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Saber Viver » Saber Viver n.13

12/2001

Por que você tem que usar camisinha

Soropositivos devem evitar um novo contato com o HIV

Alguns casais soropositivos têm a ilusão de que não precisam utilizar a camisinha nas relações sexuais. Cometer esse erro pode custar muito caro à saúde dessas pessoas. Os casais soropositivos podem e devem manter uma vida sexual ativa e saudável. Contudo, o uso do preservativo deve ser encarado como parte do tratamento. A ginecologista do Instituto Fernandes Figueiras, no Rio de Janeiro, Susana Aidé, alerta que o uso da camisinha evita um possível aumento de carga viral entre parceiros, além de prevenir a infecção por HIV mutantes. “Esses casais poderão gerar uma transferência de carga viral entre eles. Ou seja, quando um dos parceiros tem uma carga viral alta, ele poderá transferi-la para o outro através do sexo, aumentando a quantidade de vírus em seu corpo. Por exemplo, uma pessoa que toma os anti-retrovirais corretamente e se trata de maneira adequada, mas, na hora do sexo, não se cuida, poderá ter a sua carga viral aumentada , apesar de todo o esforço no tratamento”.

Infecção por vírus resistentes
Outro risco que a pessoa corre ao abrir mão do uso do preservativo é a infecção por vírus mutável. “O HIV é conhecido pela sua facilidade de sofrer mutações. Por exemplo: Se uma das partes do casal recebe uma grande carga de vírus da outra pessoa que já apresentou resistência a um medicamento, ela também poderá criar resistência ao mesmo remédio”.

Susana Aidé lembra também que o uso correto do preservativo é importante para evitar o contágio de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). “As pessoas que estão com a imunidade baixa devem ter atenção redobrada na prevenção às DSTs”. Segundo a ginecologista, as úlceras e lesões causadas pelas DSTs se transformam numa “porta de entrada” para a infecção do HIV. Logo, as chances de transferência de vírus aumentam ainda mais. Além disso, a probabilidade de essas lesões ou úlceras aumentarem, ficando expostas a novas infecções, é bem maior quando se trata de uma pessoa com baixa imunidade.

A médica acredita que a camisinha feminina poderá gerar uma revolução nessa área: “Eu vejo, através das minhas pacientes, que as mulheres possuem um cuidado maior com a saúde. Mas, infelizmente, o preservativo masculino é mais utilizado, dando mais poder ao homem. A camisinha feminina veio para revolucionar essa situação. Espero que as mulheres façam uso dela, dando mais autonomia às suas vidas”.

DSTs mais comuns

Sífilis – Ferida no pênis, ou no saco, na vagina ou até na boca (quando se pega por sexo oral), alguns dias depois da relação sexual. A ferida não dói. Desaparece com o tempo e a pessoa acha que está curada. Meses depois, surgem manchas pelo corpo e descamação na sola do pé e na palma da mão. Essas manchas também somem, mas a sífilis continua no sangue. É uma doença que ataca homens e mulheres. Quando descoberta no início, ela é totalmente curável. Se as feridas estiverem fora da área de proteção da camisinha, o contato pode passar a doença para outra pessoa.

cancro mole – Feridas com pus que surgem na cabeça do pênis e na parte externa genitália feminina (vulga). Como é muito contagiosa, também pode aparecer no saco, na virilha ou outro lugar que entre em contato com o pus da ferida. A ferida é dolorosa e não some sozinha. Se tratar, a pessoa fica totalmente curada.

Condiloma Acuminado – Verrugas nos órgãos sexuais ou em volta (ou dentro) do ânus. Se não forem tratadas, as verrugas crescem e se espalham. Podem aparecer até alguns anos após a relação sexual que causou o contágio. Também é conhecido como crista de galo ou couve-flor. Se as verrugas estiverem fora da área de proteção da camisinha, o contato pode passar a doença para outra pessoa.

herpes genital – Ardência e dor no local e pequenas bolhas agrupadas sobre uma base avermelhada ao pênis, à vagina e à boca (se pegou pelo sexo oral). Não se deve coçá-las. O líquido que escorre das bolhas é o responsável pela transmissão do herpes. O vírus fica sempre no organismo. Em situações de estresse, exposição ao sol e baixa imunidade, ele se manifesta. No paciente HIV, ela aparece mais freqüentemente e a lesão pode ser maior.

tricomoníase – Corrimento amarelo-esverdeado com mau cheiro, coceira na vagina e no pênis, dor na hora do xixi. No homem, geralmente não apresenta sinais ou sintomas. Usar a camisinha evita a sua transmissão. Tratando, o problema se resolve.

gonorréia – Corrimento amarelado ou esverdeado, ou até mesmo um pouco de sangue que sai do pênis, da vagina ou do ânus. Isso aparece de 2 a 8 dias após a relação sexual. Dói para urinar e para transar. Sem tratamento, a doença pode afetar o sistema nervoso, os ossos e o coração. Com tratamento, a pessoa fica curada.

Informações obtidas da cartilha “Tudo o que você sempre quis saber sobre as doenças transmitidas pelo sexo” elaborada pela assessoria de DST/Aids da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro. Informações (21) 2240-2263 ou 2240-7718.

Dicas sobre a camisinha

- Verifique se ela possui o selo INMETRO, que garante a qualidade do produto.
– Prefira os produtos lubrificados à base de água. Não utilize qualquer produto como lubrificante de preservativo. Ele poderá romper o látex.
– Não use duas camisinhas como precaução. O atrito entre duas poderá, sim, facilitar o rompimento.
– Nunca use duas vezes a mesma camisinha. Usou, jogue fora.
– Procure uma ONG ou informe-se no posto de saúde sobre os locais que distribuem preservativo gratuitamente.


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