Publicações

  • Fonte normal
  • Aumentar fonte
  • Adicionar a favoritos
  • Imprimir
  • Envie para um amigo:





Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.09

06/2007

Recém-nascido de mãe infectada pelo HIV

ACOMPANHAMENTO CLÍNICO E LABORATORIAL

Segundo estudo divulgado pelo Ministério da Saúde em 2004, a prevalência de infecção pelo o HIV em parturientes entre 15 e 49 anos de idade, de todas as regiões do Brasil, é de 0,42%. Isso corresponde a uma estimativa de cerca de 13 mil parturientes infectadas num universo de três milhões.

Nos últimos anos, a detecção precoce do HIV em gestantes tem recebido um alto investimento por parte do governo, que busca aprimorar suas ações de controle da epidemia e evitar o surgimento de novos casos de aids infantil.

CUIDADOS PARA EVITAR A TRANSMISSÃO DO HIV
Para tentar impedir a transmissão do HIV da mãe para filho, os cuidados começam durante o período intra-uterino, quando a gestante soropositiva deve seguir um esquema anti-retroviral adequado para o seu caso. Após o parto, o recém-nascido receberá a quimioprofilaxia com zidovudina – com início, de preferência, entre as duas e oito primeiras horas de vida – até completar seis semanas. No caso da mãe não ter recebido acompanhamento especializado e tratamento anti-retroviral durante a gestação, o início da zidovudina para o recém-nascido deve ser o mais precoce possível.

De acordo com as Recomendações para Terapia Anti-Retroviral em Crianças Infectadas pelo HIV publicado pelo Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, em 2006, não há comprovação do benefício desta quimioprofilaxia, se iniciada após o bebê completar 48 horas de nascido. A indicação, nesse caso, fica a critério do médico.

O atendimento das crianças nascidas de mães infectadas pelo HIV é realizado em unidades especializadas até, pelo menos, a definição de seu diagnóstico. O ideal seria que mesmo as crianças não-infectadas fizessem visitas periódicas às unidades especializadas até o final da adolescência, em virtude de terem sido expostas não só ao HIV, mas, também, a drogas antirretrovirais.

Essa preocupação reside no fato de não se conhecerem as possíveis repercussões da exposição a tais medicamentos a médio e longo prazo. Infelizmente, esta não é a realidade das unidades de saúde do Brasil.

PROCEDIMENTOS AO NASCER
Alguns procedimentos especiais com a criança na hora do nascimento quando a mãe é portadora do HIV:

• Imediatamente após o parto, lavar o recém-nascido com água e sabão, evitando contato com o sangue materno e procedimentos invasivos.
• Aspirar delicadamente, se necessário, as vias aéreas do recém-nascido,
evitando traumatismo em mucosas.
• Devido à possibilidade de ocorrência de anemia no recém-nascido em
uso de zidovudina, recomenda-se a realização de hemograma completo da criança no início do tratamento, e após 6 e 12 semanas.
• Assegurar que, ao ter alta da maternidade, o recém-nascido tenha consulta agendada em serviço de referência.
• O aleitamento materno é contra-indicado no caso de criança nascida de mãe infectada pelo HIV, pois pode servir como vetor de transmissão do vírus. O fornecimento contínuo de fórmula láctea deverá ser assegurado por no mínimo 12 meses.
Segundo a agência Unaids, da ONU, a cada ano, mais de 300.000 crianças no mundo são infectadas pelo HIV depois do nascimento.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
O exame de sorologia anti-HIV da criança nascida de mãe soropositiva pode resultar positivo até os 18 meses, pois até essa idade ela possui em seu sangue os anticorpos contra o vírus. Nesse caso, o diagnóstico laboratorial da infecção pelo HIV deve ser realizado através da quantificação do RNA viral (carga viral). Recomendase a realização do primeiro exame com um mês de vida. Em caso de carga viral detectável, o exame deve ser repetido logo em seguida para confirmação do diagnóstico. Caso o resultado seja indetectável, o exame deverá ser repetido aos 4 meses de vida. Permanecendo indetectável, a criança provavelmente não está infectada pelo HIV, mas deverá continuar em seguimento clínico e laboratorial até os 18 meses de vida, quando então deverá ser solicitada a sorologia anti-HIV.

