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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.22

05/2011

Parcerias contribuem para a promoção da saúde

Rede pública de saúde e organizações não governamentais se unem para prestar atendimento diferenciado às pessoas que vivem com HIV/aids

A falta de recursos necessários para um bom atendimento de saúde tem feito com que os profissionais do serviço público busquem estabelecer parcerias com ONGs para garantir um atendimento diferenciado e de qualidade.
“Ao desempenhar um papel mais importante não somente na educação sobre a aids, mas também na defesa da cidadania e fortalecimento da assistência básica e tratamento das pessoas com HIV/aids, as ONGs abrem espaço para o diálogo com os serviços da rede do Sistema Único deSaúde (SUS)”, diz a assistente social Marilza Rodrigues, da Policlínica Antônio Ribeiro Netto (PARN), no Rio de Janeiro.
O diálogo foi o canal de aproximação entre o ambulatório de Aids da PARN e entidades como Grupo Pela Vidda (Rio e Niterói), Grupo Arco-Íris, Astra-Rio e Associação Interdisciplinar de Aids (Abia).

Ações de sucesso
Para Marilza, a contribuição das ONGs no enfrentamento da epidemia do HIV/aids é enorme na Policlínica e vem permitindo a realização de diversas ações como a Mostra de Filmes Tutti Frutti, com debate sobre o tema da diversidade afetivo-sexual. Outra contribuição é o evento IDAS– Integração da diversidade afetivosexual –, para dar visibilidade às ações de acolhimento, promoção da saúde e qualidade de vida para gays, homens que fazem sexo com homens, travestis e transexuais.
Há ainda trabalhos como a Roda de Conversa, para estimular o diálogo entre usuários, profissionais de saúde e representantes do movimento social, e o evento Encontro de Adesão à Vida, que pretende promover o intercâmbio das experiências positivas dos serviços de saúde e instituições nos grupos de adesão.

Cooperação em Pernambuco
Em Pernambuco, a ONG Gestos– Soropositividade, Comunicação e Gênero – também conseguiu estabelecer ações de cooperação com as unidades de saúde. Algumas das atividades desenvolvidas nesta parceria são: encaminhamento de pacientes para as atividades da instituição; desenvolvimento de pesquisas; fornecimento de informações sobre as dificuldades dos serviços e a dispensação de medicamento; e liberação para visitas de pessoas internadas nas unidades.
“É importante salientar que essa parceria não implica, em nenhum momento, dispensar o controle social e a denúncia”, explica Glaudston Lima, psicólogo da organização. “É fundamental a possibilidade de aproximação e parceria com os profissionais das unidades de referência na promoção de um atendimento integral e integralizado às pessoas que vivem com HIV/aids e familiares. O compromisso comum é com a melhoria da qualidade de vida das pessoas e, para isso, é fundamental o princípio da relação solidária entre os profissionais”, afirma o psicólogo da Gestos.

Desafios
Mas, se por um lado há grandes conquistas, como a participação dos usuários em seu próprio tratamento, por outro há dilemas, diz a assistente social Marilza Rodrigues. “Existe a dificuldade de alguns profissionais de saúde diante de sua onipotência em compartilhar com o militante o seu espaço de trabalho. Outro equívoco trata do próprio ativista da ONG quando não tem clareza do seu papel e acaba por reproduzir o papel do profissional de saúde”, afirma. Marilza acredita ainda que “essas parcerias ajudam na construção de novas experiências e políticas institucionais e contribuem para fortalecer o trabalho de rede, a interdisciplinaridade e intersetorialidade do conhecimento e das ações de saúde”.

PARCERIA SAUDÁVEL EM SÃO PAULO
A oferta de atividades físicas para pessoas que vivem com HIV/aids nas unidades de assistência do município de São Paulo já existe há uma década e sempre foi administrada por organizações da sociedade civil. Porém, ficavam res tritas ao Ambulatório de Especialidades Ceci (AE Ceci), localizado na zona sul da capital paulista.
Parcerias entre o Programa Municipal de DST/Aids e ONGs permitiram que o serviço se expandisse. Há dois anos, a coordenação municipal de São Paulo deu início ao projeto Malhar é Viver+, que oferece atividades físicas para as pessoas vivendo com HIV. O projeto tem como objetivo prevenir ou minimizar os efeitos da lipodistrofia e estimular uma melhor qualidade de vida.
O projeto teve origem no serviço de educação física oferecido pela ONG Espaço de Prevenção e Atendimento Humanizados (EPAH), que atualmente coordena as atividades em duas unidades de saúde e ajuda o Programa Municipal a padronizar os cursos na rede pública de São Paulo.
Para o coordenador do EPAH, José Araújo, o interessante é a forma como vem sendo construída a parceria. “O Programa Municipal está construindo essa política de assistência realmente em parceria com a sociedade civil. A relação tem sido hiper-saudável”, analisa Araújo.

Malhar é Viver+ é ampliado
O projeto deu certo, e hoje, das 15 unidades de assistência especializada em DST/Aids do município, cinco já contam com educadores físicos para ampliar o Malhar é Viver+ que será levado para outras duas unidades até o final do ano.
Tiago Luiz Cardoso é um jovem professor de educação física que trabalha desde o início no projeto e já está no segundo curso de especialização em HIV/aids. Segundo ele, são várias as diferenças entre o trabalho que realiza e o de seus colegas de academia. O primeiro é que a avaliação do aluno não é só de peso ou de gordura corporal: a carga viral e o nível do CD4 influenciam no tipo de atividade indicada para cada um. Além disso, explica Cardoso, “o objetivo das atividades físicas não é deixar ninguém sarado, mas melhorar a qualidade de vida, a autoestima e prevenir possíveis efeitos da lipodistrofia”.

Vida Nova
Outra experiência de parceria bem sucedida é a do Instituto Vida Nova, que desenvolve, desde 2005, o Malhação Vida Nova nas dependências da própria ONG. O projeto começou com apenas dois educadores físicos em uma sala de 16 m². Hoje, conta com uma equipe multidisciplinar que incluí até acupunturista, psicólogo e nutricionista, está instalado em um galpão de 250m² e atende a quase 100 pessoas. Parte dos equipamentos e o local foram financiados com recursos públicos. O projeto também receberá recursos do governo municipal para receber, nas instalações da ONG, os pacientes de outras unidades de assistência de São Paulo, ampliando, assim, a rede de “academias” do município.

Formação da Rede
Também até metade deste ano, o PM deve englobar mais uma ONG na rede de parcerias. Trata-se da Sociedade Padre Constâncio Dalbésio, ligada à Igreja Católica, que atualmente administra quatro Casas de Apoio. O Centro Esportivo da Paró quia de Nossa Senhora de Fátima do Imirim, onde a Sociedade Padre Dalbésio já oferece atividades de educação física para os pacientes das casas de apoio, ampliará suas atividades e passará a ter um horário para pessoas que vivem com HIV/aids atendidas nos serviços municipais de assistência próximos do local.
Com base nessas experiências, o PM DST/Aids vem lide rando um processo de uniformização das metodologias de avaliação física e do programa de exercícios mais indicados para as as pessoas com HIV/aids.
O ex-coordenador do PM de DST/Aids, Elcio Gagizi, lembra que as pesquisas apontam para o aumento da mortalidade de pessoas com HIV/aids em decorrência de doenças cardiovasculares e “a prática de exercícios físicos ajuda a diminuir o risco desse tipo de doença”.

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