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Saber Viver » Saber Viver n.36

06/2006

O novo rumo da nossa pequena tripulante…

A Família Schürmann é conhecida por suas expedições marítimas e pelo instituto que possui de preservação da natureza e educação ambiental.

Família Schürmann

Desde que nasceu, Kat lutava bravamente para viver e aproveitar intensamente cada instante junto à família, amigos e à natureza, que tanto amava e defendia.
Não era a primeira vez que, rapidamente, um pequeno resfriado transformava-se em um princípio de pneumonia e debilitava a nossa mais jovem tripulante. Mas, repentinamente, a vontade de Kat, feito uma forte rajada de vento, enchia o seu espírito de vida e tudo não passava de um susto. Mas desta vez, não deu…
Muitos não sabem, mas Kat era soropositiva desde que nasceu. Nós a adotamos ainda pequena, na Nova Zelândia, sabendo de sua condição. Sua mãe já havia partido, e o pai viria a nos deixar anos depois.
Claro, sabíamos que seria muito difícil. Kat era muito pequena, o seu estado de saúde sempre foi preocupante. Kat já havia nascido com esse desafio de saúde, bastante debilitada. Quando a conhecemos, exigia sérios cuidados. Mas não poderíamos deixar de dar uma chance àquele anjinho de lutar pela vida. Ela queria viver! Estava em seu olhar!
E foi a decisão mais importante que tomamos na vida! Com o passar dos anos e a evolução da sua saúde, da medicina e, acima de tudo, da sua vontade, tínhamos a esperança de tê-la entre nós por muito e muito tempo. Mas, em 29 de maio, ela partiu…
Acreditem, foram os anos mais felizes de nossas vidas… Kat sempre foi muito especial e deixou mais exemplos e ensinamentos do que muitos que viveram décadas…
São lições que marcarão as nossas vidas e de todos aqueles que com ela conviveram. Kat sempre lutou bravamente contra a doença, sempre debateu a questão do preconceito, a importância do amor e da família.
A luta de uma criança contra essa doença é inglória! Noites mal dormidas, remédios, malestar, hospitais, entre outros fatores, são capazes de tirar a alegria mesmo desses pequeninos cheios de luz e energia.
Mas nada é pior do que o preconceito e a falta de amor! Kat sempre pedia para as pessoas não julgarem as crianças que tinham qualquer limitação, porque ela sempre foi discriminada pelo seu tamanho e forma de caminhar.
Kat foi e sempre será muito amada, viveu intensamente cada segundo de sua vida, conheceu diferentes lugares em todo o mundo e sempre contou com apoio da sua família. Por isso, temos a convicção de que partiu em paz, cheia de amor e grandes lembranças.
Infelizmente, essa não é a realidade da maioria das crianças que sofrem de alguma condição de saúde e que convivem com o preconceito, a falta de recursos e de calor humano… O desejo de Kat era mudar tudo
isso… Como o nosso era tê-la para sempre!
Despedimos-nos da nossa marinheira Kat em uma cerimônia íntima e familiar. Suas cinzas serão levadas para Nova Zelândia, onde ela descansará ao lado de Robert e Jeanne, seus pais biológicos, cumprindo, assim, uma promessa que selamos com eles.

 

 

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