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Circulador » Circulador n.01

11/2004

Os jovens e a escola

Escolas abertas ao diálogo

Fazer da escola um lugar onde os alunos possam conversar abertamente sobre sexualidade, uso indevido de drogas, respeito ao próximo, meio ambiente, e os incentive a debater esses assuntos com toda a comunidade escolar. Isto é possível e já se tornou realidade em 96 escolas da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro através do projeto Núcleos de Adolescentes Multiplicadores.
A proposta, executada pela Secretaria Municipal de Educação através dos Projetos de Extensão Meio Ambiente e Saúde, das Coordenadorias Regionais de Educação (CRE) e das Unidades Escolares, foi criada em 1995 e oferece aos adolescentes matriculados na Rede Municipal de Ensino espaços democráticos de discussão e reflexão sobre a sexualidade e a cidadania.
“O nosso objetivo fundamental é construir uma sociedade mais democrática, através de escolas que ampliem seus espaços de diálogo”, afirma Márcia Regina Vinchon Mattos Sandins – Supervisora do Projetos de Extensão – Meio Ambiente e Saúde.

Montando o Núcleo
A montagem de um Núcleo de Adolescentes Multiplicadores começa com a capacitação do professor, oportunidade oferecida às escolas através de cursos anuais. Após estar apto a coordenar um Núcleo, ele verifica em sua escola quais os alunos interessados em participar do projeto. Ter interesse e compromisso em participar do Núcleo, tempo disponível fora do horário escolar e o consentimento dos responsáveis são alguns dos critérios para a inclusão do jovem ao Núcleo. Os selecionados participam de dinâmicas que utilizam diversas linguagens. “Com o tempo, esses jovens vão se apropriando deste conhecimento e, conseqüentemente, fortalecendo sua auto-estima. O grupo começa a influenciar positivamente o ambiente escolar, participando de conselhos de classe, reuniões de pais e visitando outras escolas”, conta Regina Muller, integrante da equipe de Projetos de Extensão Meio Ambiente e Saúde.

O trunfo do projeto
Para Denise Palha, Assessora da Secretária de Educação do Município do Rio de Janeiro, o trunfo deste projeto é o protagonismo dos alunos: “Antes, se buscava respostas imediatas. Atualmente, trabalhamos com a reflexão. Quando escutamos nossos jovens, garantimos a eles um espaço de cidadania efetiva. Ao mesmo tempo em que ele questiona, ele traz propostas para a melhoria de sua escola”.
Os três primeiros Núcleos de Adolescentes Multiplicadores surgiram em 1995, em três escolas municipais, envolvendo 60 alunos. Hoje, são 96 Núcleos que atingem cerca de três mil alunos da 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. Para Márcia, um dos fatores de sucesso do projeto são as parcerias: “Além do nível central da Prefeitura, onde está a coordenação do projeto, as Coordenadorias Regionais de Educação (CRE) e as Unidades Escolares, com seus professores, participam de reuniões mensais e de encontros de atualização.A Secretaria Municipal de Saúde também é nossa parceira”.

Seus resultados
Apesar de não haver uma pesquisa que meça o impacto deste projeto na vida dos alunos e da comunidade, a equipe observa transformações importantes. Regina lembra que os alunos de Núcleo participam ativamente de projetos e concursos realizados na rede: “Isso gera um movimento muito positivo de participação coletiva, de aprendizado e de desenvolvimento desses adolescentes”. Márcia complementa, destacando que “o significado de escola se amplia para esses alunos, criando uma noção de pertencimento que vai influenciá-los por toda a vida”. Denise Palha ressalta que é comum os alunos de Núcleo também se destacarem em outras atividades após deixarem a escola, quando completam o segundo segmento: “Quando vão para o ensino médio, eles querem conquistar um ambiente democrático na outra escola também. Ou seja, exercer a sua cidadania, conquistar o seu espaço, ser ouvido. Esse é o nosso propósito. Com a auto-estima fortalecida, esse adolescente se sente incentivado a cuidar de si, buscando atitudes mais saudáveis consigo mesmo”.

Projeto Conhecendo e Valorizando Nossas Escolhas

DENISE OLIVEIRA DE FREITAS
Escola Municipal Professor Gilberto Bento da Silva
O Projeto Conhecendo e Valorizando Nossas Escolhas visa ampliar o olhar crítico, partindo do auto-conhecimento e da auto-valorização, despertando nos adolescentes a re-flexão crítica e ética. Por estarem numa fase marcada pela instabilidade e insegurança, eles se tornam especialmente vulneráveis a uma série de questões relacionadas à saúde. Considerando a receptividade dos jovens quando ouvem seus pares, a estratégia principal do projeto é a formação de multiplicadores. A metodologia do trabalho prevê duas oficinas semanais, com um grupo fixo, por um ano. Nas oficinas temáticas, os temas indicados por eles geralmente são relacionados a sexualidade, prevenção ao uso indevido de drogas e cidadania e trabalhados através de dinâmicas, debates, dramatizações e vídeos. Nas oficinas multiplicadoras, os jovens planejam e dinamizam atividades para os outros alunos da escola, baseando-se nas atividades das oficinas temáticas.
Os resultados mostram maior auto-conhecimento, auto-estima, responsabilidade e autonomia, com reflexos no desempenho escolar. Como muitos adultos geralmente os rotulam como “aborrecentes” e irresponsáveis, concluímos que a equipe do projeto tem alcançado seus objetivos e atuado como fator protetor, porque desmistifica o adolescente, ajudando-o a se tornar um cidadão crítico e comprometido com os ambientes onde convive.
Para saber +: Escola Municipal Professor Gilberto Bento da Silva. (21) 2413 5125

Eu aposto!
Ter a oportunidade conviver com jovens, principalmente em espaços que facilitam a livre expressão de idéias, o ouvir e ser ouvido, a construção coletiva materializada através do protagonismo juvenil, só me faz acreditar, cada vez mais, no potencial positivo dos jovens.
Alegria, criatividade, energia e o destemor de mudanças, características tão marcantes entre os jovens, mas às vezes tão esmaecidas em muitos de nós, são muitas vezes as alavancas que precisamos para nos mobilizar na busca de soluções que atendam aos mais diversos anseios, trazendo benefícios não só a eles, mas a toda sociedade. Denise Oliveira de Freitas

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