VACINAÇÃO DE CRIANÇAS NASCIDAS DE MÃES SOROPOSITIVAS PARA O HIV
Crianças infectadas pelo HIV são mais suscetíveis a infecções como tuberculose e hepatite B, portanto, as vacinas contra a tuberculose (BCG-ID) e contra o vírus da hepatite B deverão ser dadas logo após o nascimento. Segundo a imunologista do Hospital Universitário Gaffrée Guinle, do Rio de Janeiro, Norma Rubini: “como a definição do diagnóstico da infecção pelo HIV ocorre ao longo do primeiro ano de vida, as crianças com exposição vertical ao HIV devem seguir um calendário de imunizações que inclui as vacinas de rotina, com algumas modificações, e vacinas especiais indicadas para pacientes com imunodepressão”.

Para os bebês menores de 1 ano de idade, com suspeita clínica de infecção pelo HIV ou que tenham o diagnóstico definitivo de infecção pelo HIV, recomenda-se não prescrever a vacina Sabin contra a poliomielite. A alternativa é a Salk (elaborada com vírus inativado), que pode ser encontrada em Centros de Referência Imunobiológicos Especiais. Veja os locais, na última página da revista.

PROFILAXIA CONTRA O PNEUMOCYSTIS JROVECI
A pneumonia por Pneumocystis jroveci (nome atual do patógeno Pneumocystis carinii) é muito comum em crianças com HIV. Ela pode se manifestar rapidamente e causar insuficiência respiratória aguda com alta letalidade, justificando a indicação de profilaxia primária com sulfametoxazol – trimetopin em todas as crianças expostas ao vírus, até que seja definida a não infecção. A faixa etária de maior risco é a compreendida entre os 3 e 6 meses de idade. Em crianças menores de 12 meses, os níveis de células CD4 (contagem dos linfócitos) não são marcadores do risco de pneumocistose.

CALENDÁRIO VACINAL DA CRIANÇA INFECTADA/EXPOSTA AO HIV
IDADE  VACINA (Nº DA DOSE)
0 (RN) (3) (4) Hep B, BCG ID
1mês Hep B
2 meses DTP ou DTPa (5), Hib (6), VIP ou VOP (7), Pnc7 (8), Rtv
(9), MenC conj. (10)
4 meses DTP ou DTPa (5), Hib (6), VIP ou VOP (7), Pnc7(8), MenC
conj. (10), infl (11)
6 meses Hep B, Pnc7 (8), SRC (12), VZ (13), Hep A (14)
7 meses Infl (11)
12 meses Hep B, Pnc7 (8), SRC (12), VZ (13), Hep A (14)
15 meses DTP ou DTPa (5), Hib (6), VIP ou VOP (7), VZ (13)
18 meses Hep A (14)
24 meses Pn23 (8)
6 anos DTP ou DTPa (5), VIP ou VOP (7), SRC (12), Pn23 (8)
16 anos DT ou dTpa (15)

Vacina contra febre amarela (16); indicada a partir dos 9 meses de acordo com a situação epidemiológica local e condição imunológica do paciente, conforme orientação dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) do Ministério da Saúde.

Legenda: Hep B = hepatite B; Hib = Haemophilus influenzae tipo b; DTP = difteria, tétano e pertussis; DTPa = difteria, tétano e pertussis acelular; VIP = vacina injetável contra pólio; VOP = vacina oral contra pólio; Pnc7 = vacina contra pneumococo conjugada 7-valente; Rtv = vacina oral contra rotavirus; Men C conj. = vacina contra meningococo tipo C conjugada; Infl = vacina contra influenza; Hep A = hepatite A; SRC = vacina contra saramp, caxumba e rubéola; VZ = vacina contra Varicella zoster; Pn23 = vacina polissacarídica contra pneumococo 23-valente.

Fonte: Recomendações para Terapia Anti-Retroviral em Crianças Infectadas pelo HIV – 2006, do Programa Nacional de DST/Aids. Mais informações em www.aids.gov.br, item documentos e publicações.

Compartilhe