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Saber Viver » Saber Viver n.15

04/2002

O Impacto da Aids nas artes

Há tempos a Aids inspira a criação artística. Dezenas de filmes, livros e obras de arte têm levantado questões que fazem parte da vida de quem vive com o HIV. Oferecemos a você uma seleção desses trabalhos que pode ajudá-lo a refletir melhor não só sobre a Aids, mas também sobre o nosso tempo. É verdade que muita coisa mudou na última década. Você vai perceber que livros e filmes mais antigos ainda encaram a Aids como sinônimo de morte. Mas sentimentos como medo, solidão e esperança estão sempre presentes em todos os tempos e em todas pessoas.

A arte tem o poder de levar tanto o artista quanto o expectador a um mergulho interior profundo. Júlia*, 26 anos, experimentou essa sensação ao buscar “no fundo do baú” emoções que andavam esquecidas e fez da sua história um dos emocionantes relatos do livro Histórias de Coragem – A realidade de quem vive com HIV/Aids, da editora Madras.

Assim como acontece na arte, colocar sua vida no papel foi, para Julia, um processo libertador. “Só agora me sinto uma pessoa feliz e completa”, diz ela. “Eu havia construído uma fortaleza dentro e em volta de mim para suportar o fato de ser soropositiva. Isso fez com que eu me perdesse de mim mesma. Para escrever o meu relato tive que resgatar meu passado. Fiz perguntas aos meus pais, reli cartas antigas que escrevi, passei de novo por toda a tristeza, desilusão e desespero de tempos atrás”, conta Júlia. “Ao escrever o livro, desmistifiquei alguns medos e fui dando um novo significado à minha história. Passei a entendê-la de uma forma positiva, mais madura. Quando terminei, fiquei muito satisfeita comigo mesmo. Gostei muito do que havia escrito e sabia que minha história seria uma das escolhidas. Escrevê-la resgatou minha crença em mim mesma”.

Júlia aconselha todos a dar esse mergulho profundo, a estabelecer contato com seus sentimentos, seja através da escrita ou de outra forma de arte: “Não adianta tentar esquecer-se de si. Deve-se tentar, sim, dar um novo significado ao sofrimento e tirar proveito dele. Para mim, foi muito bom ter me enxergado melhor”.

Peça aborda Aids com leveza
Que tal começar seu mergulho interior pelo teatro? Quem convida é Márcia Portela, autora e atriz de Sinal de Alerta, peça que aborda a questão da Aids, em cartaz no Rio de Janeiro. “A encenação tem o intuito não só de alertar a sociedade sobre o perigo da contaminação pelo HIV, mas também de sensibilizá-la para a experiência de se viver com Aids”, conta Márcia. A protagonista é uma mulher jovem que descobre ser soropositiva ao ficar grávida. Sua trajetória é contada com leveza, esperança e amor. Márcia pretende levar grupos de estudantes, seus pais e pessoas soropositivas para assistir a peça.

* Nome fictício

TEATRO

Sinal de Alerta

De Márcia Portela

Cineteatro do Museu Nacional de Belas Artes, Terças e quartas às 14h00, Estréia: 12 de março, End: Av. Rio Branco, 199 – Centro – Rio de Janeiro – RJ – Informações: (21) 9952 8496

 LIVROS

Histórias de coragem – A realidade de quem vive com HIV/Aids – Autores diversos Editora Madras.

Tel: (11) 6959 1129 mkt@madras.com.br

14 relatos corajosos de quem aprendeu a viver com o HIV

Depois daquela viagem

Valéria Polizzi

Editora Ática

Diário de uma adolescente que se descobre portadora do vírus da Aids

Rock in Positivo. Um adolescente que decidiu viver com Aids
Cazu Barroz
Editora JWM
Tel. (21)2530 2489
cazubarroz@globo.com
Autobiografia de um jovem que se contaminou aos 17 anos de idade.

Histórias positivas – A literatura (des) construindo a Aids
Marcelo Secron Bessa
Editora Record
Um estudo sobre o tema Aids dentro da literatura

Os Dragões não conhecem o paraíso

Caio Fernando Abreu

Editora Companhia das Letras

São treze histórias sobre homens e mulheres em permanente estado de ameaça por todos os vírus do fim do milênio – da solidão e violência à Aids.

Daniel e Letícia
Editora Ave Maria
Tel: (11) 3825 8033
Um convite ao diálogo entre adultos e crianças sobre os diferentes aspectos da Aids, contribuindo para a construção de valores que superem estereótipos.

Vida Antes da morte
Herbert Daniel
Abia – Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids
Tel: (21) 2223 1040
abia@ax.apc.org
O livro reúne textos que celebram a vida e a liberdade.

 

FILMES

Filadélfia (EUA, 1993)

Dir. Jonathan Demme

Advogado luta contra o preconceito e a discriminação contra gays e doentes de Aids. Oscar de melhor ator para Tom Hanks. Com Denzel Washington e Antonio Banderas.

Em noite de lua de cheia (Itália, 1989)

Dir. Lina Wertimuller

Um jornalista se faz passar por soropositivo para avaliar como a paranóia da Aids afeta o comportamento das pessoas. Com Nastassja Kinski e Faye Dunaway.

E a vida continua (EUA, 1993)

Dir. Roger Spottiswoode

Misto de documentário e drama, segue de forma bastante didática, os passos da Aids, desde seu surgimento até a virada da década de 90. Com Matthew Modine.

A cura (EUA, 1995)

Dir. Peter Horton

A amizade entre dois meninos, um com Aids e o outro não, nos faz refletir sobre questões complexas, como preconceito e isolamento, sem deixar de lado a leveza e ingenuidade infantil.

Jeffrey – De caso com a vida (EUA, 1995)
Dir. Christopher Ashley
Com medo de pegar Aids, Jeffrey desiste de fazer sexo. Até que se apaixona por um rapaz soropositivo.

Noites felinas (França, 1992) Dir. Cyril Collard
Filme autobiográfico. Dono de uma beleza estonteante, Jean, mesmo sabendo ser soropositivo, transa com homens e mulheres, mantendo-se em silêncio sobre o assunto.

Caminhos cruzados (EUA, 1989)
Dir. Robert Epstein e Jeffrey Friedman
Ganhador do Oscar de melhor documentário, o filme acompanha a trajetória da Aids, desde 1981 até 1989, quando era chamada de peste gay.

Gia – Fama e destruição (EUA, 1997)
Dir. Michael Christopher
Biografia de uma top model que destruiu sua carreira e sua vida por causa das drogas. Com Angelina Jolie e Faye Dunaway

EXPOSIÇÃO

A cultura em tempos de Aids

O conjunto de imagens de 20 artistas cariocas propõe ao expectador um contato com o imaginário artístico contemporâneo, onde a Aids exerce influência fundamental.

Galeria Faperj do Museu Nacional de Belas Artes. De 1 a 30 de março. End: Av. Rio Branco, 199 – Centro. Rio de Janeiro – RJ

 

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