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Circulador » Circulador n.01

11/2004

Alunos soltam a voz

 

Pesquisa ouve, pela primeira vez, alunos da rede municipal a partir de 7 anos

Como pensam e agem os alunos da rede pública municipal de ensino diante de situações relacionadas a drogas, tabaco, álcool, sexo e outros fatores de risco? Este é o principal foco da pesquisas Solta a Voz, realizada em 1999/2000 com 1529 alunos da rede pública municipal de ensino do Rio de Janeiro entre a faixa etária de 7 a 15 anos.

 

 

A idéia de elaborar esta pesquisa surgiu do interesse de Carlos Silva, gerente do Programa de Saúde Escolar da Prefeitura do Rio de Janeiro, em dimensionar alguns fatores de risco entre este grupo, tanto com relação a vivências relatadas com acidentes e agressões sofridas, como com o início da experiência com tabagismo, uso de bebidas alcoólicas, drogas e atividade sexual. O estudo também buscou identificar as informações que essas mesmas crianças e adolescentes possuíam sobre gravidez, DST/Aids, práticas contraceptivas e drogas.

Pesquisa inclui crianças a partir de 7 anos 
“A maioria das pesquisas trabalhava com adolescentes a partir dos 12 ou 14 anos. Não tínhamos dados ou ‘um olhar’ sobre fatores de risco e de proteção na faixa etária de 7 a 10 anos. Uma conclusão importante do trabalho apontou que a maioria dos entrevistados que informou já ter experimentado tabaco, álcool e outras drogas e iniciado atividade sexual, o fez antes dos 14 anos. Ou seja, na faixa de idade do Ensino Fundamental”, analisa Carlos Silva, que vê neste material uma referência para trabalhar com ações de promoção da saúde no ambiente escolar. “Com os dados na mão, temos mais chances de construir estratégias que subsidiem o aluno nessa etapa de ‘experimentação’ e o estimulem para escolhas mais saudáveis”.

Família: uma fonte de informação

Segundo a pesquisa, a família é a principal fonte de informação na hora da dúvida para diversos assuntos, inclusive os relacionados à sexualidade: “Cerca de 40% dos entrevistados, independente de sexo e faixa etária, procuram a mãe nesses momentos. Logo a seguir, de um modo geral, procuram pelo pai. Considerando a soma entre mãe e pai, percebe-se que a família é a principal referência, ao contrário do que muitas vezes se pensa achando que a família está desestruturada”, explica Carlos.
A Solta a Voz permite ainda outras associações dos dados, como a experimentação do tabaco e do álcool à facilidade de acesso em casa. “Com isso, percebemos que ou a unidade de saúde e a escola incluem a família em suas estratégias de atuação, ou estaremos trabalhando com pessoas isoladas de seu contexto e de seu núcleo de referência”, analisa Carlos.

 

Faixa etária de experimentação
cigarro
álcool
outras drogas
Menimos até 9 anos
10 a 12 anos
13 a 14 anos
15 anos ou mais
19,70% 25,40% 40,40% 14,60% 33,90% 39,70% 20,90% 5,50% 3,80%
27%
20,80%
48,30%
Meninas até 9 anos
10 a 12 anos
13 a 14 anos
15 anos ou mais
20,10% 44,70% 26,40% 8,80% 37,80% 40,60% 15,60% 6,10% 0
16,60%
56,30%
27%
Os maiores de 10 anos
10% afirmaram já ter tido a 1 a relação sexual
Destes, 60% apontam o uso da camisinha como forma de prevenção de doenças.
Entre os 40% que afirmam que não usam a
camisinha: os meninos alegam falta de tempo ao passo que as meninas dizem que o parceiro não quer usar.
Perfil dos participantes: 1529 alunos da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro; 818 do sexo masculino, 711 do sexo feminino. Faixa etária de 7 a 15 anos.

 


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