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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.03

12/2005

Prevenção em presídio

Hospital em João Pessoa desenvolve projeto de saúde e humanização em presídios

A equipe do hospital Clementino Fraga Filho, em João Pessoa (PB), está demonstrando, na prática, o que é um projeto solidário e humano na área da saúde. Desde o final de 2004, um grupo formado por médicos das mais diversas especialidades, além de enfermeiros e psicólogos, visita semanalmente as celas do presídio de segurança máxima Geraldo Beltrão, em João Pessoa, para incentivar o cuidado e a prevenção às DSTs/aids entre os 900 detentos do local.

A idéia foi colocada em prática em maio de 2003, em parceria com o COAS (Centro de Orientação e Aconselhamento à Saúde) como estratégia do Programa de Saúde e Direitos Humanos nos Presídios da Paraíba, que constatou uma grande incidência de Doenças Sexualmente Transmissíveis na população carcerária. Na época, a equipe do Clementino Fraga Filho visitava os três presídios da capital paraibana. Porém, o projeto foi paralisado com a mudança de governo e só voltou a ser executado por iniciativa dos profissionais de saúde do hospital, estarrecidos com as condições de saúde dos detentos do Presídio Geraldo Beltrão. “Este trabalho é voluntário. Antes de implementarmos qualquer política de humanização de presídios, temos que nos conscientizar do espírito de saúde pública”, afirma Raul Câmara Costa Filho, diretor geral do hospital e incentivador do projeto. Segundo ele, os agentes policiais e a equipe carcerária não recebem um treinamento específico sobre direitos humanos. “No início, percebemos casos de omissão de socorro. Havia medicamentos no local, mas a equipe não se preocupava em cuidar da saúde desse grupo. Tratamos até de casos dermatológicos e hoje, os problemas de saúde diminuiram”, constata Raul.

Atualmente, além do presídio, a equipe do hospital visita toda a semana o Ceacetrim, que trabalha com recuperação de menores.
O projeto tem como objetivo diminuir os riscos de contaminação pelo vírus HIV e outras DSTs, incentivar a prática de sexo seguro e estimular a testagem de sífilis e HIV em detentos. A equipe de saúde se reúne em grupo com os detentos, oferece aconselhamento individual com distribuição de material educativo e preservativos, faz testagem para HIV e sífilis, realiza a coleta e o aconselhamento pós-teste, com a entrega de resultados e o encaminhamento de casos reativos para o tratamento no hospital. “Não há outra estratégia mais eficiente para trabalhar com saúde entre essa população”, conclui o diretor do hospital.

O racismo e os serviços de saúde

O combate à discriminação e o estímulo à solidariedade foram as metas que impulsionaram a criação do Dia Mundial de Luta Contra a Aids – 1º de dezembro – pela Assembléia Mundial de Saúde em 1987 e a adoção da data pelo Brasil, no ano seguinte. Bem oportuna, a campanha lançada pelo Ministério da Saúde este ano tem como tema “Aids e Racismo: O Brasil tem que viver sem preconceito”. A escolha foi feita a partir da percepção de que a população negra nunca foi alvo de campanhas de prevenção, apesar de representar 47,3% da população do país, segundo o IBGE.

Negros têm menos acesso à saúde 

O Ministério da Saúde confirma que o crescimento da aids no Brasil é maior entre a população negra. Entre 2000 – quando a notificação do HIV passou a exigir informações sobre cor da pele – e 2004, a participação dos negros e pardos no total de pessoas vivendo com HIV/aids no país cresceu entre homens (de 33,4% para 37,2%) e principalmente entre mulheres (de 35,6% para 42,4%).
Estudos comprovam que não há relação clínica entre a aids e a população negra. Porém, a maioria dos negros ainda tem mais dificuldade de acesso à escolaridade, à informação e ao mercado de trabalho, o que a torna mais vulnerável ao HIV. Segundo o coordenador do Programa Nacional de DST/Aids, Pedro Chequer, mesmo entre a população mais pobre, os negros têm menor acesso à rede pública de saúde do que os brancos. “O tema deve ser servir de reflexão para todos nós. É uma realidade que precisamos mudar”, convoca Chequer.

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