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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.20

09/2010

Profissionais de Saúde estimulam participação de pacientes no tratamento

Um dos princípios valorizados pela Clínica de Aids da Policlínica Antônio Ribeiro Neto (PAM 13 de Maio), no Rio de Janeiro é fortalecer a autonomia dos pacientes para que eles possam tomar decisões e influenciar questões públicas. Para a assistente social Marilza Rodrigues, isso é fundamental para que o paciente se sinta forte e atuante, e para o bom funcionamento do sistema de saúde.

A unidade mantém um espaço permanente de conversa: o Grupo Sala de Espera, que se reúne toda sexta-feira para trocar ideias, experiências e debater temas como tratamento, efeitos adversos, preconceito, trabalho e direitos. Uma demanda importante dos pacientes foi identificada recentemente durante um dos encontros. “Muitos casais sorodiscordantes desejam ter filhos, mas têm dúvidas sobre comoé possível engravidar com segurança. A partir desta demanda, estamos elaborando uma proposta sobre reprodução assistida, que será encaminhada ao Ministério da Saúde”, conta Marilza.

A assistente social reconhece que a integração do paciente com o movimento social é muito produtiva. “Essa interface é decisiva para a inserção de gays e travestis, que têm dificuldade em acessar as unidades de saúde. Nós conseguimos trazê-los com a Mostra de Filmes Tutti-Fruti, que aborda a sexualidade e fomenta o debate sobre o tema”, explica.

Comprimidos, tintas e pincéis
No Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, lápis coloridos, tintas e pincéis se unem aos medicamentos toda vez que o Projeto Carmim chega para transformar pacientes em alunos. Desde 1996, a iniciativa promove a interação entre arte, educação, cultura e saúde para humanizar tratamentos, pacientes e profissionais.

O artista plástico Eduardo Valarelli, diretor e fundador da ONG, conta que tudo começou a partir de sua internação, em 1991. “Eu percebi que além de mim a unidade de saúde estava doente, com um quadro bastante grave: a falta de atendimento humanizado e de atenção integral ao paciente. Nos leitos não havia sujeitos, mas doenças” lembra.

Arte nas enfermarias
O recurso para vencer a dor e a solidão foi a arte. “Transformamos enferma rias em ateliês. Nossas ferramentas são a sensibilidade, o vigor e a atenção ao paciente”, Eduardo descreve. As au las têm duração de três horas e são rea li zadas semanalmente, de leito em leito.
“A linguagem lúdica da arte gera um impacto positivo sobre os pacientes. Ao perceber que são capazes de produzir belos trabalhos, eles percebem que não se resumem a uma doença”, conclui Valarelli.

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