Circulador

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Circulador » Circulador n.03

12/2007

Pai: de espectador a ator

Acompanhar todos os passos do nascimento do filho é direito do homem

Ana Carine e Jorge Silva, logo após o nascimento de seu segundo bebê na Casa de Parto. No colo do pai, o primeiro filho, Jonatan. À direita, Inaiá de Santana Mattos, enfermeira que assistiu o parto.

A Casa de Parto David Capistrano, em Realengo, em nada lembra um hospital. O cheiro é de casa, os móveis e as cores também. Nesse ambiente acolhedor, nascem os bebês de casais que optaram em ter seus filhos de uma forma mais natural. Inaugurada em 2004 e perto de comemorar a marca de mil partos (com uma média de 30 nascimentos mensais), a Casa é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, mas, acima de tudo, uma conquista de entidades que lutam por um parto mais humanizado.
“Na Casa, a gravidez não é um evento apenas da parturiente; procuramos envolver também o companheiro e familiares, ouvindo suas preocupações e seus medos”, explica a diretora da Casa, a enfermeira-obstetra Leila Azevedo. Desde o início da gestação até o período pós-parto, as mulheres e seus acompanhantes participam de oficinas sobre gravidez, parto e cuidados com o recém-nascido, entre outras. “Na Casa há espaço para muita conversa e todas as decisões são tomadas em conjunto”, afirma Leila. “Estimular a presença do companheiro é positivo tanto para a mulher, quanto para o homem e a criança, pois fortalece os vínculos familiares”, constata.

Livre de velhos padrões
Auscultar o coração do bebê quando ele ainda está na barriga da mãe e cortar o cordão umbilical na hora do parto são momentos únicos na vida do pai. “Acreditamos que o pai valorize mais a criação do filho quando participa dessas ocasiões, pois passa a se sentir verdadeiramente inserido na vida do bebê” diz Leila. Na Casa de Parto, em 80% dos casos, é o homem quem corta o cordão umbilical do filho recém-nascido, num ato carregado de simbolismo. “Um elo emocionante é criado nesse momento”, alegra-se Leila.
Para estimular a cumplicidade entre os casais nessa fase tão especial de suas vidas, é preciso se libertar de velhos padrões. Mas se o homem deve ser sensibilizado para atender às novas funções, as mulheres também precisam acolher essas mudanças. “Muitas mulheres foram criadas no sentido de afastar o homem do lar. Ouvi várias dizerem que o companheiro não ia dar conta, que na hora do parto ia dar trabalho. É necessária uma mudança de mentalidade, uma mudança cultural, deixar florescer essa sensibilidade, esse poder de cuidar que todo homem tem!”, diz Leila. E isso vale para todos e todas, homens e mulheres, pais e mães, profissionais da saúde ou não.

Na maternidade Praça XV, o jovem pai também tem vez

O Programa de Atenção à Adolescente Grávida, da Maternidade Oswaldo Nazaré, na Praça XV, há anos vem desenvolvendo estratégias para acolher não só a menina, mas também o rapaz que vai ser pai. Coordenadora do Programa, a psicóloga Maria Helena Pereira se orgulha de poder revelar alguns números, fruto de sua observação diária: “Oitenta por cento dos rapazes que chegam à Maternidade Praça XV, e têm seu primeiro contato com o Programa de Atenção à Adolescente Grávida, estão assumindo a gravidez e acompanhando as adolescentes por todo o pré-natal”, comemora. Os jovens, além das consultas, participam do grupo de pais, onde se sentem livres para expressar suas dúvidas e medos relacionados à sexualidade, gravidez, parto, nascimento e amamentação.

Lei garante o direito do pai na hora do parto: A Lei n° 11.108, de 7 de abril de 2005, garante a toda parturiente, em qualquer hospital do Sistema Único de Saúde (SUS), o direito a um acompanhante durante o período de trabalho de parto, parto e pós-parto.

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