Publicações

  • Fonte normal
  • Aumentar fonte
  • Adicionar a favoritos
  • Imprimir
  • Envie para um amigo:





Solução » Solução n.13

06/2006

Propaganda irracional

Movimento quer proibir propaganda de medicamentos

A mistura de publicidade e medicamentos tem preocupado os profissionais de saúde. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o consumo sem critério de medicamentos causa um impacto nos indicadores de Saúde Pública. A ingestão excessiva ou indevida e as reações adversas aos medicamentos lideram o ranking nacional de intoxicação há sete anos. E o problema não se limita ao Brasil. A Organização Mundial de Saúde (OMS) empreende hoje uma campanha para combater esse descontroleno acesso aos medicamentos, verificado em diversos países. Aparentando informar, esse tipo de propaganda acaba induzindo o maluso dos produtos.

Em torno desse problema, a Fenafar (Federação Nacional dos Farmacêuticos), a Fenam (Federação Nacional dos Médicos), e a Anvisa promovem uma série de eventos chamada Seminário Propaganda e Uso Racional de Medicamentos. Depois das conferências destinadas a farmacêuticos e médicos das cinco regiões do país, o encerramento da série acontece em Brasília, entre os dias 31 de agosto e 2 de setembro. A presidente da Fenafar, Maria Eugência Cury, conta que o Seminário tem como principal objetivo a sensibilização dos profissionais sobre o seu papel na promoção do uso racional de medicamentos. Para ela, farmacêuticos e médicos devem contrapor-se à investida da propaganda.

Esta tem levado, na opinião de Maria Eugênia, ao uso irracional de remédios. “A propaganda de medicamentos precisade muito mais controle ainda”, diz ela. “Aliás, a Fenafar e a Fenam apóiam uma ação mais radicalizada: queremos aprovar uma lei que proíba esse tipo de promoção”. Se a propaganda é uma estratégia que visa à venda do produto, tende a valorizar (e até exagerar) seus benefícios, ao mesmo tempo em que minimiza (ou até camufla) os efeitos indesejáveis. “É fundamental conscientizar a população de que o medicamento não é um produto qualquer e que se deve evitar o uso de qualquer medicação sem a prescrição médica”, preocupa-se.

SAIBA +
Anvisa – www.anvisa.gov.br
Fenafar – www.fenafar.org.br
Fenam – www.fenam.org.br

Notas
Novas formas de pensar adesão

O Programa Municipal de DST/ Aids do Rio de Janeiro reuniu cerca de 70 profissionais de saúde, em maio, para discutir a adesão ao tratamento da aids. O evento, chamado Oficina de Adesão, contou com a apresentação de cinco palestrantes. Na abertura, o assessor técnico da Unidade de Assistência e Tratamento do Programa Nacional de DST/Aids, Ronaldo Hallal, falou sobre as estratégias do Ministério da Saúde para garantir uma boa adesão aos anti-retrovirais. Em seguida, a psicóloga do projeto Praça Onze, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ana Lúcia Weinstein, desafiou os participantes a refletirem sobre a vulnerabilidade do paciente como um dos obstáculos à adesão. Gisela Cardoso, psicóloga do Programa de Aids e Serviço de DIP do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ), apresentou sua Dissertação de Mestrado, que trata das representações sociais da soropositividade e sua relação com a adesão ao tratamento anti-retroviral. O professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Antônio Marcos Tosoli Gomes, falou sobre o cotidiano da família que tem em casa uma criança com HIV/aids. Para encerrar o evento, Narda Nery Tebet, psicóloga e presidente do Grupo pela Vidda Niterói, apresentou as estratégias do projeto Nit-Buddy na promoção da adesão. O projeto cadastra voluntários dispostos a auxiliar pessoas com HIV/aids em seus domicílios.

Sérgio Aquino, responsável pela Logística de Medicamentos do Rio, criou o evento a fim de promover, entre os profissionais de saúde em geral, uma reflexão mais ampla sobre o processo de adesão ao tratamento contra a aids. “Precisamos desvendar as diversas formas de pensar em adesão”, disse.

Compartilhe