez vagas para cada curso – de culinária, artesanato, bijuteria e cartonagem – mas para surpresa da equipe do projeto, poucas pessoas freqüentaram as aulas, ministradas no atelier do Grupo Pela Vidda – Niterói. No entanto, ao término dos cursos, o sucesso alcançando pelos participantes levou outros pais e mães a se interessarem em aprender a fazer seus próprios produtos e vendê-los. Para atender a essa demanda, novos cursos foram iniciados, agora com um número bem maior de alunos.

Mais auto-estima e dinheiro
Mães de crianças atendidas no ambulatório do CPN, Solange* e Valmira* resolveram não ficar só à espera de ajuda e começaram a investir na sua criatividade, se inscrevendo em vários cursos. Hoje, expõem e vendem o resultado do seu empenho em bazares e para conhecidos. Para Solange, o mais importante, independente da renda que seu trabalho possa gerar, foi o fortalecimento do seu amor próprio, que andava em baixa. “Eu era muito nervosa e agora estou bem melhor”, diz ela. Já Valmira entrou nos quatro cursos oferecidos pensando no dinheiro que poderia ganhar, pois cria dois filhos sozinha. “Vim por causa da minha situação financeira, mas tive outros ganhos. Fiz novos amigos e conheci o Grupo Pela Vidda”, conta ela. Quando pensa no futuro, Valmira só vê coisas boas: “Pretendo continuar produzindo bijuterias e pintura em tecido, quero montar uma banca junto com minhas amigas para vender nosso material e ganhar muito dinheiro para manter meus filhos”, diz ela.
* Nome fictício

Para quem precisa de ajuda e para quem pode ajudar

Salvador – Bahia
Instituto Família e Aids
Tel/fax (71) 480 0048 – ifaes@zipmail.com.br
Gapa-Bahia
Rua Comendador Gomes Costa, 39 – Barris
Tel (71) 328 4270 – (71) 328 4623
gapaba@svn.com.br

Niterói – Rio de Janeiro
Criança = Vida / Pela Vidda Niterói
Tel (21) 2719 3793 – (21) 2719 5683
CPN: Tel (21) 2620 0088 R: 218

Fortaleza – Ceará
Fábrica de Imagens / Hospital São José
Av. Godofredo Maciel, 2290/ S21 – Shopping Maraponga – Tel (85) 296 9829 – (85) 9999 4664 (Marcos ou Christiane)


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