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Circulador » Circulador n.05

10/2012

Promoção da saúde nas escolas e creches

Ações unem saúde, educação e assistência social

Crianças em ação educativa realizada por equipes de saúde no Ciep Doutor Antoine Magarinos Torres Filho, no morro do Borel.

A Secretaria Municipal da Saúde e Defesa Civil (SMSDC), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, a Secretaria Municipal de Assistência Social e outros órgãos municipais, implementou nas creches e escolas do Rio de Janeiro o Plano Municipal de Saúde na Escola e na Creche. O objetivo é garantir a atenção integral à saúde do educando carioca por meio do fortalecimento de redes de promoção da saúde e de proteção social. Uma etapa relevante deste trabalho é a vinculação das unidades escolares municipais – escolas, creches e espaços de desenvolvimento infantil (EDI) – às unidades de saúde e de assistência social. Aline Bressan e Ana Maria Branco, coordenadora e técnica, respectivamente, da Coordenação de Saúde Escolar, comemoram o estreitamento desses vínculos. “O Plano derrubou muros”, conta Ana Maria. “Hoje, já é possível desenvolver uma série de questões sobre saúde dentro das escolas e discutir prioridades”, diz. Aline, que é uma das responsáveis pela operacionalização do Plano Municipal de Saúde na Escola e na Creche, ressalta a importância da estratégia para a promoção da saúde. “A expansão da rede de atenção primária à saúde e a inclusão das ações propostas pelo Programa Saúde na Escola na carteira de serviços das unidades de saúde contribuem para a melhoria da qualidade de vida dos escolares cariocas”, diz.

Descentralização das atividades

Aline Bressan, coorde- nadora de Saúde Escolar

Para descentralizar o trabalho, foram criados os Núcleos de Saúde na Escola e na Creche (NSEC). São 10 NSEC, que atuam em conjunto com as Coordenadorias Regionais de Educação (CRE), Coordenadorias de Assistência Social (CAS) e Coordenadorias da Área de Planejamento (CAP). Os NSECs dinamizam a articulação dos serviços em cada área da cidade e planejam suas ações de acordo com as necessidades e as potencialidades de cada território. Segundo Aline Bressan, o planejamento das ações de saúde na unidade escolar deve ser realizado com a participação ativa dos representantes do corpo docente da escola, do conselho de pais e da comunidade. “As demandas assistenciais e as questões de vigilância à saúde devem ser acordadas e os atores envolvidos, co-responsabilizados”, diz a coordenadora, citando ainda outros desafios para qualificar as ações do programa: “Revisar práticas em curso e modelos (com vistas ao desenvolvimento de metodologias participativas), investir na capacitação dos profissionais e gestores e repensar conceitos e referenciais teóricos de saúde e educação”, enumera.

Alunos recebem óculos graças a parcerias do Programa Saúde Escolar.

Escolas do Amanhã

As Escolas do Amanhã estão incluídas no Programa Saúde na Escola de modo específico. A proposta do projeto, que envolve cerca de 160 escolas com baixo IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) situadas em áreas de conflito, é viabilizar formas de manter os alunos em sala de aula, com ações voltadas a desfazer bloqueios cognitivos gerados pela violência. Educação em tempo integral, com artes, esportes, reforço escolar e computadores em sala de aula fazem parte da proposta. Cada Escola do Amanhã conta com um técnico de saúde diariamente na escola. “A presença do técnico consegue despertar na escola um olhar para o ambiente como um todo, influenciando as questões de saúde. Isso está sendo fundamental para a escola”, avalia Angélica Bueno, responsável pela operacionalização do Programa Saúde na Escola, dentro da Secretaria Municipal de Educação. Para Renato Barreto, técnico de educação e saúde no Ciep do Borel, estabelecer uma relação de confiança é fundamental para o trabalho. “Trabalhar junto com a família é primordial. Quando identificamos algum problema, não só relacionado diretamente à saúde, mas algo que possa afetá-la, como a alimentação, chamamos os pais para conversar, e a resposta é sempre muito positiva. Isso é resultado da confiança que eles têm no nosso trabalho”.

“As parcerias são muito importantes para o programa, pois potencializam as ações”, diz Angélica Bueno da SME.

Além de identificar as demandas dos alunos, o técnico de saúde pode direcionar os casos para as equipes móveis que visitam as escolas cerca de uma vez por mês. Compostas por médico, enfermeiro, psicólogo, dentista e técnico de saúde bucal, as equipes atendem os casos mais imediatos e, quando necessário, articulam o encaminhamento de alunos para unidades municipais de saúde. As Escolas do Amanhã contam ainda com apoio para ações de saúde auditiva e oftalmológica. Além disso, os alunos que necessitam de óculos, os recebem gratuitamente.

Alunos atuantes

O Programa Saúde na Escola incentiva a participação dos alunos no cotidiano da escola com iniciativas como o Falação. O projeto, criado a partir da demanda dos adolescentes, discute os problemas da escola, a relação com professores e diretores, além de assuntos como sexualidade e drogas. No final de 2011, um evento chamado A Vida da Gente reuniu alunos de 20 escolas. “Os alunos apresentam questões para serem discutidas e identificam problemas existentes na escola. Passaram, até mesmo, a observar os alunos faltosos. Tudo é encaminhado para a diretoria de cada escola para que as providências sejam tomadas”, diz Marise Maciel, integrante da assessoria da 6ª CRE.

Primeira Infância Completa

Aos sábados, 50 creches do município abrem suas portas para o Programa Primeira Infância Completa (PIC), atendendo crianças de 6 meses a 3 anos e meio que não conseguiram vagas regulares nas creches. Criado em 2009, o programa oferece atividades como brincadeiras, leituras, promoção da saúde etc. Focado na intersetorialidade, o PIC utiliza os mesmos conceitos do Programa Saúde na Escola. “Não há trabalho educativo sem o envolvimento da saúde e da assistencial social. Integrar é olhar o todo. Não adianta ter uma visão partida”, diz Márcia Gil, da Gerência de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação. Em 2011, o programa criou a Escola de Pais, voltado principalmente para as famílias que possuem o cartão família carioca. “Os pais gostam de participar. Nas rodas de conversa, é possível acolher as dúvidas e pensar juntos”, conta Márcia.

VALE A PENA!

“O Saúde na Escola é um gol de placa. Ele tem que ter continuidade e ser implantado em todas as escolas do Rio. O programa acompanha o desenvolvimento da criança como um todo e mostra que sem as parcerias não há trabalho bem feito. No CIEP, temos várias parcerias que funcionam. Mesmo sem consulta marcada, quando encaminhamos um aluno para o PSF, ele é atendido. As crianças necessitam desta atenção”. Renato Barreto, técnico em educação e saúde do CIEP Dr. Antoine Magarino Torres Filho, no morro do Borel

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