Circulador

  • Fonte normal
  • Aumentar fonte
  • Adicionar a favoritos
  • Imprimir
  • Envie para um amigo:





Circulador » Circulador n.02

11/2005

Pai presente

Valorizar a paternidade é estimular o cuidado e reforçar o potencial afetivo dos homens

Cena comum em maternidade do Rio de Janeiro: menina jovem e grávida chega para consulta pré-natal, sozinha ou acompanhada da mãe. O pai do bebê, figura fundamental para o desenvolvimento do filho e bem-estar da mãe, ou está ausente ou sua presença não é valorizada.
“Muitas vezes os próprios profissionais de saúde não incentivam a participação do pai, deixando-o do lado de fora da sala de consulta”, diz Viviane Castello Branco, Assessora de Promoção de Saúde da SMS-RJ.
Felizmente, esse cenário vem sofrendo profundas mudanças nos últimos anos.
Assim como as mulheres conquistaram espaços na vida pública, os homens começam a abrir espaços no mundo privado, especialmente no mundo dos afetos.

Ana Paula da Silva e Rafael Rosa dos Santos na festa de dia dos pais na maternidade Oswaldo Nazaré, praça XV

Fortalecer os laços entre pais e filhos
Visando incentivar o debate sobre paternidade e desenvolver estratégias que busquem favorecer vínculos entre pais e filhos, a Prefeitura do Rio de Janeiro instituiu em 2002 a Semana de Valorização da Paternidade, que a partir de 2004 se transformou em um mês inteiro de atividades realizadas em diferentes locais: escolas, unidades de saúde, centros esportivos, entre outros. Essa iniciativa é coordenada pela Macrofunção Vida, um grupo de trabalho que integra diferentes instituições municipais, universidades e ONG.
A proposta do Mês de Valorização da Paternidade é promover, durante o mês de agosto, debates, palestras e outras atividades que sensibilizem homens, mulheres, crianças, jovens e profissionais em geral para a importância da participação do pai no cuidado com crianças e adolescentes, contribuindo para o desenvolvimento afetivo dos filhos e do próprio homem.
Na Maternidade Oswaldo Nazaré, a psicóloga Maria Helena Alves Pereira desenvolve um programa específico para adolescentes.
Sua estratégia para aproximar os rapazes é o acolhimento. “Aqui o companheiro é muito bem assistido e estimulado a participar de todo o processo da gestação”, conta. “Como a menina que está grávida, o rapaz que vai ser pai freqüenta prénatal, grupos semanais, consultas de nutrição e palestras sobre a importância do aleitamento materno. Os jovens são levados a refletir sobre a função e a responsabilidade paternas e ainda aprendem a dar banho e a trocar fraldas”.
As atividades promovidas durante o Mês de Valorização da Paternidade têm se revelado excelente estratégia para atrair homens para o debate sobre seu papel nocuidado com os filhos, na relação com as mulheres e no planejamento familiar. Segundo Viviane Castello Branco, que coordena a Macrofunção Vida, o grande desafio consiste em “mudar as rotinas de forma a ampliar a freqüência de pais e homens em geral nas atividades promovidas pelas diferentes instituições”. Essa preocupação levou à criação dos 10 passos para tornar a unidade de saúde parceira do pai (veja abaixo).

10 Passos para tornar a unidade de saúde parceira do pai
1. Capacitar os trabalhadores da saúde em temas relacionados às masculinidades, cuidado paterno e metodologias para trabalho com homens.
2. Incluir os homens/pais nas atividades de contracepção, TIG, pré-natal, ultra-sonografia, atenção a crianças e adolescentes (consultas, exames
e atividades de grupo).
3. Valorizar e incentivar a participação do pai no pré-parto e parto, dando a eles tarefas significativas, como cortar o cordão umbilical e dar o primeiro banho.
4. Facilitar a presença dos pais nas enfermarias, acompanhando seus filhos internados.
5. Desenvolver atividades especificamente voltadas para os homens e/ou pais que valorizem a integração entre as gerações, com metodologias atraentes para os homens.
6. Incluir temas relacionados a masculinidades/paternidade nas diferentes atividades de grupo realizadas pela unidade (contracepção, pré-natal, aleitamento, grupos de pais, adolescentes, idosos, hipertensos, etc.).
7. Garantir a estrutura física que permita a participação dos homens/pais nos diferentes serviços (cadeiras, camas, banheiros masculinos, divisórias, etc.) e decorar a unidade de forma que os homens se sintam mais à vontade (cartazes, revistas, materiais educativos).
8. Estabelecer horários alternativos (sábados, 3º turno) para consultas e atividades de grupo e visitas às enfermarias, de forma a facilitar a presença
dos que trabalham.
9. Disponibilizar informações sobre licença paternidade e o direito dos pais de acompanharem o parto (legislação e cartaz).
10. Integrar a unidade de saúde a outros setores da comunidade, articulando retaguardas para as necessidades levantadas pelos homens/pais e fortalecendo
a rede de suporte social.

Compartilhe