Saber Viver Jovem

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Saber Viver Edições Especiais » Saber Viver Jovem » Saber Viver Jovem n.02

02/2009

Pela minha cabeça passa…

Sempre a história de como eu me infectei
A minha vida era muito legal. Até que eu arrumei um namorado que tinha HIV e não sabia. Rolou um clima, um romance, só que a gente não usou camisinha. Eu peguei HIV e minha vida mudou completamente. Comecei a tomar os remédios. Nunca imaginei que eu fosse passar por isso: tão jovem e já tomando remédio. Mas, com a ajuda dos médicos que cuidam de mim, que são muito atenciosos, e das propagandas que aparecem na TV, comecei a perceber que ter HIV não é a morte.
Carla*, 16 anos.

Muita coisa
Alegria, amor, paz e, ao mesmo tempo, também passa tristeza e ódio. Mas, agora, minha cabeça pensa em paz, carinho e outras coisas como cantar para o mundo inteiro ouvir que sou soropositiva e o mundo me aceitar como sou.
Suellen, 19 anos.

Passa tanta coisa que parece um capítulo de novela
Mas a minha vida é uma novela. Eu me sinto uma pessoa mal-amada. Mas, ao mesmo tempo, me sinto amada porque tenho vocês que ocupam a minha cabeça com coisas boas e, assim, vivo a vida. Amo vocês.
Fátima*, 16 anos


Quando fecho os meus olhos, passa a vida que quero ter

Ter a certeza de que vou ver os meus filhos crescerem e ter uma vida saudável e feliz. Taí uma coisa que na minha vida não existe: eu não sou feliz. Apenas vivo momentos de felicidade, que são poucos. Tenho muita responsabilidade. Tenho que me dividir em tantas partes que não sei mais qual dessas partes sou eu de verdade. Tenho que ser mãe, filha, amiga, amante, mulher. Mas, na maioria das vezes, eu gostaria de ser apenas uma menina. Gostaria de poder ser frágil, como uma menina normal. Tenho que dar colo, quando muitas vezes, preciso de um.
Marta*, 17 anos.

Uma pergunta: será que vou ver os meus filhos crescerem?
Como vou contar pra eles que tenho HIV?Será que eles vão entender que a gente não teve culpa. Que foi um acidente. Gostaria que eles ficassem orgulhosos de mim, quando perceberem que nem essa doença pode me afastar do que há de melhor na minha vida: eles. O que mais preciso na vida é o amor deles. Ser feliz não é uma opção. É uma obrigação e um direito meu!
Carolina*, 16 anos.

Passam tantas coisas que nem eu mesmo sei o que fazer com elas Pensamentos bons que acabam em maus e pensamentos maus que acabam em bons. Basta eu saber escolher o melhor pra mim.
Willian, 20 anos.

Passa muita chateação
Mas, quando isso acontece, eu penso na minha filha. Ela me ajuda a viver. Ela me consola. Às vezes, eu me sinto feliz porque eu tenho uma família boa.
Sueli*, 17 anos.

Uma grande vontade de ser feliz
Ser feliz, pra mim, é estar bem com os meus amigos e familiares. Passa também uma pergunta: como vai ser o meu futuro com HIV?
Se tudo que tenho hoje terei amanhã? Se vou ser sempre a mesma pessoa: brincalhona, alegre, de bem com a vida e se terei as pessoas comigo quando eu mais precisar. Tenho medo de contar para minha filha, quando ela crescer, que eu tenho HIV. No momento, só penso em estudar e ter muita força para agüentar o que ainda pode vir.
Tamires, 17 anos.

Em uma das atividades das oficinas de literatura do projeto Pensando no Futuro, a professora Silvana Capobiango pediu que os jovens completassem a frase acima. O resultado você acabou de conferir.

 

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