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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.17

10/2009

O perigo das DST

A DST não tratada aumenta em até 18 vezes o risco de o paciente contrair o HIV/aids

Uma pesquisa divulgada recentemente pelo Ministério da Saúde revelou um dado preocupante: 10,3 milhões de brasileiros já tiveram algum sinal ou sintoma de uma doença sexualmente transmissível (DST). A prevenção é usar preservativo nas relações sexuais, e o papel do profissional de saúde é fundamental, não apenas na prevenção, mas no diagnóstico e no tratamento das DST. No entanto, a mesma pesquisa constatou que nem sempre os pacientes com indícios de DST recebem as orientações adequadas.

Um paciente com DST tem um risco 18 vezes maior de contrair o HIV. “As lesões, feridas provocadas pelas DST, podem facilitar a transmissão do HIV. Quando duas ou mais infecções acometem o paciente, podem complicar a resposta imunológica e influenciar na queda imunológica”, explica o infectologista Gustavo Magalhães.

Embora o uso do preservativo seja a forma mais eficaz de se prevenir das DST, muitas pessoas resistem em usá-lo. O profissional de saúde deve estar preparado para vencer esta resistência. “É preciso conscientizar o paciente de que o não uso do preservativo pode acarretar a infecção das DST, além do HIV e de hepatites B e C”, sugere Marcelo Barbosa, assessor técnico da Unidade de DST do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

Alerta para o HIV
Quando umpaciente chega a uma unidade de saúde com a suspeita de DST, ele deve ser encaminhado imediatamente para fazer os exames. Se constatada a DST, o exame anti-HIV deve ser solicitado. “Se o paciente adquiriu uma DST, ocorreram relações sexuais sem proteção, o que traz risco também de infecção pelo HIV. Portanto, o médico sempre deve oferecer ao paciente o exame anti-HIV”, alerta Gustavo Magalhães.

O medo de estar infectado pelo vírus da aids inibe a aceitação em fazer o exame anti-HIV. Entretanto, uma vez comprovada a infecção, é preciso orientar bem o paciente. “Explicar ao paciente que, apesar de não ter cura, a infecção pelo HIV tem tratamento. Se positivo, essa pessoa deverá ser encaminhada para um centro de referência ao tratamento da aids”, aconselha o infectologista.

Parceria sexual
Assim que comprovada a DST, o profissional de saúde deve orientar o paciente a informar sua parceria sexual sobre a presença da infecção, explicando os riscos que esta pessoa corre por não saber que pode estar também infectada.

Embora a aids seja a mais conhecida, existe uma série de outras DST, para as quais os pacientes não têm os esclarecimentos necessários. As doenças sexualmente transmissíveis são causadas por vários tipos de agentes. São transmitidas, principalmente, nas relações sexuais sem o uso do preservativo. Mas há doenças, como aids e sífilis, que podem ser transmitidas da mãe infectada para o bebê durante a gravidez, o parto ou a amamentação.

Tratamento disponível no SUS
Outra grande preocupação em torno das DST é o risco que uma pessoa corre ao não realizar corretamente o tratamento. Embora, namaioria dos casos, as DST tenham um tratamento simples, elas têm suas complicações. A sífilis não tratada, após longo tempo, pode provocar aneurisma na artéria Aorta; a gonorréia não tratada, com o tempo, pode provocar artrites, e, se a pessoa adquirir outra infecção como a do HIV e se descuidar da DST, poderá ter futuras complicações para o tratamento da aids. O profissional de saúde deve preocupar- se em orientar bem o seu paciente para que o tratamento não seja interrompido.

Os tratamentos para combater as doenças sexualmente transmissíveis estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Para ter acesso, basta procurar postos desaúde e ambulatórios de referência dos grandes hospitais. Os medicamentos para tratar essas doenças também são gratuitos. Todos os municípios brasileiros recebem os remédios. Se o hospital ou unidade de saúde não tiver acesso aos medicamentos, deve-se cobrar das autoridades municipais e estaduais de Saúde. “Os medicamentos estão disponíveis, mas cabe aos estados e municípios fazerem a solicitação. Eles devem pedir uma quantidade maior do que a estimativa feita para cada doença. Assim, não faltarão medicamentos nos
casos das doenças em que a notificação não é compulsória”, esclarece Marcelo Barbosa do Ministério da Saúde.

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