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Saber Viver Profissional de Saúde » Saber Viver Profissional de Saúde n.08

03/2007

Recomendações do Programa Nacional de DST/Aids para o tratamento da depressão*

O guia de recomendações do Programa Nacional de DST/Aids (PNDST/Aids) para Terapia Anti-Retroviral (TARV) em Adultos e Adolescentes Infectados pelo HIV estabelece recomendações técnicas consensuais para utilização de medicamentos anti-retrovirais (ARV), mas não faz indicações terapêuticas para transtornos psíquicos.

Entretanto, o documento alerta para o uso racional de ARV que possam ocasionar efeitos adversos neuropsiquiátricos, como o efavirenz, por exemplo, além de indicar quais antidepressivos devem ser evitados em uso concomitante com ARV, uma vez que podem causar interações prejudiciais, levando a oscilação dos níveis séricos dos fármacos.

O PNDST/Aids tem atenção especial com a saúde mental das pessoas que vivem com HIV/aids e considera o diagnóstico e o tratamento dos transtornos depressivos fundamentais para melhorar a qualidade de vida desses pacientes. No entanto, a maioria dos casos de depressão não é diagnosticada e muitas vezes os sintomas são pouco valorizados. Para o órgão do Ministério da Saúde, a depressão deve ser tratada por uma equipe multidisciplinar e as equipes dos Serviços de Assistência Especializada (SAE) em HIV/aids podem tratar os distúrbios psíquicos leves ou moderados, já que contam com enfermeiros, médicos, assistentes sociais e psicólogos. O atendimento psicoterapêutico e o manejo farmacológico da depressão podem, em alguns casos, ser realizados no próprio SAE.

No caso de transtornos mais graves, é recomendado o encaminhamento para uma equipe de saúde mental, principalmente dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O PNDST/Aids tem investido no treinamento das equipes dos CAPS para a construção de uma rede de referência e contra-referência com os serviços de HIV/aids dos estados e municípios. Além disso, investe também na realização de ações de prevenção e assistência às DST/aids, tais como o oferecimento do teste anti-HIV, aconselhamento específico para essa população, monitoramento da adesão ao tratamento anti-retroviral, acompanhamento às consultas nos SAE ou serviços de referência, tratamento psiquiátrico para pacientes com HIV/aids que desenvolvem transtornos mentais.

O PNDST/Aids tem priorizado também a atenção às pessoas que vivem com HIV/aids que usam álcool e outras drogas, incorporando a estratégia de Redução de Danos pelos SAE e buscando a formação de redes com os 138 Centros de Atendimento Psicossocial aos Dependentes de Álcool e Drogas (CAPS/AD) existentes atualmente no Brasil. O programa entende que promover a integração entre os diferentes serviços de atendimento nas áreas de clínica médica, infectologia, neurologia e de atenção à saúde mental facilita os encaminhamentos e, conseqüentemente, a qualidade e a agilidade do atendimento oferecido às pessoas que vivem com HIV e aids.

As recomendações do PNDST/Aids para a terapia anti-retroviral em adultos e adolescentes estão disponíveis no site www.aids.gov.br

(*) Informações fornecidas pela psicóloga Ivana Drummond Cordeiro, consultora técnica da Unidade de Assistência e Tratamento do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde

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